Ao mediotejo.net Bruno Gomes manifestou a sua satisfação por ter “mais um problema de muitos anos resolvido”. “A população estava sempre a ser confrontada com o problema dos maus cheiros, resolveu-se e a comunidade tem agora mais qualidade de vida”.
Quanto aos postos de trabalho em causa, nas conversações que a Câmara teve com a administração da empresa, não foi levantado esse problema porque os poucos trabalhadores foram colocados noutras empresas do grupo.

O presidente da Câmara promete “com empenho e diálogo” continuar no mesmo caminho de melhorar a qualidade ambiental do concelho e aponta como próximo passo resolver o problema da Biocompost, unidade que se localiza em Terreirinho, União de Freguesias de Areias e Pias, e que também tem provocado problema de maus odores. “Acreditamos que, com celeridade, vamos resolver também esse problema e só ficarei satisfeito quando ficar resolvido”, concluiu.
“No seguimento das inúmeras diligências assumidas ao longo do último ano pelo Município de Ferreira do Zêzere, a empresa Comave do Zêzere – Indústria e Comércio de Aves, S.A. informou a Câmara Municipal que não retomará atividade Industrial. Esta informação já foi formalmente comunicada pela Direção Regional de Agricultura e Pescas”, explica a Câmara numa nota de imprensa.
Adianta que a empresa “manterá apenas a atividade de transfega dos subprodutos, o que não implicará os transtornos que estavam na origem das queixas dos Ferreirenses”.

Na sessão de setembro da Assembleia Municipal de Ferreira do Zêzere foi aprovada uma moção para que se mandatasse a Câmara no sentido de instruir um processo legal contra a empresa Comave, S.A., de modo a “impedir a renovação da sua licença ambiental, por não cumprimento do artigo octogésimo primeiro, no número um do Regulamento dos Serviços de Águas Residuais do Município de Ferreira do Zêzere. E bloquear o seu acesso à rede coletora de saneamento”.
Apresentada pelo PS, a moção foi aprovada com 15 votos a favor e sete contra da bancada PSD/CDS.
No texto da moção recorda-se que a empresa em causa “foi objeto de uma contraordenação grave por parte da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, por não possuir licença ambiental”, por “laborar com dois digestores na sua UTS, e não com uma, como apresentado na sua licença de exploração ambiental”.
Outro incumprimento é que “as águas residuais no coletor de drenagem da COMAVE. SÃ., apresentam valores de VLE reiterada e largamente ultrapassados. tendo em conta o limite estabelecido no referido Regulamento”.
Em abril deste ano, realizou-se uma longa sessão temática da Assembleia Municipal de Ferreira do Zêzere dedicada ao ambiente, onde, além dos autarcas da Câmara, da Assembleia e das Juntas de Freguesia, participaram especialistas na área do ambiente e responsáveis e técnicos de diferentes entidades relacionadas com o tema.
As primeiras queixas sobre maus cheiros provenientes da Comave começaram em 2012, nomeadamente através de um abaixo assinado com 200 assinaturas. A unidade encontra-se instalada numa zona que aumentou o índice de construção gerando-se uma tensão entre moradores e empresa.
Os problemas agravaram-se quando a unidade cessou o abate de aves e aumentou a incineração de subprodutos animais já não só da própria indústria, mas provenientes de empresas de fora do concelho.
A Comave – Indústria e Comércio de Aves, S.A., pertence ao grupo Lusiaves desde 2007 e dedica-se ao aprovisionamento mas já não ao tratamento de subprodutos de aves categoria 2.
