*Com Patrícia Fonseca e Paula Mourato

Na região do Médio Tejo, o pico da onda de calor que teve início a 6 de julho deverá registar-se esta quarta-feira, 13 de julho, segundo as previsões do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), atualizadas às 15h00 de 12 de julho, colocando por isso o distrito de Santarém em alerta vermelho a 13 e 14 de julho.

Anabela Freitas, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, fala de um “cocktail explosivo”, com conjugação de fatores de altas temperaturas, vento, baixa humidade e trovoadas secas. Em entrevista ao mediotejo.net, refere ainda o que a Proteção Civil está a fazer, fala das festas de aldeia, exemplos do que não se pode fazer e de precauções que se impõem, particularmente nestes dias.

ÁUDIO | Anabela Freitas, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém

“Temos duas preocupações: uma é a onda de calor. O distrito de Santarém tem um Plano Prévio de Intervenção para Ondas de Calor junto de todos os Municípios do distrito bem como das Juntas de Freguesia. Foi já distribuído o plano, relembrando que deve ser acionado” em caso de necessidade, ou seja, “quando a Direção Geral de Saúde emitir um aviso vermelho”, diz Anabela Freitas, explicando que neste momento “estamos em aviso laranja”.

O Plano Prévio de Intervenção para Ondas de Calor prevê a retirada das suas habitações de pessoas mais vulneráveis, levando-as para locais mais frescos

O Plano visa atuar junto das populações mais vulneráveis, idosos e crianças, e se necessário retirar as pessoas das suas habitações, por não reunirem condições, estando os locais “perfeitamente identificados”, garante a presidente da Proteção Civil distrital, que também preside à Câmara Municipal de Tomar e à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

A segunda preocupação prende-se com “o cocktail de elevadas temperaturas, baixo nível de humidade, o aumento da intensidade do vento e a probabilidade de trovoadas secas. Estão reunidas as condições para a formação de incêndios”.

Anabela Freitas é presidente da Câmara Municipal de Tomar, da CIM do Médio Tejo e da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém. Fotografia: mediotejo.net

Anabela Freitas apela a que durante estes dias “as pessoas não facilitem”, lembrando que até domingo estão previstas temperaturas de 46º a 47º no distrito de Santarém. 

“Não utilizem maquinaria para trabalharem na agricultura, não façam queimas nem queimadas, não façam piqueniques com uso de fogo, não andem nos espaços florestais. Se cada um fizer a sua parte, os bombeiros terão o seu trabalho facilitado”, acrescenta, admitindo estarem reunidos um conjunto de “fatores explosivos”. 

“Peço às pessoas que não facilitem. Não utilizem maquinaria para trabalhar na agricultura, não façam queimas nem queimadas, não façam piqueniques com uso de fogo, não andem nos espaços florestais. Se cada um fizer a sua parte, os bombeiros terão o seu trabalho facilitado”

Anabela Freitas

Quanto a festas e romarias, Anabela Freitas explica que no distrito o licenciamento está delegado nas Juntas de Freguesia. “O despacho conjunto que decreta a situação de contingência tem de ser cumprido. Se as festas decorrerem em espaço florestal, não podem. Se decorrerem em espaço urbano, mesmo que integrado em espaço florestal, podem ocorrer”.

No entanto, a Proteção Civil distrital “sensibilizou” as entidades organizadoras das festas e romarias para que “redobrem os cuidados a ter nas medidas de auto proteção para a festa”. 

Em Tomar, a Mata dos Sete Montes foi encerrada precisamente por se tratar de um espaço florestal “apesar de estar inserida num espaço urbano. Estavam previstas atividades para estes dias e para o fim de semana, mas tivemos de encerrar para dar cumprimento ao despacho de situação de contingência, que se mantém até às 23h59 do dia 15 de julho”.

Vale do Tejo pode bater recordes de temperatura

A nível europeu, a temperatura mais elevada alguma vez registada registou-se numa onda de calor semelhante, no ano passado, em Siracusa, na Sicília (Itália), que atingiu 48,8 graus Celsius. Não sendo impossível que se alcancem esses valores esta semana em Portugal – as previsões do IPMA colocam a zona do Vale do Tejo como a mais “infernal” nesta onda de calor – as previsões apontam para máximos entre os 46 e os 47 graus.

Em Portugal, o recorde mantém-se inalterado desde 2003, quando a estação meteorológica da Amareleja, no Alentejo, registou 47,4º graus. O segundo registo mais alto no país aconteceu em 2018, quando os termómetros oficiais marcaram 46,8ºC em Alvega, no concelho de Abrantes.

Estes valores surgem sempre associados a ondas de calor – ou seja, quando num intervalo de pelo menos seis dias consecutivos a temperatura máxima é superior em 5º C ao valor médio diário no período de referência.

Em Portugal são de má memória os anos de 2003, 2015, 2017 e 2018, devido aos incêndios que ocorreram durante ondas de calor “anormais”. Contudo, este será o nosso “novo normal”, avisam há muitos os especialistas em alterações climáticas. As ondas de calor serão cada vez mais frequentes e intensas. 

As ondas de calor são uma das consequências das alterações climáticas provocadas pelos gases com efeito de estufa, e serão cada vez mais frequentes e intensas

Além do risco aumentado de incêndios de grandes proporções, as ondas de calor têm um forte impacto na saúde, sobretudo nos mais velhos. Em 2003, classificado como o pior ano registado na Europa, morreram cerca de 70 mil pessoas em consequência do calor extremo, segundo dados oficiais da União Europeia.

Beber muita água é fundamental nestes dias de calor extremo, sobretudo no caso das crianças e dos idosos. Fotografia: Unsplash

Cuidados a ter

Ingestão de Líquidos
Mesmo sem sede, beber com regularidade água e sumos naturais, que também fazem a reposição de sais minerais; Incentivar os idosos e as crianças a beberem mais líquidos. Evitar bebidas que aumentam a desidratação, como as bebidas alcoólicas e bebidas gaseificadas, com cafeína, ricas em açúcar ou quentes.

Refeições
Fazer refeições mais ligeiras, com pouca gordura e condimentos, várias vezes ao dia.

Vestuário
Usar roupas leves de algodão e de cores claras (as cores escuras absorvem maior quantidade de calor); evitar fibras sintéticas, porque aumentam a transpiração,

Em casa
Durante o dia, abrir as janelas e manter as persianas fechadas, para haver circulação de ar; de noite, abrir as janelas para que o ar circule e a casa arrefeça; nas horas de maior calor tomar um duche, mas não com água muito fria: o ideal é com água tépida.

Na rua
Proteger a cabeça com chapéu ou lenço; evitar estar em pé durante muito tempo, especialmente em filas e ao sol; ir à praia só nas primeiras horas da manhã ou ao fim do dia, ficando à sombra, com chapéu, óculos escuros e protector solar. Evitar exercício físico e atividades laborais que exijam muito esforço.

Viagens de carro
Optar por viagens nas horas de menos calor; não fechar totalmente as janelas, a não ser que tenha o ar condicionado sempre ligado; redobrar cuidados com bebés, crianças e idosos, mantendo-os arejados e hidratados; no transporte de animais domésticos, dar-lhes água com frequência e não os deixar fechados.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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