Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

As Forças Armadas Portuguesas – Exército, Marinha e Força Aérea – juntaram-se em Sardoal para cumprir uma diretiva operacional através do destacamento conjunto CIMIC, ou seja, o exercício Armageddon 22, que arrancou na segunda-feira, e termina na próxima sexta-feira, dia 27 de janeiro, no sentido de “melhorar o nível de treino” e obter uma certificação no âmbito da NATO.

Entre os dias 23 e 27 de janeiro, as Forças Armadas (FFAA) planeiam, aprontam e certificam um destacamento conjunto de cooperação militar e civil. Trata-se de um destacamento constituído por 11 militares estabelecido nas instalações do Mercado Municipal de Sardoal, sendo que estes militares desempenham atividades CIMIC junto de várias entidades do concelho, no âmbito de um treino realístico que visa a formação e experiência destes militares em caso de emprego num cenário real.

Entre as tarefas desenvolvidas pelos militares no simulacro, foi estabelecido e operado o Centro CIMIC; efetuaram a análise e avaliação do ambiente civil; participaram em reuniões com as autoridades locais, organizações internacionais e organizações não governamentais e reagiram a incidentes criados para o exercício.

Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Brigadeiro-general Valente Marques. Créditos: mediotejo.net

Para tal, o Mercado Municipal de Sardoal foi transformado pelos militares num Centro CIMIC com atendimento ao público, começando pela receção, dotado de uma sala de espera, uma zona com kit de primeiros socorros, uma sala de interpretes, uma sala de reuniões e uma sala de trabalho destacamento CIMIC.

Por ocasião da visita ao Centro, o brigadeiro-general Valente Marques considerou a Companhia Geral CIMIC “cada vez mais essencial no emprego da força militar”. Acrescentou que “muitas vezes temos uma missão a cumprir, uma missão de combate, cinética ou de apoio à paz, e é importante para que a missão possa ser executada com sucesso que a população civil compreenda o que estamos a fazer, que a força compreenda quais são as idiossincrasias das entidades locais e da própria população, para evitar fazer coisas desnecessárias que possam por em causa o relacionamento entre a força e a população local”.

O brigadeiro-general Valente Marques sublinhou também a “importância da identificação dos problemas” para que “possam ser resolvidos” por parte desta Companhia, nomeadamente quando as forças portuguesas saem para o exterior do território nacional no quadro dos compromissos de Portugal com as Nações Unidas, com a NATO, com a União Europeia ou com outras condições internacionais, desenvolvidas com mandato das Nações Unidas.

Até porque a generalidade das missões militares no exterior, segundo explicou, visam contribuir para a segurança das populações e estabilização do país e para assegurar ajuda humanitária.

Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

A Companhia Geral CIMIC tem ainda, de acordo com o brigadeiro-general, “um elevado grau de prontidão. Tem de estar pronta a avançar para o teatro de operações a qualquer momento como aconteceu no Kosovo, para apoiar o tratamento dos deslocados e refugiados afegãos, numa semana o destacamento esteve pronto a destacar para cumprir uma missão no âmbito da NATO”, recordou.

Durante um briefing, o major de Artilharia André Henriques explicou que as “possibilidades” do destacamento conjunto.

“Conduzir atividades de cooperação civil militar em apoio das operações no âmbito nacional e internacional; reforçar a capacidade CIMIC de uma brigada; integrar a companhia geral CIMIC; colaborar em ações de apoio ao desenvolvimento e bem-estar da população, conforme lhe for determinado; estabelecer ligação com organizações internacional/organizações não governamentais e representantes de autoridades locais, serviços de emergência e socorro, forças de segurança, comércio, órgãos de saúde e indústrias; e ainda contribuir com informação relevante para melhorar o conhecimento situacional das operações”.

Como anteriormente referido, na missão que foi estabelecida para o exercício Armageddon, o destacamento conjunto “efetua ligação e coordenação com os atores não militares na área de operações , contribui para o entendimento da compreensão situacional do ambiente civil, em particular da situação humanitária – relacionada com o estabelecido a nível de cenário, ou seja, a proliferação de campos de deslocados que existem na área de operações e daí o principal foco ir na compreensão e no entendimento da situação humanitária – e estabelece e opera o Centro CIMIC em Sardoal”, explicou o major.

Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Da parte do anfitrião, o presidente da Câmara, Miguel Borges, disse ao nosso jornal que “a população sardoalense está recetiva e estes desafios, ou seja, a participar de uma forma bastante ativa naquilo que lhes é proposto” inclusivamente dando sugestões.

Admitiu ter havido uma “preparação” anterior, no sentido de “garantir a adesão da população num número mínimo”, afinal para além do Município, participam de forma mais direta no “cenário” deste exercício a Guarda Nacional Republicana, a Paróquia de São Tiago e São Mateus, os Bombeiros Municipais, o Agrupamento de Escolas, a Universidade Sénior do Concelho de Sardoal e a Comunicação Social regional.

No entanto, “muitas pessoas aparecem espontaneamente a tentar perceber o que se está a passar. E é importante que assim seja! Um exercício é sempre um exercício, mas um olhar de quem não é militar talvez seja importante para desmistificar algumas destas coisas”, opinou.

O Centro CIMIC está aberto à população em geral para quem quiser conhecer e saber mais sobre esta capacidade das FFAA.

Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Para Miguel Borges “tudo isto se resume na importância que uma força ao serviço da NATO tem para preparar ou para fazer uma boa articulação da ação no terreno em qualquer parte do mundo e por isso é importante perceber as questões culturais. As armas destes militares são as relações humanas e isso é muito importante quando se vai preparar cenários de intervenção seja no âmbito da paz da ONU seja no âmbito da guerra. Perceber a aceitação que se tem no terreno e a forma como podem ser aceites no próprio teatro de operações”.

As Forças Armadas Portuguesas possuem uma capacidade conjunta CIMIC denominada de Companhia Geral CIMIC que é composta por 54 elementos dos três Ramos das FFAA, depende do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas e mantém anualmente o compromisso de atribuir um Destacamento Conjunto CIMIC à NATO Response Force (Força de Reação Imediata da NATO) para ser ativado e empregue quando e onde for necessário, dependendo de decisão política.

Para a avaliação e certificação deste destacamento, a Companhia realiza anualmente um exercício, com o apoio dos Ramos das FFAA, que tem como objetivo exercitar os três pilares CIMIC (ligação civil-militar, apoio à força militar e apoio às entidades não militares).

Durante cinco dias a Companhia Geral CIMIC (de cooperação militar e civil) realiza o exercício Armageddon 22 no concelho de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Este ano cabe ao Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, apoiar a realização do exercício em cooperação com a Câmara Municipal de Sardoal, que disponibilizou uma infraestrutura para a instalação de um Centro CIMIC permitindo desta forma que a ligação à população seja possível e se faça de uma forma o mais realística possível e que o treino dos militares seja o mais eficaz possível.

Apoio aos atores não militares e ambiente civil: esta função abrange um vasto leque de atividades CIMIC e o apoio prestado pelos militares pode ser em termos de informação, pessoal, material, equipamento, instalações de comunicações, especialização especializada ou formação. A este respeito, a realização de projetos CIMIC assume uma importância relevante uma vez que estes visam restabelecer os serviços públicos, ou infraestruturas básicas ou ainda outros serviços considerados essenciais.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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