No Japão come-se Kurisumasu Keeki, na Nova Zelândia preferem Pavlova, pelas Filipinas deliciam-se com Bibingka e na Dinamarca não há mesa sem Risalamande. O Natal é assim no resto do mundo. E por terras lusas? Por cá existe o bolo que é Rei na época natalícia e o qual decidimos conhecer desde o pó da farinha até à mesa guiados por Hélio Franco, um pasteleiro profissional que adoça as Consoadas do Médio Tejo desde que se lembra.

Natal sem Bolo-Rei não é Natal, mesmo sem a fava, nem o brinde. Sim, os símbolos de sorte e azar tornaram-se ilegais conforme os conhecíamos, mas perdurou famoso bolo com frutas cristalizadas que, apesar de serem colocadas de parte por muitas pessoas, não garantem que o Bolo-Rainha ou as novas versões ganhem à tradição.

Em plena época natalícia quisemos conhecer o Rei das mesas da Consoada e fizemos-lhe uma visita desde o primeiro encontro entre os ingredientes ao encontro final entre a iguaria e os comensais. Como guia escolhemos Hélio Franco, um pasteleiro profissional e formador de Cozinha e Pastelaria no IEFP – Centro de Formação Profissional de Tomar que ganhou o gosto com o pai padeiro, Albino, e assume ter nascido “no meio da farinha”.

Aos 24, em 2002, depois da formação no CFPSA – Centro de Formação Profissional para o Sector Alimentar, na Pontinha, escolheu o local onde deu os primeiros passos pessoais para iniciar a caminhada profissional, com a abertura do primeiro negócio na Linhaceira. Adoça o concelho de Tomar e não só pois à primeira pastelaria juntam-se os espaços em Montalvo (Constância) e Madeiras (Vila Nova da Barquinha).

Foi no último que conhecemos o guia e, uma vez apresentado, peguemos na farinha, margarina, ovos, açúcar, sal, aguardente, vinho do porto, fermento e água e vamos meter as mãos na massa. Ele já fez isto milhares de vezes. Para nós e para si, provavelmente, é uma estreia.

Prepare-se para amassar, deixar a massa levedar por hora e meia, tendê-la, dar-lhe forma, esperar os 45 minutos que passa na estufa, “pintá-la”, colocar a fruta cristalizada, descansar com ela durante uns minutos e olhar ansiosamente para o forno durante cerca de meia-hora.

Quando o aroma invadir o espaço, devolve-se o bolo quente ao frio do inverno, dá-se o brilho que lhe confere realeza e depois resta deliciar-se. Ficou curioso? Então veja a reportagem mais doce que preparámos para si neste Natal e até ao Dia de Reis.

Boas Festas e… bom apetite!


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Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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