A funcionar desde abril, a Extensão de Saúde Montalvo foi oficialmente inaugurada esta segunda-feira, 6 de dezembro, num momento que contou com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales. O presidente do Município, Sérgio Oliveira, aproveitou a presença do representante do Governo para alertar para a necessidade de mais médicos de família para o concelho. Já ao mediotejo.net, a diretora executiva do ACES Médio Tejo disse que no caso de Montalvo há médico mas que está de férias, tendo reconhecido que o problema da falta destes profissionais é um problema que preocupa na região.

“O passo hoje aqui dado é fundamental para a coesão do concelho e das nossas freguesias como um todo. Hoje faz-se justiça à população de Montalvo, que lutou durante mais de 10 anos para poder voltar a ter uma extensão de saúde. (…) É um dia de sentimento de dever cumprido”, assumiu Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, no dia em que foi oficialmente descerrada a placa da nova Extensão de Saúde de Montalvo.

A funcionar desde abril deste ano nas antigas instalações da Escola de 1.º Ciclo Dr. José Godinho, este novo equipamento de saúde ao dispor dos montalvenses resulta de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Município, num investimento de 161 mil euros apoiado em 136 mil por fundos comunitários (à autarquia coube a adaptação do edifício e ao Ministério o apetrechamento do mesmo e recursos humanos).

A Extensão de Saúde de Montalvo está a funcionar desde abril deste ano, com atendimento às segundas, quartas e sextas-feiras. Imagem: mediotejo.net

“O passo mais difícil foi dado: construção e apetrechamento do edifício. Hoje, Montalvo está dotado de um equipamento de saúde moderno, funcional e dos melhores do concelho e da região”, enalteceu o autarca constanciense, admitindo que embora “para alguns, esta obra seria desnecessária, devido à proximidade à sede do concelho”, as aldeias do concelho “precisam de ter serviços, sob pena dos responsáveis públicos estarem a contribuir para a sua desertificação e abandono”.

No seu discurso, Sérgio Oliveira recuou ainda até 2009, lembrando o ponto de partida para a atual extensão de saúde: “Não podemos passar uma borracha e apagar o passado como tudo se tivesse iniciado agora”, disse.

Já o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, expressou no momento o “inestimável contributo que [o autarca constanciense] está a dar ao Serviço Nacional de Saúde com a concretização desta obra”.

A inauguração da Extensão de Saúde de Montalvo contou ainda com a presença do presidente da ARSLVT, Luís Pisco, da diretora executiva do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, e do presidente do Conselho de Administração do CHMT, Casimiro Ramos. Imagem: mediotejo.net

“Infraestruturas novas aliadas a projetos aliciantes são, sem dúvida, a melhor combinação para termos profissionais de saúde motivados e para prestarmos melhores cuidados de saúde à população. Com este novo equipamento, estou certo de que conseguimos melhorar o acesso à prestação dos cuidados de saúde, as condições assistenciais, melhorar a qualidade aos serviços prestados, aumentar a satisfação dos utentes e dos profissionais de saúde”, acrescentou, sublinhando a concretização de “um desejo antigo dos cerca de 1000 habitantes da freguesia de Montalvo que veem assim concretizada a vontade de ter cuidados de saúde na sua área de residência, o que certamente tem um enorme impacto na sua qualidade de vida”.

AUTARCA CONSTANCIENSE E POPULARES CLAMAM POR MAIS MÉDICOS NO CONCELHO

À chegada à nova Extensão de Saúde de Montalvo, o secretário de Estado da Saúde foi recebido por populares que fizeram ouvir o seu descontentamento pela falta de médicos de família, apontado uma nova extensão de saúde mas que mantém debilidades no atendimento médico de proximidade, depois da única médica que ali presta serviço ter entrado de férias (situação que, como explicamos mais à frente nesta notícia, ficará regularizada em breve, garante ao mediotejo.net a diretora do ACES Médio Tejo).

António Lacerda Sales dialogou com os populares, sem grande sucesso, admitindo mais tarde aos jornalistas que existe ainda “um número considerável de portugueses sem médico de família”. Também o presidente do Município de Constância admitiu que o concelho passa atualmente por dificuldades na prestação dos cuidados de saúde primários, aproveitando a presença do representante do Governo para lhe transmitir: “Necessitamos de mais médicos de família para o concelho, que assegurem serviços de proximidade e o acompanhamento das populações”.

“Precisamos de soluções de fundo que ajudem a resolver este flagelo, assegurando bons serviços de saúde às populações”, disse também.

Sérgio Oliveira, presidente do Município de Constância, apresentou a preocupação com a falta de médicos de família ao secretário de Estado da Saúde. Imagem: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Assumindo que este problema é algo que o Ministério da Saúde tem procurado resolver e quer resolver, António Lacerda Sales anunciou ainda que durante o presente mês de dezembro vai abrir um novo concurso para contratação de mais médicos de família, de modo a reforçar o Serviço Nacional de Saúde. “Para isso, contamos também com o Plano de Recuperação e Resiliência, que prevê 467 milhões de euros para a reforma dos cuidados de saúde primários”, disse.

Já a diretora executiva do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo, Diana Leiria, admite, em declarações ao mediotejo.net, que Constância “não tem um problema de falta de médicos de família”, sublinhando que Montalvo tem um médico de família.

“Relativamente ao panorama vivido no ACES Médio Tejo, o concelho de Constância não é, de modo nenhum, aquele que está mais afetado pela falta de médicos de família”, afirma.

“É um concelho pequeno, com poucos utentes. Temos três médicos de medicina geral e familiar e todos eles abarcam a totalidade da população. O que acontece é que uma das médicas tem estado de baixa já há vários meses e a médica que faz consultas em Montalvo tirou uns dias de férias e por isso não está. (…) E claro que numa unidade pequena com poucos médicos, duas ausências reflete-se de uma forma muito maior”, assume ainda.

ÁUDIO | Diretora do ACES Médio Tejo faz ponto de situação sobre falta de médicos na região

Com uma falta de 18 médicos para um funcionamento equilibrado de todos os centros de saúde da região abrangida pelo ACES Médio Tejo, Diana Leiria refere ainda que a situação mais preocupante atualmente é em Ourém, à qual se junta Abrantes, com um recente conjunto de saídas, a par de outras situações, como na Sabacheira, em Tomar, por exemplo.

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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