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Estamos num ponto chave da crise pandémica que vivemos. É preciso manter as medidas restritivas de isolamento social para continuarmos a assistir aos bons resultados que evidenciamos. Não interessa fazer bandeira da forma positiva como Portugal tem sido visto internacionalmente mas também não interessa estar sempre na critica permanente. O que é preciso, enquanto país, é continuarmos a responder.

Hoje muitos – e bem – têm receio, e sentem desespero com o que estamos a viver. A saúde em primeiro lugar mas, simultaneamente, devemos fazer com que a economia não pare. O Governo tem apresentado medidas para responder a esta situação, medidas estas que certamente serão sempre vistas por alguns como insuficientes e, de facto, o serão tal o impacto na economia desta situação de saúde pública. As previsões dos economistas são sempre complexas neste quadro. A incerteza é tal que a maioria dos modelos, obviamente, apresenta intervalos muito grandes.

E a título de exemplo, o Ministro das Finanças Mário Centeno admitiu que, a nível deste trimestre, podemos estar a falar de uma redução de 20% no PIB – sendo que para inverter isto é crucial comprar produtos nacionais – e o Fundo Monetário Internacional prevê uma recessão de 8% este ano nosso país.

A nível mundial, estamos a falar do maior impacto desde a grande depressão de 1929 que antecedeu anos terríveis que levaram ao populismo e à 2ª Guerra Mundial. A Europa tem de aprender essa lição. E isso só pode ser feito com solidariedade europeia. O preço a pagar pode ser demasiado elevado. Mas nem tudo está perdido.

Do ponto de vista da economia existe algo que todos nós podemos e devemos fazer. Hoje importa, mais do que nunca, comprar o que é nosso. Deste modo, estamos a contribuir para que as nossas empresas continuem a produzir a nível industrial e que a nossa agricultura e pesca continuem a ter mercado. É alimentar quem nos alimenta.

Obviamente que devemos garantir condições justas aos produtores e que os consumidores não sejam vitimas de práticas abusivas e dominantes do mercado. E isso só pode ser conseguido com fiscalização e com uma defesa total dos consumidores, tal como disse um dia Jonh F. Kennedy. Esta preferência por produtos nacionais não implica novas barreiras alfandegárias nem restrições ao mercado livre que não fazem sentido, nomeadamente no contexto da União Europeia. É uma atitude que deve partir de todos nós e por todos ser acolhida.

As empresas de grande distribuição apresentam uma responsabilidade mas também todos nós temos essa responsabilidade sempre que preferirmos o comércio de proximidade, os mercados locais e exigirmos dos grandes distribuidores esse cuidado. Compre o que é nosso. Ajude a manter a economia e o emprego. Todos vamos ganhar com esta aposta.

É neste campo que as empresas de distribuição devem dar o exemplo. Obviamente que não sou a favor de barreiras alfandegárias. Mas faz sentido nos dias atípicos que vivemos, em alguns produtos, não apostarmos nos produtores nacionais? Alimentar quem nos alimenta é uma responsabilidade. E isso só pode ser feito com preços justos para os nossos produtores e uma aposta total no mercado nacional. É esse o caminho.

Hugo Costa

Deputado na Assembleia da República, Hugo Costa diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 38 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É Presidente da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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