Sobre os efeitos da pandemia a nível social e económico não será preciso falar mais. É dado como adquirido o seu impacto muito negativo e, se há algo em que se tem que insistir, é sobre o que é preciso fazer, que estratégias definir, que apoios dar, como complementar as acções que são tomadas a nível nacional e local. E é bom que não deixemos estes aspectos para um dia que ainda vai chegar, pois, poderá ser tarde demais.
Tenho seguido as inúmeras notícias sobre iniciativas das autarquias de apoio aos seus/suas munícipes, de apoio ao comércio local, tentando minorar as situações, tentando atrair pessoas, inovando, buscando alternativas. Há muitíssimos e bons exemplos por este país fora, de vários partidos.
Passado o impacto inicial em que as medidas foram, e bem, sobretudo sanitárias, tomaram-se medidas naquilo que era óbvio – isenção de taxas e rendas na sua área de competência – praticamente todos os municípios o fizeram, congregando apoio unânime.
Mas, passado este período, e já passaram quase 3 meses, impõem-se outras medidas, de mitigação das situações mas também preventivas sobre os efeitos da crise a médio prazo. Nas cidades com as características das existentes no Médio Tejo, o comércio local (visto em sentido mais alargado onde se inclui também a restauração, micro-empresas e pequenas empresas de serviços, pequenas oficinas) tem um papel central – garante emprego, dá vida aos centros históricos, cria sociabilidade, segurança nas ruas e veja-se lá até contribui para o Turismo (tão falado nos tempos que correm). Este sector já estava com problemas como é sabido, mas a pandemia teve um efeito muito gravoso com o encerramento forçado.
O BE desde a primeira hora que tem apresentado propostas a nível autárquico para vencer a crise. Várias. E atreveu-se a levar uma recomendação à última Assembleia Municipal de Torres Novas sobre os apoios ao comércio local. O atrevimento foi tão grande que avançou com uma verba e até disse onde se ia buscar o dinheiro. Choveram as críticas. Para melhorar a proposta? Para sugerir outras acções? Não. Uns porque é preciso um levantamento rigoroso, como se fosse muito difícil perceber quais as consequências de ter o negócio fechado 3 meses. Outros porque também vão apresentar propostas e ainda porque as propostas são do BE e do BE não pode passar nada.
Isto aconteceu no sábado dia 20 de Junho. Na 3.ª feira, dia 23 de Junho a Câmara Municipal de Torres Novas discute e decide fazer uma isenção de taxas a um promotor de uma grande superfície – neste caso o InterMarché que se vai instalar na Várzea de Mesiões.
A isenção tem o valor de 93.863,34 (!!) (50% do total). No sábado não há disponibilidade para equacionar apoios ao pequeno comércio, na 3.ª feira não se hesita em dar esta benesse à grande distribuição. E não se diga que este promotor, que vai mudar a sua localização por sua iniciativa, não teve apoios. Para concretizar a sua obra a Câmara Municipal fez uma suspensão parcial do PDM, pois no local não eram permitidas construções. Trata-se de um apoio e significativo apoio.
Continuamos à espera das ideias e propostas do PS de Torres Novas e, por favor, não venham dizer que não há dinheiro. Assumam que uma grande superfície vale muito mais que o comércio local.
