O Outono começa a marcar os nossos dias, depois dum Verão quente e seco que parecia não nos querer abandonar.
Chegam as primeiras chuvas que timidamente vão aumentando de intensidade e frequência dando novo fôlego ao regime hídrico e trazendo também alguns problemas para as bacias hidrográficas com especial destaque para as áreas afetadas pelos incêndios com fenómenos de erosão e assoreamentos que originam desequilíbrios e que podem acabar em graves cheias e inundações.
Neste contexto assumem particular relevância os ecossistemas estruturados pelas linhas de água, muitas vezes designados por ribeirinhos ou ripícolas, que são de grande fragilidade e estão sujeitos a grandes ameaças diretas e indiretas, ao ponto de serem raros, aqueles que ainda apresentam um estado de equilíbrio natural satisfatório.
Para além dos problemas que se colocam nestes sistemas decorrentes da drenagem de poluentes directos ou difusos, a particular ameaça coloca-se ao nível da destruição da vegetação que consolida as suas margens.
As galerias ribeirinhas ou ripícolas são cordões de árvores e outras plantas que têm funções importantes na protecção das margens ao prevenirem a erosão e derrocadas com consequentes assoreamentos dos leitos, e que de certa forma visam contribuir para a estabilização do fluxo dos caudais nas bacias hidrográficas.
Quando em bom estado de conservação, estas galerias funcionam como locais de abrigo e protecção para muitos seres vivos garantido as condições para a sua sobrevivência, com especial destaque para muitos animais.

A estabilização das linhas de água traduz-se também em claros benefícios económicos ao prevenir a ocorrência de cheias e outros fenómenos extremos que acarretam normalmente graves prejuízos para as comunidades envolvidas nestas calamidades. (basta recordarmos o que se passou na Madeira em 2010).
A conservação das linhas de água depende dos órgãos da administração, mas também da actuação dos proprietários confinantes numa interacção que infelizmente regista poucos ou incipientes resultados, embora o programa PRODER do Ministério da Agricultura tenha enquadrado iniciativas deste tipo no âmbito dos seus apoios.
Uma intervenção ajustada às necessidades de conservação da floresta ribeirinha e dos cursos de água exige uma sensibilização de todos os agentes envolvidos numa metodologia de proximidade a estes ecossistemas frágeis.

