Constância. Créditos: Ricardo Escada

O PMAC é um instrumento de planeamento da adaptação e mitigação das alterações climáticas no concelho e que visa dar resposta às exigências legais da Lei de Bases do Clima, as quais estabelecem que as autarquias locais devem programar e executar políticas climáticas. No documento aprovado constam 20 propostas da ação a desenvolver no território do município de Constância.

“A Lei de Bases do Clima obriga a que os municípios tenham um Plano Municipal de Ação Climática. É um documento onde é feito um diagnóstico da situação do concelho, portanto s principais desafios. Não são muito diferentes daquilo que se vive a nível nacional; ondas de calor, fenómenos extremos, aumento de temperatura, menos precipitação. Para além deste diagnóstico é definir um conjunto de metas e de medidas que se perspetiva implementar até 2030 com vista a minimizar” os impactos resultantes das alterações climáticas, explicou o presidente de Câmara de Constância, Sérgio Oliveira (PS).

O autarca indicou que “as medidas estão dependentes das linhas de financiamento que existam para a sua execução”. Além disso, segundo o edil, trata-se de um instrumento “obrigatório” para os município, uma vez que permite candidatarem-se a fundos comunitários.

Esta ação decorre da reconhecida situação de emergência climática, que prevê a elaboração de instrumentos de planeamento para a mitigação e para a adaptação das alterações climáticas.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA DE CONSTÂNCIA, SÉRGIO OLIVEIRA

Um documento com 214 páginas, no qual constam 20 propostas da ação a desenvolver no território do município de Constância.

A deputada da CDU, Júlia Amorim, disse ser “um documento assertivo” mas entendeu que “não é um documento exequível para a nossa Câmara Municipal, quer pelo curto espaço de tempo, quer por não ter meios técnicos nem financeiros que possam desenvolver estas medidas”, disse.

Assembleia Municipal de Constância. Créditos: mediotejo.net

Das 20 medidas propostas Júlia Amorim destaca as relacionadas com “perdas de água, transportes públicos – se houver uma rede eficaz que faça com que as pessoas não utilizem as suas viaturas naturalmente que a libertação de dióxido de carbono é menor -, e práticas agrícolas sustentáveis”.

A titulo de exemplo referiu “a criação de uma bolsa de interessados em cultivar, identificação e cadastro de prédios rústicos e mistos, incluindo terrenos abandonados com potencial agrícola, promoção de um sistema sustentável e eficiente de rega, elaboração de um manual de boas práticas agrícolas”.

E deu conta das “dificuldades de implementação” esperadas como “falta de formação específica de agricultores” e “resistência à mudança”.

Mas para a bancada da CDU, consubstancia “preocupação” o facto de ser responsável pela medida o Município de Constância, apesar de serem “implicados” as juntas de freguesia, agricultores e coletividades e associações do concelho. Sendo certo que defende como agente promotor junto da população e das outras entidades a Câmara Municipal, Júlia Amorim manifestou preocupação relativamente à execução prática das medias propostas no Plano.

“Diria que é um documento bom, que vem na linha da importância de intervir e combater as alterações climáticas, mas mais uma vez são coisas que se escrevem, depois na prática, daqui a 2030 não acredito que se consiga concretizar. A Câmara Municipal não pode assumir essa responsabilidade. Faltam funcionários, para trabalhar em todas estas áreas. Parece-me difícil, nem que seja só o planeamento e depois o aspeto financeiro. Admito que para fundos comunitário seja necessário ter um Plano mas não era preciso ser tão elaborado porque não se torna exequível”, afirmou a deputada municipal da CDU.

ÁUDIO | DEPUTADA MUNICIPAL DA CDU, JÚLIA AMORIM

Em resposta, Sérgio Oliveira reconheceu tratar-se de um Plano “ambicioso” e “exigente” comprometendo-se o executivo de maioria socialista “a fazer o máximo que conseguirmos” e indicou, à bancada da CDU, ter a elaboração do Plano custado cerca de 4 mil euros.

Entre vários objetivos, pretende-se uma transição rápida e socialmente equilibrada para uma economia sustentável e uma sociedade neutra em gases de efeito de estufa; uma economia circular, melhorando a eficiência energética e dos serviços de sequestro de carbono.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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