A Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill celebra esta quinta-feira, dia 19 de dezembro, o 100º aniversário do poeta com a entrega dos prémios da 10ª edição do Concurso Literário Alexandre O’Neill, dedicado às modalidades de conto e poesia e que evoca esta figura ilustre da literatura portuguesa. A cerimónia de entrega dos prémios decorrerá pelas 18h00 na Cineteatro Municipal de Constância.
Detentora desde 1986 da biblioteca pessoal de Alexandre O’Neill, a Biblioteca Municipal de Constância, pretende assim valorizar e divulgar este grande nome da literatura portuguesa, a sua relação com a Biblioteca Municipal e com a vila de Constância, dinamizando o concurso literário em sua homenagem.
A edição deste ano do Concurso Literário Alexandre O’Neill, dedicada ao tema “Ó Portugal, se fosses só três sílabas”, contou com 25 participantes a concurso, com um total de 29 trabalhos.
Além de evocar a vida e obra de O’Neill, a iniciativa tem também como objetivo fomentar e consolidar hábitos de leitura, de escrita e de criação artística na comunidade.

Nascido em 19 de dezembro de 1924 em Lisboa, Alexandre O’Neill foi escriturário até 1952, começou a escrever prosa e poesia para vários jornais em 1957 e iniciou-se como redator de publicidade em 1959.
Ficaram famosos alguns ‘slogans’ que criou, como “Há mar e mar, há ir e voltar” – depois de chumbada a versão “Passe um verão desafogado” -, “Vá de metro, Satanás”, “Com colchões Lusospuma você dá duas que parecem uma” e “Bosh é Brom”.
Tendo sido um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, desvinculou-se a partir de “Tempo de Fantasmas” (1951), embora a sua passagem pelo grupo marque a sua postura estética, conservando na sua poesia algumas características do movimento, como é o caso do tom mordaz e em certo sentido absurdista na forma de analisar o mundo.
Amante do jazz, do cinema e do teatro modernos, Alexandre O’Neill fez traduções, escreveu guiões para cinema e manteve algumas colunas de jornal durante vários anos.
Da sua obra destacam-se obras como “No Reino da Dinamarca” (1958), “Feira Cabisbaixa” (1965) ou a reunião de contos e crónicas em “Uma Coisa em Forma de Assim” (1980).
Alexandre O’Neill morreu em Lisboa a 21 de agosto de 1986, aos 61 anos.
