A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade na sessão ordinária de 18 de dezembro um voto de pesar pelo falecimento de José Ramoa Ferreira, o “português de Braga” que veio para a vila de Constância na década de 70. O voto de pesar foi inicialmente apresentado pela bancada do Partido Socialista, tendo sido proposta a assinatura do texto por parte de todas as bancadas da Assembleia Municipal.
No voto de pesar, lido pelo deputado municipal Natércio Candeias (PS), é lembrado um homem “simples, de trato afável” e com uma “grande paixão pela cultura”. O falecimento de José Ramoa, a 4 de outubro de 2020, representou “uma enorme perda para a cultura, para o associativismo e para o concelho de Constância”, tendo sido, inclusive, assinado um despacho por parte do presidente da Câmara Municipal para decretar luto municipal no dia seguinte ao óbito.
Recordando o seu percurso de vida, bem como “tudo o que fez nas mais vertentes por Constância”, no voto de pesar apresentado em Assembleia Municipal é recordada a vida de José Ramoa, granjeado por Vasco de Lima Couto com a alcunha de “Zé Brasileiro”. “Nascido a 27 de outubro de 1941, em Braga, onde frequentou a escola e cresceu. Em 1961 emigrou para o Brasil, para trabalhar num bar, assumindo pouco tempo depois o cargo de Relações Públicas numa empresa, passando depois a trabalhar com antiguidades e decorações. Em 1976, dois anos após o 25 de abril, decidiu mudar de ares e adquirir o palacete na vila de Constância, propriedade até então da família do pintor José Campas”, lê-se no texto apresentado.
No documento é realçado também “o seu ativismo, seja através da Casa-Museu Vasco Lima Couto ou seja com a fundação/criação da Galeria de Constância, já extinta, ou dos espetáculos de beneficência que promoveu e, muito particularmente, nos corpos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Constância”.

Nome associado à cultura, José Ramoa Ferreira conviveu com diversas figuras da área, como Vasco de Lima Couto, Alexandre O’Neill, Rui de Brito, João Aguiar e Amália Rodrigues. Na declaração de voto é ainda recordada uma das suas últimas declarações: “Lamento que as rádios e as televisões não transmitam mais programas de poesia, teatro e outros programas sobre cultura e arte. Tenho esperança que se modifique este pensamento”.
Áudio: Deputado municipal Natércio Candeias (PS) apresenta voto de pesar pelo falecimento de José Ramoa
Relativamente ao voto de pesar, o deputado municipal Rui Ferreira (CDU) admitiu ser “mais do que justo” devido à importância que José Ramoa teve “na vida cultural do concelho e não só”. O deputado deixou ainda a questão à autarquia sobre a possibilidade de ser disponibilizado o espólio “ao serviço do concelho de forma aberta” no sentido de “servir culturalmente e em termos turísticos o próprio concelho”.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira (PS), disse que a autarquia já contactou com a família de José Ramoa e que neste momento se aguardam informações.
“Há uma questão que ultrapassa a família. Na altura o espólio do escritor Vasco de Lima Couto não foi doado diretamente ao senhor José Ramoa”, explicou o autarca.
