Desde o passado 29 de novembro e até à próxima quarta-feira, 11 de dezembro, o mundo está expectante nos resultados da Conferência do Clima que decorre em Paris, reunindo 195 países, 147 chefes de estado e 40 000 participantes entre os quais 3 000 jornalistas.
O grande objetivo é travar o fenómeno do aquecimento global, associado às alterações climáticas, tentando evitar que até ao final do século a temperatura média do planeta não suba mais do que 2ºC relativamente ao arranque da “revolução industrial”.
Esta é a 21ª conferência das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas que resultou da Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro de 1992 (Eco92) e cujo objetivo era limitar a concentração de gases com efeito estufa (GEE) na atmosfera terrestre.
O processo de alerta para a situação das alterações climáticas remonta ao ano de 1988 quando as Nações Unidas criaram o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC),que em 1990 apresentou o primeiro relatório onde fica expressa a relação entre os gases de efeito estufa o aquecimento global e a atividade humana.
O protocolo de Quioto em 1997 impõe regras na redução de emissões aos países industrializados entrado em vigor após a sua ratificação pela Rússia em 2004 cumprindo o número de 55 países que correspondessem a 55% das emissões.
A redução até 2012 de 5,2% das emissões reportadas ao ano de 1990 definida no protocolo deixam de fora os países das economias emergentes.
Em 2009 a Conferência de Copenhaga não correspondeu às expetativas criadas sobre um acordo mundial ficando apenas por uma declaração que define a meta de limitar a 2ºC a temperatura média do planeta relativamente ao início da era industrial.
As negociações ocorridas nos anos seguintes levam à criação do Fundo Verde para apoiar os países em desenvolvimento a preparar-se para a redução de emissões e para os efeitos do aquecimento global e tentam esboçar um projeto de acordo mundial que dê continuidade ao Protocolo de Quioto a partir de 2020.
É este acordo que tem sido discutido nesta maratona negocial de Paris numa tentativa desesperada de garantirmos esperança da nossa existência no futuro neste Planeta Azul!
Na edição do Diário de Notícias do dia do arranque desta Cimeira Viriato Soromenho-Marques alertava para o seguinte: “ os políticos em Paris estão equivocados. Julgam estar a negociar uns com os outros, quando na verdade do outro lado da mesa está a natureza com as suas leis implacáveis. Ela não aceita subornos nem palmadas nas costas.”
No mesmo artigo chama a atenção para os verdadeiros destinatários desta iniciativa referindo que “ os principais interessados no sucesso da Cimeira não estão na sala. São os nossos filhos e os nossos netos. São eles que viverão num mundo em permanente alerta para catástrofes naturais, das secas e ondas de calor, às enxurradas diluvianas. São eles que farão parte das vagas de refugiados climáticos abandonando as grandes cidades costeiras. A dívida ambiental não sofrerá redução ou perdão. Será paga até ao fim por todos aqueles que ainda não nasceram”.
Em Paris depositamos a esperança de inverter este percurso catastrófico com o qual nos começamos a familiarizar em proximidade, no nosso cantinho de conforto.
Os efeitos das alterações climáticas já são uma parte do nosso quotidiano, não por sermos confrontados com esses relatos nos “media”, mas porque sofremos as suas consequências direta ou indiretamente.
Fazem parte destes cenários os tornados, as chuvas intensas e localizadas, as cheias e inundações, as ondas de calor, as secas prolongadas, os incêndios florestais de grande dimensão a descaraterização das estações do ano!
Por estas razões temos de nos sentir todos convocados nesta causa planetária alinhados naquela expressão tantas vezes repetida: “Pensar Global, Agir Local”!
