Confluência do Tejo e Zêzere mantém pressão sobre Constância apesar da estabilização. Foto: Ricardo Escada

Constância, vila situada na confluência dos rios Tejo e Zêzere, voltou a sentir durante a madrugada os efeitos do aumento dos caudais, depois de as autoridades terem sido informadas de que as barragens espanholas iriam libertar mais água, provocando uma nova subida do nível do rio em todo o Vale do Tejo.

“Ontem, ao final do dia, recebemos a informação de que as barragens espanholas iam libertar mais água e que isso ia provocar durante a madrugada uma subida das águas. Aqui em Constância sentiu-se essa subida. A água voltou a entrar na Praça Alexandre Herculano e chegou novamente ao Pelourinho”, explicou ao início da tarde ao nosso jornal o presidente da Câmara, Sérgio Oliveira.

Confluência do Tejo e Zêzere mantém pressão sobre Constância apesar da estabilização. Foto: Ricardo Escada

Às 14h00, a estação de medição dos caudais em Almourol registava 7.488 m3/s, valor abaixo do das 10h00 (7.839 m³/s), mas acima dos cerca de 7.000 m³/s verificados no sábado, resultado das descargas das barragens do Fratel, Castelo de Bode e Pracana e do contributo das ribeiras, com a Proteção Civil a apontar agora para uma tendência de estabilização ao longo do dia.

Em Constância, essa estabilização traduz-se num cenário que continua, ainda assim, a impedir o regresso à normalidade na zona histórica e ribeirinha.

“Vivemos uma situação de cheia estabilizada, mas não estão reunidas as condições para as pessoas regressarem às suas habitações, nem para alguns comerciantes reabrirem os seus negócios enquanto isto se mantiver”, afirmou o autarca.

Toda a zona ribeirinha permanece submersa, com a água a entrar pela Rua Grande e pela Rua do Tejo até à Praça Alexandre Herculano. Há ainda inundações provocadas pelas águas pluviais nas traseiras do edifício das Finanças e na rua da Igreja da Misericórdia, no centro histórico.

Confluência do Tejo e Zêzere mantém pressão sobre Constância apesar da estabilização. Foto: Telmo Francisco

“Para as próximas horas, a indicação que temos é de manutenção dos caudais, com pequenas oscilações, mas sem grande diferença face ao que temos agora. Os solos estão saturados, as barragens com níveis elevados e a previsão de mais chuva na próxima semana não nos dá garantias de que a situação não possa voltar a agravar”, alertou Sérgio Oliveira.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

O presidente da Câmara sublinhou ainda o trabalho conjunto com os bombeiros no apoio às populações retiradas das suas casas e aos comerciantes afetados, reforçando o apelo à população para que acompanhe apenas a informação proveniente de fontes oficiais.

“É muito importante que as pessoas sigam apenas a informação das autoridades oficiais — câmaras municipais, Proteção Civil, Governo, juntas de freguesia — porque há muita informação a circular nas redes sociais que pode não corresponder à realidade e causar pânico desnecessário”, concluiu.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, numa altura em que mais de uma centena de vias no distrito de Santarém continuam condicionadas ou submersas devido às cheias e à precipitação persistente.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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