O encontro no decorreu no cineteatro São João, na cidade ferroviária, no passado dia 15 de julho. Foto: mediotejo.net

Durante os trabalhos, que decorreram ao longo de todo o dia, a CIM Médio Tejo apresentou o projeto piloto que pretende implementar, no âmbito da candidatura ao PEDIME III, em matéria de orientação profissional e desenvolvimento de competências de gestão de carreira dos alunos. Neste âmbito, procura-se criar, até setembro, um grupo de trabalho constituído por psicólogos que, em modo colaborativo e cooperativo, verifiquem as melhores técnicas e o melhor plano comum para aplicar em todas as escolas do Médio Tejo.

O IV Encontro das EQM surgiu integrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação (PEDIME), tendo contado com o apoio de Teodolinda Magro, coordenadora do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, e com a partilha de experiências por parte dos municípios de Abrantes, Entroncamento e Ourém.

Em declarações ao mediotejo.net, o vice-presidente da CIM Médio Tejo, Bruno Gomes, sublinhou a importância do PEDIME, definindo-o como um instrumento que permite um trabalho “em rede” para obter resultados de sucesso na área da educação.

Bruno Gomes, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Foto: CIMT

“Todos nós, ao longo do nosso trabalho enquanto autarcas, temos percebido que há, de facto, alguma dificuldade naquilo que é a assunção da vocação dos nossos alunos. Era necessário criar um instrumento que permitisse alavancar e procurar que a nossa comunidade escolar tivesse mais facilidade em reconhecer aquilo que são os seus talentos e a sua vontade relativamente ao seu futuro profissional”, afirma.

Para o feito, acrescenta que a CIM criou, “e bem”, este instrumento, desejando que, “no imediato e no futuro próximo, tenhamos os ditos resultados e uma comunidade do Médio Tejo mais sensível à escolha daquilo que é o seu futuro enquanto pessoa e profissional, relativamente àquilo que é o seu compromisso na formação escolar e académica”.

Quanto ao resultado do dia de trabalho, Bruno Gomes mostrou-se satisfeito, sublinhando que se tratou de um momento que “correu muitíssimo bem e que vai permitir criar instrumentos e competências em equipas, para poder passar para a nossa comunidade escolar”.

Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Médio Tejo. Foto: CIMT

O IV Encontro Equipas Multidisciplinares Médio Tejo centrou-se na promoção do sucesso escolar, tendo contado com a intervenção do presidente do município do Entroncamento, Jorge Faria, na sessão de abertura, que transmitiu a mensagem que “a educação, o conhecimento, a inovação e a criatividade são os aspetos que mais diferenciam as sociedades e que melhor contribuem para a melhoria da qualidade de vida das populações”.

Mais acrescentou que “o PEDIME é um dos programas que apresenta maior sucesso nas escolas” e “no Entroncamento tem revelado grande importância”.

Ainda durante o período da manhã, e da Universidade Católica do Porto, António Batista, assegurou o debate final sobre a operacionalização das Equipas Multidisciplinares, afirmando que se deve “trabalhar para que os nossos alunos ganhem competências, se capacitem para aprender dimensões paralelas para o seu desenvolvimento e crescimento pessoal”. 

“Falta conseguir um tipo de intervenção que durante o ano letivo faça a diferença naquilo que é mensurável no sucesso escolar”, vincou o responsável, acrescentando ser necessário “que os alunos devem ter as competências que determinam o seu sucesso” e para o efeito, deverão existir “equipas com legitimidade institucional, com poder e com recursos direcionados para estas necessidades”.

Já no período da tarde, Maria do Céu Taveira, da Universidade do Minho e Sílvia Oliveira, do Município de Póvoa de Lanhoso, partilharam o trabalho desenvolvido na CIM do Ave em matéria de orientação e desenvolvimento de competências de gestão de carreira.

Sobre este tema e referindo-se ao projeto piloto que a CIM Médio Tejo pretende implementar, Hélder Marques lembrou que “se não nos preocuparmos com as necessidades pessoais, anseios e sonhos dos alunos, vamos estar a desperdiçar a maior riqueza que este país tem”.

Neste sentido, afirmou ainda ser necessário “definir objetivos realistas, específicos, ambiciosos e mensuráveis” e que é também crucial “definir o que se quer atingir nos primeiros anos”, deste trabalho das equipas dedicado à gestão de carreira dos alunos.

Em declarações ao nosso jornal, Jorge Simões, da CIM Médio Tejo, recordou que o evento já não é uma novidade, tendo chegado em 2024 à sua 4ª edição. Quanto ao papel da CIM, sublinhou o “forte investimento” alocado à existência de equipas multidisciplinares em cada um dos agrupamentos escolares, de todos os concelhos.

Foto: mediotejo.net

“O nosso plano de promoção do sucesso escolar é formado por medidas universais, mas depois tem esta parte das equipas multidisciplinares que é muito forte. São estas equipas, os terapeutas da fala, os psicólogos, os mediadores que vão em concreto aos problemas que os alunos têm no Médio Tejo e que os ajudam a superar. Por isso a importância de mantermos regularmente estes encontros de equipas multidisciplinares do Médio Tejo”, considerou.

O secretário da CIM salientou ainda que este encontro também significou o “início desta preocupação relativa à gestão de carreira e orientação profissional”.

“Tendo em conta os dados do diagnóstico atualizado do Médio Tejo, sendo esta uma questão transversal ao país, verificamos que há problemas ao nível da vocação profissional e do prosseguimento de estudos com elevados e significativos níveis de retenção quando os alunos tomam determinadas opções no 9.º ano”, afirmou.

Jorge Simões, secretário intermunicipal da CIM Médio Tejo. Foto: CIMT

Assim, tendo conta esta problemática, a CIM Médio Tejo submeteu a candidatura ao PEDIME III, que espelha uma componente focada na orientação e desenvolvimento de competências de gestão de carreira dos alunos.

A CIM Médio Tejo tem ainda intenção de criar um grupo de trabalho constituído por psicólogos que, em modo colaborativo e cooperativo, verifique as melhores técnicas e o melhor plano comum para aplicar em todas as escolas do Médio Tejo.

“Acreditamos que os psicólogos desta área vão conseguir dar ferramentas mais adequadas para minimizar os tais problemas de orientação que se têm vindo a registar”, disse, expectante, Jorge Simões, que avançou que o novo grupo começará a reunir a partir do próximo mês de setembro.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Entre na conversa

1 Comment

  1. Estamos em plena Quarta Revolução Industrial, com tanta mudança a acontecer, sabemos o queremos para o nosso futuro coletivo e quais serão as necessidades futuras? E se não sabemos o que queremos, como podemos saber orientar a escolha de um jovem estudante no 9.º ano para o seu futuro profissional daqui a 10 ou 15 anos? Daqui a 10 anos manteremos os nossos padrões de vida atuais de escola-casa-lazer-trabalho?

    E se deixássemos os alunos escolher o seu futuro profissional três anos mais tarde, por exemplo só no 12.º ano? Poderia o secundário servir para experimentar/vivenciar todo o tipo de atividades científicas, sociais e humanísticas, uma escola de empreendedorismo, além das diciplinas de base: português, matemática, inglês/francês/alemão, física/química, filosofia, história/geografia/literacia?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *