Da esquerda para a direita, Luís Silva, Jorge Faria, Manuel Jorge Valamatos, Fernando Freire e Paulo Lourenço. Foto: mediotejo.net

As conclusões do Congresso, que colocou quatro municípios do Médio Tejo a refletir sobre fenómeno do Desporto, foram apresentadas no domingo, no auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes. José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal, foi um dos oradores, tendo dado conta de um aumento generalizado da atividade desportiva e dos apoios dos municípios, em linha com a média europeia, e alertado para um subfinanciamento das pequenas e médias associações desportivas por parte da administração central.

Diversificados e muito ricos foram os temas em análise nas localidades organizadoras do evento. Em Abrantes debateu-se a justiça, o Entroncamento recebeu a organização e financiamento, Torres Novas abordou a sociedade e em Vila Nova da Barquinha o destaque foi para a ética, a saúde e o bem-estar.

Para iniciar a cerimónia de encerramento, usou da palavra José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal, que alertou para a falta de financiamento das pequenas e médias associações desportivas.

“As pequenas e médias coletividades não têm acesso a esses financiamentos (…) A média que municípios portugueses destinam ao desporto está em dia com a média europeia. O que é que não está em dia com a média europeia? O financiamento da Administração Central. Essa está menos quase metade daquilo que é a média europeia”.

José Manuel Constantino
José Manuel Constantino, Presidente do Comité Olímpico de Portugal deu início à sessão de encerramento do Congresso. Foto: mediotejo.net

Apesar das dificuldades, José Manuel Constantino destacou o trabalho das autarquias na promoção de políticas locais de desenvolvimento da atividade física e desportiva.

José Constantino alertou para a falta de financiamento das associações desportivas.

Rodrigo Cavaleiro, presidente da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), foi também um dos oradores do evento, destacando o papel da APCVD na prática desportiva e no desenvolvimento das sociedades

“Muito mais do que a promoção da atividade desportiva e ainda que a atividade da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto seja de segundo plano, como deve ser, até porque o placo principal será, seguramente, para os que praticam desporto, mas ainda assim é uma atividade que acaba por estar muitíssimo ligada também ao desporto como uma atividade de promoção de valores e tão importante naquilo que é o desenvolvimento sociocultural das sociedades”, explicou.

Rodrigo Cavaleiro, Presidente da Associação para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD). Foto: mediotejo.net

 No final da sua intervenção, o presidente da APCVD apelou ainda à valorização do desporto “como um veículo importantíssimo de transmissão de valores, de aproximação dos povos e um mecanismo de colaboração e recuperação em tudo aquilo que é, no fundo, a base das sociedades democráticas e que tanto devemos preservar”.

Rodrigo Cavaleiro destacou a importância e o papel da APCVD.

 Anabela Reis, vice-presidente da Confederação do Desporto em Portugal (CDP), realçou, ao longo da sua intervenção, os resultados desportivos portugueses alcançados em 2022, que apesar de ainda não ter terminado se revelam já bastante positivos.

“Quando olhamos para os números do presente ano, 2022, reparamos algo muito curioso. Foi o ano em que tivemos os melhores resultados desportivos no país em competições internacionais. Tivemos os resultados que todos conhecemos nos Jogos Olímpicos… são mais visíveis esses resultados, mas estamos a chegar ao fim do ano (…) e achámos muito curioso: não eram essas as expectativas. Infelizmente as nossas expectativas eram que tivessem baixado os resultados desportivos, principalmente em competições internacionais, quando penalizadas durante tanto tempo”.

Anabela Reis, vice-presidente da CDP
Anabela Reis foi uma das oradoras e destacou os resultados desportivos portugueses alcançados em 2022. Foto: mediotejo.net

Também a vice-presidente da CDP destacou a ação das autarquias, bem como das federações desportivas: “A prática desportiva manteve-se, em parte, devido ao apoio das autarquias e das federações desportivas (…) que tiveram um papel muito importante no apoio, tanto quanto possível, ao movimento de forma a manter a atividade desportiva e potenciou estes resultados”.

Intervenção de Anabela Reis

José Couceiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), marcou presença no evento e vincou a necessidade de agir e sensibilizar para a cultura desportiva, trabalho que a FPF tem tentado realizar em conjunto com as autarquias.

“Neste momento estamos em ligação com todos os municípios deste país e também aqui irá iniciar-se um processo piloto, porque nós acreditamos no processo educativo (…) Nós queremos que as nossas crianças tenham a oportunidade de ter experiências com a bola, de poderem ter jogos, de poderem ter o início da sua atividade física. E, portanto (…), criámos o nosso plano estratégico. Temos uma série de programas transformadores, temos alguns de continuidade também, mais propriamente 15 de transformação e 8 de continuidade, mas um deles é especificamente para o pré-escolar e para o primeiro ciclo”.

José Couceiro, vice-presidente da FPF
José Couceiro foi um dos oradores do Congresso que reuniu dezenas de especialistas para debater o desporto. Foto: mediotejo.net

O antigo treinador de futebol acrescentou ainda que não se procuram especializações demasiado precoces, mas sim o desenvolvimento da cultura desportiva nas faixas etárias mais jovens: “Nós não queremos especializações precoces, nós não queremos que as nossas crianças comecem a entrar naquela disciplina de forma muito precoce. Nós queremos que haja esse hábito, que se crie esse hábito, que se passem esses valores, que se crie essa cultura, porque os problemas que nós temos acima são de falta de cultura desportiva, são de falta de hábitos e esse é que é o maior problema no meu entender”.

José Couceiro abordou a atuação da FPF na promoção de uma cultura desportiva.

O papel das autarquias foi também sublinhado na intervenção de Eduarda Marques, Diretora Regional do IPJD – Instituto Português do Desporto e Juventude.

“O papel fundamental que os municípios têm no desenvolvimento dos povos, dos territórios, na concretização daquilo que eu aqui represento (a juventude e o desporto), na concretização daquele que é o artigo 7º da Constituição Portuguesa da República – o direito dos jovens e que aqui já foram, também, referenciados. Recordo aqui (…) o papel que o Concelho da Europa efetivamente dá ao desporto e à importância (…) de aprendizagem de competências e de participação dos cidadãos e das pessoas jovens essencialmente como veículo de valores tão importantes – o valor da participação cidadã, da entreajuda, da justiça, do trabalho em equipa”.

Eduarda Marques
Eduarda Marques , Diretora Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude. Foto: mediotejo.net

A Diretora Regional do IPJD salientou ainda a importância do congresso, cujas conclusões “serão inspiradoras para mudanças exigentes e transformadoras que todos nós, por aqui já foi reconhecido, que necessitamos”, conclui.

Eduarda Marques realçou a atividade dos municípios no desenvolvimento dos territórios.

No final do Congresso, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, subiu ao palco, acompanhado por Luís Silva, vice-presidente da Câmara de Torres Novas, Jorge Faria, presidente da Câmara do Entroncamento, Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, e Paulo Lourenço, um dos mentores e responsáveis pelo evento.

O autarca abrantino saudou e agradeceu aos presentes e realçou a relevância desta itinerância do conhecimento e da partilha de experiências, através dos momentos de debate. “Tivemos um Congresso muito participado com intervenções de grande relevância que permitem aos atletas, coletividades, instituições, imprensa, comunidade escolar, mas também (…) à sociedade em geral procurarem novos caminhos para este desenvolvimento”, disse Manuel Jorge Valamatos no final da sessão.

Manuel Jorge Valamatos referiu a união dos quatro municípios como a chave para potenciar o desenvolvimento dos territórios.
Da esquerda para a direita, Luís Silva, Jorge Faria, Manuel Jorge Valamatos, Fernando Freire e Paulo Lourenço. Foto: mediotejo.net

De acordo com o presidente da Câmara de Abrantes, o evento permitiu colocar a região do Médio Tejo no centro do debate desportivo, através de uma organização conjunta de um acontecimento de âmbito nacional.

“Através deste Congresso extraordinário que marca o futuro do desporto, provámos que os grandes evento, aqueles que formam o pensamento do nosso país também podem ser realizados fora das grandes cidades. A região do Médio Tejo está preparada para liderar e acolher grandes temáticas sobre qualquer área, os municípios de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha provaram que a chave para potenciar o desenvolvimento do nosso território está na união, na articulação e na colaboração entre os municípios, mas também no seio das nossas comunidades”.

Manuel Jorge Valamatos

A primeira edição do Congresso do Desporto, organizado pelos Municípios de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha e um conjunto de parceiros, arrancou no sábado, 5 de novembro, em simultâneo nas quatro localidades, e reuniu até domingo cerca de quatro dezenas de especialistas e centenas de participantes.

Os trabalhos decorreram durante o fim de semana no auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes (Abrantes), Centro Cultural do Entroncamento, Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes (Torres Novas) e Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha.

O evento, que procurou proporcionar “uma geografia de trocas de saberes para valorização de competências na área desportiva”, foi certificado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), com a atribuição de créditos aos técnicos de desporto participantes.

Congresso do Desporto foi um sucesso e promete regressar em 2023. Foto: IPT/ESTA

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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