Fotografia: Unsplash

Um voto de ‘solidariedade e pesar com o povo ucraniano e de condenação da agressão da Rússia à Ucrânia’, do Partido Socialista foi aprovado, por unanimidade, a 24 de fevereiro, pela Assembleia Municipal de Constância.

“Este voto de solidariedade é uma renovação do voto que o Partido Socialista apresentou na Assembleia Municipal do ano passado, no dia 25 de fevereiro, um dia após do início da invasão da Rússia à Ucrânia. Não sabíamos ainda o que esperava à Humanidade, tinha passado apenas um dia, mas por aquilo que já era visível decidimos apresentar um voto de solidariedade pelo povo ucraniano”, referiu a deputada do PS, Isabel Costa.

“Hoje, passado um ano do conflito, e depois de tudo o que assistimos através da televisão, dos relatos de quem lá esteve, principalmente os repórteres de guerra, que vão e vêm, e nos apresentam relatos monstruosos, e de tudo o que hoje sabemos que tem acontecido e porque não podemos normalizar a guerra, é uma situação que temos de falar nela senão passamos a normalizar”, considerou a deputada socialista acrescentando que “todos sabemos as consequências, mais diretas para o povo que está a sofrer diretamente com a guerra mas para toda a Humanidade”.

Nesse seguimento, o voto de solidariedade e pesar, apresentado pelo Partido Socialista na sessão da Assembleia Municipal de Constância, que decorreu na sexta-feira à noite, contou com os votos favoráveis das bancadas do PS e da CDU. Isabel Costa leu o documento:

“A bancada do Partido Socialista renova o voto de solidariedade com o povo ucraniano” e volta a condenar “a agressão da Rússia à Ucrânia efetuado na Assembleia Municipal de 25 de fevereiro de 2022”.

Destaca que “hoje, passado um ano do início do conflito, os eleitos do Partido Socialista apresentam também um voto de pesar por todas as vítimas desta guerra, pelos mortos, e por todos os que sofrem com as consequências da invasão russa: feridos, deslocados, refugiados, populações que viram as suas aldeias destruídas e cidades bombardeadas e pelas milhares de crianças raptadas às suas famílias”.

ÁUDIO: DEPUTADA MUNICIPAL DO PS, ISABEL COSTA
Assembleia Municipal de Constância. Créditos: mediotejo.net

Além do voto de ‘solidariedade e pesar’ do PS, na sessão foi também apresentado o voto de ‘condenação da escalada de confrontação e guerra e de exigência da paz!’ da CDU, mas que acabou rejeitado com os votos contra do PS.

No documento foi lido pela deputada municipal Júlia Amorim, a CDU começou por considerar “preocupante o agravamento da guerra na Ucrânia”.

Notou ter sido a guerra “apresentada como sendo entre a Rússia e a Ucrânia” mas para a CDU trata-se da “expressão da estratégia belicista em que o povo ucraniano é utilizado e sacrificado em função dessa mesma estratégia”.

Consideram os comunistas que “a escalada de confrontação e de guerra, o envio de armamento cada vez mais sofisticado e ofensivo, encerra sérias consequências e acrescidos perigos para os povos da Europa e do Mundo”.

Para os eleitos da CDU ”é cada vez mais evidente que são os povos que estão a pagar os custos da instigação da guerra, da deriva militarista e das sanções levadas a cabo pelos EUA, a NATO e a UE, patentes no aumento dos preços da energia, dos alimentos e de outros bens de primeira necessidade, no ataque aos direitos e às condições de vida, no agravamento da pobreza e das desigualdades, na deterioração da situação económica e social”.

Defendem ser também “cada vez mais evidente que quem ganha com a guerra e quer o seu prolongamento são as grandes empresas de armamento, da energia, da alimentação, da distribuição ou a banca, que acumulam lucros colossais”.

E defenderam ainda que “Portugal não deve contribuir para o agravamento do conflito, do militarismo, da guerra, mas para a solução pacífica dos conflitos internacionais, a dissolução dos blocos político-militares, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, como consagrado na Constituição da República Portuguesa”.

O voto da CDU propunha que a Assembleia Municipal expressasse “a sua solidariedade para com as vítimas de uma guerra que dura há nove anos, pelo incumprimento dos acordos de Minks, e que urge pôr fim” e que apelasse “a que se abram vias de negociação com os intervenientes visando alcançar uma solução política para o conflito e insta o Governo português a tomar iniciativas neste sentido”.

O voto proposto a votação pedia que a Assembleia expressasse “a sua solidariedade para com todos os povos vítimas de confrontação e guerra, seja na Ucrânia, na Palestina, no Sara Ocidental, na Síria, no Iémen com as trágicas consequências e os sérios perigos que comportam”.

ÁUDIO: DEPUTADA MUNICIPAL DA CDU, JÚLIA AMORIM

O voto da CDU apelava ainda “ao cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia, caminho para assegurar os direitos dos povos, a paz, a segurança e a cooperação e insta o Governo português a tomar iniciativas neste sentido”.

O voto acabou rejeitado pela maioria do Partido Socialista.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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