Concelho de Alcanena celebrou 110 anos de história com olhos postos no futuro. Foto: mediotejo.net

Alcanena celebrou no dia 8 de maio o 110º aniversário da fundação do concelho. O programa comemorativo contou com uma sessão solene, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Alcanena e que contou com as intervenções do representante da Assembleia Municipal, Edgar Pereira, do presidente da Câmara Municipal, Rui Anastácio, e dos representantes dos partidos/grupos políticos com assento na Assembleia Municipal, designadamente Gabriel Feitor, pelos ‘Cidadãos por Alcanena’, Silvestre Pereira (PS) e António Durão Henriques (CDU).

Foto: CMA

Em representação da presidente da Assembleia Municipal, Edgar Pereira lembrou que a “história deste território já existia antes da fundação do concelho e, naturalmente, vai um dia continuar depois da extinção deste mesmo concelho”. Enquanto eleitos, considerou que a obrigação “é servir respeitando o passado, vivendo o presente e de olhos postos no futuro”.

Na sua intervenção, indicou que o concelho de Alcanena tem vivido, desde a sua fundação, “agarrado ou talvez prisioneiro da indústria dos curtumes e logo de seguida da dos têxteis. Hoje, paga um preço elevado por não ter conseguido olhar o futuro. Têxteis em extinção, curtumes em sucessivas crises, de empregos de baixos salários, como consequente o êxodo dos jovens mais qualificados quer para as cidades, quer para outros países”, notou.

Edgar Pereira. Foto: mediotejo.net

“Se queremos celebrar o concelho, nada melhor do que pensar em dar mais qualidade de vida a quem aqui reside ou trabalha. Paz, pão, saúde e habitação… é um slogan do 25 de abril onde, na altura, nada disso havia, a não ser para uma franja muito pequena da população. Hoje, devemos exigir tudo isso, mas com mais qualidade e acessibilidade”, considerou.

António Durão Henriques, da CDU, afirmou, por sua vez, que “sucessivas opções políticas erradas condicionam-nos à realidade atual com que estamos confrontados, assinalando os 110 anos de um concelho estagnado, empobrecido e envelhecido”.

António Durão Henriques. Foto: mediotejo.net

Nas suas palavras, Alcanena é hoje um concelho “estagnado pela débil atividade económica que sujeita o território e a qualidade de vida da população às oscilações e às crises repetidas da indústria de curtumes que tem dominado exclusivamente o nosso tecido empresarial”.

“É urgente reverter estes processos para o desenvolvimento de uma estratégia que seja capaz de garantir o desenvolvimento do concelho. No nosso entendimento, várias vertentes devem ser prioritárias. É urgente concretizar as áreas de localização industrial, é imperioso a redução eficiente dos projetos ambientais, procurando devolver a qualidade de vida à população e atrair novos habitantes. É fundamental garantir os cuidados médicos de proximidade (…), e é necessário responder ao problema da habitação no concelho, nomeadamente para os jovens”, defendeu o representante da CDU.

Silvestre Pereira. Foto: mediotejo.net

Silvestre Pereira, representado do Partido Socialista, lembrou o assinalar dos 110 anos do concelho que coincidem, este ano, com os 50 anos da Revolução dos Cravos.

“Estamos aqui hoje reunidos para um momento de homenagem e, principalmente, de reconhecimento pelo trabalho e dedicação dos munícipes que estiveram e estão envolvidos na associações de solidariedade social, desportiva, culturais, empresariais, sindicais e ambientais, nos eleitos da autarquia, pelo seu trabalho e empenho na permanente superação de constrangimentos ao desenvolvimento e para o bem estar e segurança dos seus munícipes”, declarou.

O eleito pelo PS sublinhou ainda a “solidariedade” e “colaboração” com o atual executivo pelo “trabalho desenvolvido e por conhecermos, de facto, quão difícil é gerir uma autarquia”.

Gabriel Feitor, do movimento Cidadãos por Alcanena, lembrou a história do concelho que viu a sua criação em 8 de maio de 1914, data em que o Governo da República assinou a lei n°156 que criava o concelho de Alcanena e elevava a sua sede à categoria de vila.

“Era o culminar de uma longa jornada de luta que remontava explicitamente aos finais do século XIX e era a confirmação legal da decisão do Senado que aprovou no dia 24 de março a criação do concelho. No dia seguinte, Alcanena encheu-se de festa”.

Gabriel Feitor. Foto: mediotejo.net

Gabriel Feitor felicitou ainda o atual executivo pelo trabalho desenvolvido ao longo de dois anos de mandato. “Se Alcanena tem hoje o Plano de Pormenor do Parque Empresarial do nó da A1 e A23, isso só se deve ao incansável grupo de técnicos municipais envolvidos neste processo e, sobretudo, à perseverança e dinâmica de trabalho de um político, por mais defeitos que tenha e que não concordemos com ele, ao engenheiro Rui Anastácio. (…) Em outubro de 2021 não havia nada. Facto, maio de 2024 há Plano de Pormenor e mais 20 hectares na posse do município”, realçou.

O presidente do município de Alcanena, Rui Anastácio (coligação PSD-CDS-MPT) sublinhou, na sua intervenção, que a celebração do 110º aniversário do concelho corresponde também ao assinalar do “trabalho abnegado do grupo de cidadãos que há 110 anos levou à criação do nosso concelho que estamos hoje aqui a homenagear”.

Rui Anastácio. Foto: mediotejo.net

“Quando iniciámos o nosso trabalho, há dois anos e meio, sabíamos que a nossa missão seria preparar o concelho de Alcanena para o futuro, um futuro cada vez mais competitivo e exigente. Neste contexto, o papel do presidente não é estar em todo o lado, mas sim estar onde é realmente necessária a sua presença”, sublinhou.

ÁUDIO | Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena

“Seja negociando com o ministério da Agricultura um aviso específico para financiar os nossos territórios, algo que nunca tinha acontecido, seja negociando com o presidente do Turismo de Portugal um financiamento específico para o destino Aire e Candeeiros (…), seja reunindo com os melhores especialistas de ordenamento para encontrar as melhores e mais rápidas soluções de planeamento para aquilo que gostaríamos que seja no futuro o BioParque Empresarial, seja ainda negociando, com a Universidade Nova, a abertura em Alcanena do primeiro Centro de Investigação fora de Lisboa da Unidade de Medicina Experiencial”, acrescentou Rui Anastácio.

No período da noite, Rui Veloso atuou ao ar livre, num concerto de portas abertas que antecipou o feriado municipal de Alcanena, celebrado a 9 de maio. O “pai do Rock português” e autor de “Lado Lunar”, “Anel de rubi”, “Chico Fininho”, “Porto Côvo”, “Primeiro Beijo”, “Nunca me esqueci de ti” e tantas outras músicas cujas letras são conhecidas de cor pelo público português, reuniu centenas de pessoas para um espetáculo comemorativo dos 110 anos do concelho.

No dia 9 de maio, quinta-feira de Ascensão e feriado municipal, a Câmara Municipal de Alcanena inaugurou o Espaço Cidadão e futuro Espaço Empresa, na Praça Marechal Carmona, numa cerimónia que contou com a presença da Ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes.

A iniciativa integrou o programa de comemorações do 110.º Aniversário da Fundação do Concelho de Alcanena.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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