Sem restrições no âmbito da covid-19, a escola em Constância volta, no ano letivo de 2022/2023, praticamente à rotina que tinha antes da pandemia. Mas com menos 20 alunos em relação ao ano passado. O número de alunos inscritos diminuiu, mantendo uma tendência que se regista há vários anos nas escolas do interior do País em resultado da redução demográfica.
“Uma preocupação” para a direção do Agrupamento de Escolas de Constância, admite a diretora Olga Antunes, dando conta que no ano letivo de 2021/2022 estiveram inscritos cerca de 600 alunos e no ano letivo que agora inicia são 582 os alunos inscritos naquele agrupamento escolar público do Médio Tejo.
A responsável diz que tal cenário não se prende com “a saída de alunos do concelho, mas com a baixa natalidade, sendo que 20% dos nossos alunos vêm de fora do concelho. E não vêm mais porque, muitas vezes, são os transportes que condicionam. Não existem transportes escolares adequados”, critica.
Contudo, pela primeira vez em dois anos, os diretores escolares prepararam o início do novo ano letivo sem o vírus SARS-Cov-2 no topo das suas preocupações. Quanto à pandemia que ainda persiste, Olga Antunes espera que o novo ano letivo, que arranca sexta-feira, decorra com normalidade.
Começa “sem quaisquer restrições. Vamos manter alguns cuidados, mas não as regras apertadas dos planos de contingência, até porque somos uma escola mais pequena” ou seja, mais fácil de controlar qualquer eventual caso de infeção, diz Olga Antunes em declarações ao nosso jornal. Portanto, caíram as máscaras obrigatórias, o distanciamento físico, os horários desfasados, as turmas organizadas em “bolhas” ou os circuitos para entrar e sair da escola.
As reuniões com os encarregados de educação iniciaram na terça-feira, 13 de setembro, sendo a escola apresentada hoje aos alunos dos anos iniciais de ciclo. Os alunos do secundário farão a receção aos alunos do 5º ano. “São mentores”, explica a diretora, referindo-se a um dos projetos escolares de Constância.

Falando de projetos, o Agrupamento de Escolas integra o programa Nacional das Artes, decorrendo o Projeto Cultural Escola que Olga Antunes define como “agregador” para todos os níveis de ensino.
Outro projeto que a escola pretende continuar passa pela solidariedade e pela associação Acreditar. Recorda-se que em julho, alunos do 7º ano, através da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, da Escola Básica e Secundária Luís de Camões (sede do Agrupamento), lançaram um livro com um fim solidário, cuja receita das vendas reverte a favor da Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Olga Antunes considera que, para os alunos, “fazer um trabalho solidário é muito importante”.
“Quando pensamos no que é Educação, naquilo que são os nossos objetivos e aquilo que queremos para os nossos alunos, e efetivamente, todos dizemos que queremos que os nossos alunos cresçam como cidadãos ativos, pessoas inteiras, é disto que falamos”, disse a diretora do Agrupamento, no momento da apresentação do livro ‘Pana Paná’.
O primeiro dia de aulas terá lugar, então, na próxima sexta-feira, 16, no espaço de sala de aula, que contará com uma “apresentação alargada” na qual estarão presentes os diretores de turma e todos os professores, contando ainda com um lanche partilhado, informa a diretora.
Olga Antunes fala numa “grande mobilidade de professores”, com visita guiada ao concelho àqueles que chegam para dar aulas em Constância. Contudo, o quadro de docentes ainda não está completo.
“Faltam professores e técnicos especializados para os cursos profissionais, mas não é significativo”, considera. Quando o mediotejo.net falou com a diretora, na fase de contratação de escola, faltavam alguns técnicos especializados, designadamente um técnico de comunicação e serviço digital e um de restaurante, e quatro professores.
A diretora disse ainda ao nosso jornal que prossegue o Plano de Recuperação das Aprendizagens, criado para combater os efeitos da pandemia nas escolas, particularmente no plano de leitura e escrita sendo “grande aposta” na escola de Constância “a educação inclusiva, pensando nos alunos que sentiram a falta da escola” durante os confinamentos.
Acrescenta que o Projeto Cultural de Escola – com teatro e fotografia – em articulação com a Biblioteca Municipal também “faz um trabalho que abrange todas as disciplinas”.
Termina afirmando que o Agrupamento de Escolas de Constância realiza um “um trabalho muito próximo com a comunidade e com a autarquia”, dando conta que a escola continua, para o ano letivo que agora arranca, com o projeto das Festas do Concelho e das Pomonas Camonianas, a 10 de junho.
“Neste momento esses projetos já estão a ser planificados em conjunto com a autarquia”, avança Olga Antunes, explicando que tais projetos executados junto da comunidade “revertem em contexto de disciplina”.
