O encerramento do Ano Camões foi assinalado esta terça-feira, dia 17, na Casa-Memória de Camões (CMC) durante uma cerimónia que incluiu atuações musicais de alunos, a inauguração da Rota Camões e o anúncio do presidente da Associação Casa-Memória de Camões de que se perspetiva um apoio a curto-prazo do Ministério da Cultura ao espaço dedicado ao poeta maior da língua portuguesa.
As comemorações que assinalaram o 40º e 25º aniversários da Associação Casa-Memória de Camões e da Escola BS/S Luís de Camões, respetivamente, decorreram entre outubro de 2016 e 2017, tendo o final do Ano Camões sido assinalado com uma cerimónia que contou com a presença das entidades promotoras, a associação responsável pelo espaço dedicado a Camões, o município e o Agrupamento de Escolas de Constância.
O momento começou com os discursos dos três responsáveis, iniciados por António Matias Coelho, presidente da direção da associação, que destacou o trabalho intenso realizado ao longo dos últimos 12 meses com atividades diversificadas, entre as quais a aula aberta com Guilherme d’Oliveira Martins, a apresentação do romance histórico “Até que o Amor me Mate – As Mulheres de Camões”, da autora Maria João Lopo de Carvalho, e o sucesso da última edição das Pomonas Camonianas.

Júlia Amorim, presidente da autarquia, e Olga Antunes, diretora do agrupamento escolar, também dirigiram algumas palavras às pessoas que marcaram presença na CMC ao final da tarde e mais tarde aos jornalistas. Ambas focaram a importância de perpetuar a memória do poeta junto da população mais jovem e reforçar este traço identitário do concelho, a par do reconhecimento do “empenho” de todos os parceiros que contribuiu para que o balanço do Ano Camões fosse muito positivo.
O público juntou, sobretudo, pais dos pequenos artistas que brindaram os presentes com diversas atuações musicais. Os estudantes do 5º e 7º anos de escolaridade da Escola EB/S Luís de Camões, orientados pela docente Ana Coelho, interpretaram os temas “Minuciosa formiga”, “Camões e os rios”, “Verdes são os campos” e “Descalça vai para a fonte”.
Os últimos instantes do Ano Camões foram passados junto da parede exterior do edifício, nas Escadinhas do Tem-te Bem, com a inauguração da Rota Camões criada por Dália Lacerda-Machado. A arquiteta, associada da CMC, falou sobre o desafio que lhe foi lançado e aceitou decidida a mostrar Camões enquanto homem e sua partida para o mundo. O projeto integra, igualmente, a lona que tapa os edifícios contíguos em ruínas, propriedade da CMC, que aguardam apoios para obras de remodelação.

Após o fim oficial da iniciativa, António Matias Coelho avançou à comunicação social que o Ano Camões foi “um ano diferente dos outros, diferente para melhor” com um programa que contribuiu para um “ressurgimento, uma renovação e a perspetiva de olharmos para o futuro com pouco mais de ânimo, de otimismo”. Os apelos que o responsável da CMC tem feito desde que assumiu a direção foram reforçados ao referir que “estamos a trabalhar em muitas frentes ao mesmo tempo” com “poucos recursos”.
A “boa vontade”e a “tenacidade” indicados podem dar frutos em breves com o anúncio da assinatura de um protocolo com o Ministério da Cultura a curto-prazo, ao qual se junta a expetativa partilhada por António Matias Coelho do Jardim-Horto de Camões ter obras de reabilitação com o apoio de fundos comunitários e surja renovado em março de 2018. A remodelação do local inclui novas placas identificativas, a revitalização do Pavilhão de Macau e um edifício de receção com melhores condições.
António Matias Coelho destacou ainda que não se trata de uma questão “política, mas sim cultural”, pelo que foram endereçados convites a pessoas de diversas áreas da sociedade. Nesse seguimento, o espaço foi visitado nos últimos “seis meses” por mais de duas dezenas de “personalidades políticas (…), culturais, intelectuais” que demonstraram interesse em apoiar a causa, entre elas o representante do Ministério da Cultura que esteve em Constância no verão passado.

Segundo o historiador, atualmente existe “um compromisso verbal” do Ministério da Cultura que passará a “compromisso formal, escrito” nas próximas semanas. Um documento que, nas suas palavras, envolve o “o desenvolvimento de um plano de intervenção com vista à abertura da Casa-Memória num prazo razoável com o apoio formal do Ministério da Cultura”.
Apoio esse ligado ao espólio museológico e apoios técnico e financeiro que, António Matias Coelho diz, “não temos, nem teremos nunca numa comunidade pequena como a nossa”.
Uma vez assinado, o protocolo constituirá um verso importante da longa epopeia camoniana associada à luta da associação fundada pela jornalista Manuela de Azevedo, falecida no início deste ano, pelo reconhecimento nacional da CMC.
