A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte de Manuela de Azevedo, aos 105 anos, primeira mulher jornalista em Portugal e que dedicou boa parte da sua vida à divulgação da obra camoniana, tendo sido uma das fundadoras da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância.
A declaração da bancada da CDU, lida pelo vogal Rui Ferreira, com voto de pesar e sentidas condolências, foi transformada em moção por sugestão do presidente da Assembleia Municipal, António Mendes, tendo sido aprovada por unanimidade.

Antes, o vogal Carlos Dias, do PS, leu uma declaração escrita sobre dois assuntos: a poluição no rio Tejo e um voto de pesar da sua bancada pela morte de Manuela de Azevedo, fundadora da Associação Casa Memória de Camões, e Mário Soares, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República, fundador do PS. A declaração não foi apresentada como moção para poder ser votada pelos membros da Assembleia Municipal.
Manuela de Azevedo, a primeira jornalista mulher a ter carteira profissional em Portugal e fundadora da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância, morreu este mês de fevereiro, no Hospital de S. José, em Lisboa, aos 105 anos.
Além da obra literária e jornalística, Manuela de Azevedo deixa a sua marca na Casa-Memória de Camões, em Constância, projeto que fundou e em que trabalhou durante 40 anos, sendo sócia nº1 e presidente honorária.

A centenária foi romancista, ensaísta, poeta e contista, tendo escrito também peças de teatro, uma delas censurada pelo regime de Salazar, tendo ainda enfrentado a censura num artigo que escreveu em 1935 sobre a eutanásia. O Museu Nacional da Imprensa lembrou como a jornalista conseguiu a primeira entrevista do ex-rei Humberto I de Itália, que se exilara em Lisboa, após a implantação da República. Manuela de Azevedo fez-se passar por criada para conseguir a entrevista, que foi publicada no Diário de Lisboa, em junho de 1946.

