José Alves Jana foi um dos três fundadores do Clube de Filosofia de Abrantes. Créditos: António Manuel M. Silva

Dez anos após ter iniciado a sua atividade de debates e reflexões em torno de livros e pensadores, a 3 de setembro de 2002, os responsáveis pelo Clube de Filosofia de Abrantes anunciaram este sábado dar por findo um projeto que realizou centenas de sessões em Abrantes e em Sardoal, por considerarem que o mesmo deixara de ser produtivo.

“Faz hoje (3 de set) 10 anos que o Clube de Filosofia de Abrantes iniciou a sua atividade, que conta com um total de 245 sessões. Os responsáveis pelo Clube decidiram dar por findo o projeto, por considerarem que o mesmo deixara de ser produtivo. E agradecem a todas as pessoas e organizações que tornaram possível o trabalho ao longo da última década”, refere Alves Jana, um dos fundadores do projeto, na sua página pessoal.

Criado como grupo informal e autónomo, o Clube de Filosofia de Abrantes foi fundado por José Alves Jana, Nelson de Carvalho e Mário Pissarra, três professores de filosofia e com atividade interventiva regular na sociedade abrantina, com o objetivo de promover sessões de debate, reflexão e confrontação de ideias, tendo como ponto de partida livros e autores que davam o mote para os serões.

“Debatemos os 450 anos da edição da ‘Utopia’, de Tomás Moro, os as 95 teses de Lutero numa sessão que contou com a presença de católicos e protestantes”, destacou Alves Jana ao mediotejo.net, das centenas de sessões realizadas ao longo de uma década que, afirmou, “valeu a pena”.

“Pelas ideias que ouvi defender pela primeira vez, livros que li e que não teria lido se não fosse por estes desafios, exercícios de dizer que fomos chamados a fazer”…, disse Alves Jana, tendo lembrado o mote do Clube de Filosofia que visava o “pensar e refletir entre pessoas”.

José Alves Jana, um dos membros do Clube de Filosofia de Abrantes. Foto: ESTA

ÁUDIO | JOSÉ ALVES JANA, CLUBE FILOSOFIA DE ABRANTES:

O ciclo fecha-se, uma década depois do seu início, como referiu Jana,  por os membros fundadores considerarem que o mesmo deixara de ser produtivo, mas a sociedade é dinâmica e o mundo continua a girar, pelo que a atividade realizada pode ter deixado sementes que venham a frutificar.

“Um grupo de frequentadores das sessões do Clube pensa que a dinâmica deve continuar, pelo que estão em processo de decidir o que e como fazer. A vida continua”, concluiu.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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