Fez esta semana 5 anos que em 6 de Abril de 2011, José Sócrates anunciou o pedido de ajuda externa, o terceiro feito por governos puramente socialistas. Para variar, coube a um Governo PSD (aqui com o CDS-PP) cumprir e fechar o programa de assistência sem segundo resgate nem programa cautelar, ao contrário do anunciado por toda a esquerda.
Recordo que se cumpriu todo este percurso sem uma única ajuda ou apoio do Partido Socialista, o responsável pelo resgate. O PSD nunca contou com o apoio e ajuda daqueles que levaram o país à bancarrota, daqueles que negociaram o programa de ajustamento. Não deixa de ser irónico que o actual Primeiro-Ministro tenha o despudor de exigir o apoio do PSD às medidas que agora quer levar a cabo..
Mas voltando ao dia 6 de Abril de 2011, e em resposta a um conjunto de perguntas do “Jornal de Negócios”, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos admitiu: “Perante esta difícil situação [nos mercados financeiros], que podia ter sido evitada [com a aprovação do PEC IV], entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais”.
Segundo o Negócios, Teixeira dos Santos disse ainda que o leilão dessa manhã – em que Portugal pagou uma taxa de juro de 5,117% pela emissão de 610 milhões de euros a seis meses – “expressa bem a deterioração das condições dos mercados após a rejeição do PEC”. E garantiu que “Portugal honrará os seus compromissos financeiros tomando as iniciativas necessárias de modo a assegurar os meios indispensáveis”.
De forma inacreditável, José Sócrates continuava a dizer que estava tudo bem. Aí os juros de 6% não eram usurários, não eram agiotagem, não eram indecentes.
Nesse mesmo dia, Sócrates convoca um Conselho de Ministros extraordinário e anuncia ao país o resgate que sempre recusara. O tempo de negação, que apenas revelava teimosia e irresponsabilidade, agravou perigosamente a já complicada situação de Portugal.
No seu mandato, e com a responsabilidade de executar o programa de ajustamento económico e financeiro assinado pelo anterior governo socialista, o governo PSD/CDS-PP:
– controlou as contas públicas e reduziu drasticamente o défice orçamental (de 11,2% em 2010, o maior défice de sempre, para 3% em 2015 – sem o impacto do Banif)
– colocou a economia de novo a crescer chegando a 1,5% em 2015.
– pôs o desemprego a descer para níveis inferiores a 2011 (depois de um pico acima dos 17% em Janeiro de 2013) e o emprego a subir,
– melhorou extraordinariamente o saldo externo da economia portuguesa com o forte impulso do crescimento contínuo das exportações e a diminuição das importações
– recuperou a confiança dos investidores, com impacto na redução consistente e sustentada dos juros da dívida portuguesa (em Fevereiro deste ano, já com o governo de António Costa, os juros voltaram a atingir um máximo de 4,533%)
– implementou um conjunto abrangente de reformas estruturais, em vários sectores da economia e da sociedade portuguesa
– concluiu com sucesso o programa de ajustamento, a 30 de Junho de 2014, sem necessidade de segundo resgate ou de uma linha cautelar.
– salvou o Serviço Nacional de Saúde que estava falido e aumentou o número de consultas, cirurgias e tratamentos, com menos dinheiro e melhor gestão;
– apesar de todos os cortes na Educação, reduziu drasticamente o abandono escolar, aumento a produção científica e mais alunos acederam ao ensino superior;
Portugal chegou a Dezembro de 2015 numa situação completamente oposta da encontrada em 2011, com a economia a crescer, o desemprego a baixar, a criação de emprego de subir, as exportações cada vez mais fulgurantes, o investimento a crescer. Tudo graças à estratégia do governo, mas sobretudo graças à acção dos portugueses.
Em apenas três meses de gestão do Governo PS/BE e PCP que efeitos já se sentem? Economia estagna nos 1,5% e interrompe ritmo de crescimento iniciado há dois anos, desemprego deixa de diminuir tal como vinha a acontecer desde há dois anos, o investimento estrangeiro congela.
É este o Portugal que queremos? Regressamos ao tempo da propaganda, da irresponsabilidade e, pelos vistos, também do regresso da austeridade. Ou seja, estamos a voltar para trás, pelo mesmo caminho que nos levou à bancarrota. Em poucos meses, é obra.
