A antiga Escola Mixta de Constância voltou a ter alunos sentados nas secretárias entre os passados dias 6 e 9 de março. Uma viagem ao passado integrada nas comemorações do centenário deste estabelecimento ensino, inaugurado a 4 de março de 1917, que fez parte da vida de gerações do concelho ao longo de quase sete décadas.
A iniciativa envolveu os alunos do Agrupamento de Escolas de Constância e o mediotejo.net acompanhou a turma de oito alunos do 3º ano do ensino básico de Montalvo que teve um dia de aulas diferente na sala criada com o material escolar e outras memórias que sobreviveram ao tempo.

Carteiras, ardósias, livros únicos, peões para o recreio, fio de prumo, unidades de medida e o antigo crucifixo, entre outros objetos, partilharam o espaço com a curiosidade dos mais novos, alimentada pelas respostas de Adulcelina Rodrigues. A docente com mais de trinta anos de carreira adaptou a aula ao momento e referiu que, no seu caso, algumas questões não eram novidade uma vez que é comum fazer referência a factos antigos.
Um dos referidos durante a aula foi a mudança nas matérias lecionadas, nomeadamente os rios e as serras que passaram a ter menor destaque. Os alunos partilharam ao mediotejo.net, durante o recreio, que as cadeiras de agora são mais confortáveis e não escondiam a ansiedade por ir escrever nos quadros de ardósia, que instantes mais tarde geravam o comentário “professora, isto faz doer os dedos”.

A Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill funciona no edifício da antiga Escola Mixta de Constância desde 1994, depois deste ter recebido provisoriamente os Paços do Concelho na década de 80. A sua responsável, Anabela Cardoso, destacou a importância desta iniciativa para que a memória coletiva perdure através do escasso espólio que conseguiram recuperar de outros estabelecimentos de ensino e barracões.
As comemorações do centenário tiveram início em 2015, cem anos depois do início da longa empreitada de dois anos que resultou na entrega da escola dirigida ao ensino para ambos os sexos entregue pela Junta da Paróquia à Câmara Municipal no ano da sua inauguração.

Esta “viagem no tempo” proporcionada aos alunos do século XXI encerra o programa e a sala de aulas irá deixar o edifício. O destino é incerto, o que para Anabela Cardoso poderia ser resolvido com a recriação deste espaço simbólico noutro local, dando como exemplo o futuro Centro Escolar de Montalvo.
