Não, não vou falar de futebol. Vou mesmo falar da importância de dar colo e atenção aos nossos bebés.

Muitas vezes ouvimos comentários de familiares e amigos sobre andarmos com os nossos filhos ao colo, que os habituamos mal, e que não vão deixar-nos fazer nada. Acreditem ou não, já ouvi da boca de uma médica pediatra, que os bebés têm de chorar, ao mesmo tempo que partilhava comigo, a sua indignação por uma mãe ter comprado um marsúpio para poder passar a ferro com o seu bebé ao colo. Há momentos na vida em que ficamos sem palavras.

Eu sou a favor do colinho a toda a hora, e sempre que o bebé e a mamã ou o papá quiserem. Há imensos benefícios e desconheço contraindicações, salvo dores nas costas (risos). No entanto, também ficamos com dores nas costas por carregarmos os sacos das compras. Se ficarmos doridos por andarmos com os nossos “mais que tudo” juntinhos a nós, é por um bom motivo.

Quando um bebé chora, aciona uma resposta fisiológica, libertando a hormona do stress, que lhe vai aumentar a frequência cardíaca, a temperatura corporal e a pressão sanguínea. Há uns tempos atrás ouvia-se muito falar numa teoria em que tínhamos de deixar as crianças chorar, até aprenderem a controlar-se. Mais recentemente os defensores dessa teoria vieram pedir desculpa pelos danos causados.

Uma criança que “deixa de chorar” é porque aprendeu a “desligar” a expressão das suas necessidades e não porque aprendeu a controlar-se. Aprende que não adianta chorar (uma das suas formas de comunicar) porque ninguém a vai atender. Experiência o medo e a ansiedade e isso vai refletir-se a médio, longo prazo no desenvolvimento do cérebro.

Os estudos referem que as crianças que veem as suas necessidades atendidas e recebem colo e mimo mais vezes, apresentam um hipocampo mais volumoso, ou seja, a estrutura do cérebro responsável pela memória e pela regulação do stresse. Isto na prática quer dizer que teremos crianças e no futuro, adultos com uma maior capacidade para se acalmarem a si próprios sempre que se sintam tristes, com raiva ou ansiosos.

Isto tudo para dizer o quê? Que devemos dar muito colo e mimo aos nossos filhos. E regras também. Mas a vinculação, a relação que estabelece com os seus filhos ao dar-lhe mimo e colo, vai ajudar ao cumprimento dessas regras e da definição de limites.

Recentemente aderi à moda do babywearing, para quem não sabe é uma forma de trazeremos os nossos filhos sempre juntinho a nós. Com uma mochila (para transportar bebés) ou um pano (entre outras opções) podemos trazê-los sempre connosco. E adoro.

Tenho pena de não o ter descoberto quando a minha filhota era mais pequenita. Agora com o meu filho mais novo, uso e abuso desta “modernice” que afinal é das formas mais primitivas das mães andarem com os filhos junto a si. Arranjem a forma que quiserem, mas não se privem do melhor desta vida pelos comentários das outras pessoas. Sejamos felizes!

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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