Nos últimos dias assistimos à 23º Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP23) na cidade alemã de Bona. O combate às alterações climáticas passou de uma questão lateral nas políticas públicas, para o principal desafio ao futuro e sustentabilidade dos territórios.

Portugal por questões geográficas é um dos países mais afetados por estas alterações climáticas como infelizmente este verão interminável demonstrou, mas a verdade é que assistimos em todo o mundo a verões mais quentes e a uma diversidade de fenómenos atmosféricos extremos e ao descongelamento de grandes faixas glaciares. Com exceção da situação surreal dos E.U.A. (capturados pela industria pesada e pelos combustíveis fósseis) todos os principais agentes políticos mundiais aceitam que o caminho da tragédia ambiental deve ser travado.

Durante muito tempo o lucro e o crescimento sem regras dominaram a agenda, mas a verdade é que cada vez mais encontramos necessidade de colocar os modelos de economia do ambiente, nos modelos económicos de crescimento, onde a sustentabilidade económica deve estar a par da ambiental e da social. É uma luta do ponto de vista da ciência económica que defendo, mas que não vou explanar neste artigo.

O denominado acordo de Paris aprovado em 2015 visa controlar as emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir do ano 2020. Este controlo visa assegurar que a temperatura média não suba 2º C acima das temperaturas pré-industriais, sendo que os esforços devem significar não ultrapassar a variação de 1,5º C.

Com vista a este objetivo até 2030 os países vão ter de reduzir as emissões de CO2 em 40%, mas esta meta já é considerada pequena para os desafios crescentes, sendo que por exemplo a Holanda defende metas de 55% já para 2030, e governos como o sueco já falam em emissões negativas no futuro, através de investimentos em modernas tecnologias para remover o CO2 (o exemplo de ventiladores) e a reflorestação. Este é um caminho interessante, e que é referenciado na edição de 18 de novembro da revista “The Economist”.  Pessoalmente, penso que 40% deve ser uma meta a ultrapassar.

Os desafios que nos são colocados obrigam a um combate ao carvão, ao petróleo e ao gás natural como fontes principais de energia. A estratégia tem de ser clara, mas estes combustíveis fósseis ainda representam cerca de 85% das fontes de energia a nível mundial. Um valor que deve ser considerado um absurdo, mas também não é o nuclear a resposta, como a realidade já demonstrou.

A aposta deve ser clara, nas fontes renováveis de energia (Portugal é um exemplo) e o mundo deve ter essa coragem.

O combate às alterações climáticas é o verdadeiro combate para o futuro e para o desenvolvimento. Devemos ter coragem para agir sem reservas antes que seja tarde, e aqui a Europa terá uma oportunidade de liderar o processo. Espero que estejamos todos à altura do desafio, as consequências de não estarmos são demasiado pesadas.

Hugo Costa, 42 anos. Economista, deputado e presidente da distrital de Santarém do PS.

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