“Ter 19 Municípios representados na Festa em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, a somar a associações e centros náuticos e pessoas de forma individual que se quiseram associar, é sinal de que a festa está bem viva e que a tradição se mantém e é um motivo de orgulho para o município de Constância”, afirmou o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, durante a chegada das dezenas de embarcações à margem esquerda do rio Zêzere no dia 22, feriado municipal.
Durante a manhã, um problema com a grua da unidade de engenharia militar, impediu que se descarregasse uma quantidade considerável de embarcações no cais de Tancos. Ficaram em terra os barcos maiores, sobretudo os oriundos do estuário do Tejo, o que impediu que se concretizasse aquele que seria “um dos maiores cortejos fluviais de sempre” com as cerca de meia centena de embarcações inicialmente previstas.
O autarca de Constância reconheceu que a festa ficou marcada por alguma tristeza devido à avaria da grua mas pediu a todos um sorriso na cara e agradeceu o empenho que tem tido e que teve naquela manhã a unidade de engenharia militar.
O mesmo reconhecimento e agradecimento fez António Matias Coelho, historiador e colaborador da festa, que lamentou o sucedido. Agradeceu também à EDP Produção que, através de descargas nas barragens a montante, possibilitou o caudal necessário para que as embarcações descessem o rio Zêzere ou subissem o rio Tejo.
Para António Matias Coelho, o segredo do sucesso da festa “é conseguir conciliar o respeito pela sua essência (a tradição marítima da vila nos tempos em que Constância era um dos principais portos fluviais do Tejo) com a sua capacidade de inovar”.
E como exemplos de inovação referiu-se às duas bênçãos dos barcos, uma no rio Zêzere e outra no rio Tejo, e a integração na procissão dos pares trajados transportando os andores na procissão.
António Matias Coelho evocou um grande amigo da festa desde que esta se iniciou com o novo figurino há 29 anos, Fernando Avelar, “dinâmico e carismático dirigente dos escuteiros de Alenquer” que morreu há três semanas em vésperas de fazer 58 anos. “Ele foi um dos obreiros da festa, deixou sementes que frutificaram de que é exemplo a presença aqui da numerosa delegação de escuteiros de Alenquer”, enalteceu.
Seja por devoção e fé, por convívio e reencontro entre amigos, ou por simples tradição, a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem é vivida anualmente de forma intensa por milhares de pessoas que na segunda feira de Páscoa se deslocam a Constância.
É ao som de foguetes e da Banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, de Montalvo, que os barcos são recebidos em Constância. Depois dos discursos de boas vindas, segue-se a pausa para o almoço em que muitos participantes improvisam um piquenique no areal à beira Zêzere. Outros optam pelas tasquinhas que nestes dias não têm mãos a medir.
De tarde, a igreja matriz de Constância é pequena para acolher tanta gente que quer participar na missa celebrada pelo Padre Nuno Miguel.
Depois da missa, inicia-se a procissão pelas estreitas ruas do centro histórico da vila devidamente engalanadas, onde não faltam as colchas nas janelas e varandas como manda a tradição.
A passagem da procissão é aguardada com expectativa pelos moradores e visitantes. Após o rebentar dos foguetes que assinalam o fim da missa e o início da procissão contam-se os minutos até à chegada à varanda junto ao rio. É aqui que o Padre Nuno Miguel lembra o simbolismo da festa e procede a bênção dos barcos, ritual que repete depois na margem do rio Tejo, culminando com a bênção das viaturas na Praça Alexandre Herculano.
