Mega operação da GNR apanha "infrator militante" em casos de poluição ambiental. Foto ilustrativa: DR

A Ribeira da Boa Água, em Torres Novas, continua a servir de esgoto a empresas sem escrúpulos. A população da Meia Via continua exposta a um cheiro insuportável, os moradores do Nicho a mesma coisa, quem se desloca ao Torreshoping é recebido com o aroma pestilento que infesta tudo. Os cheiros chegam a Torres Novas e a ribeira junta-se ao Almonda, que corre em direção aos Riachos para depois chegar ao Paul do Boquilobo.

A poluição não é uma ficção! É bem real e ninguém pode dizer que não conhece, que nunca viu a cor das águas ou sentiu o cheiro. Até quando? Porque não existe uma atuação punitiva eficiente? São as perguntas que necessitam de respostas.

A situação não é nova e tem uma história. O Rio Almonda foi e é massacrado por descargas ilegais e outras “legais” quando o saneamento básico não existe. É mais fácil e mais lucrativo despejar para uma ribeira e virar as costas ao problema. São empresas como a Fabrióleo, que viu a declaração de interesse municipal chumbada por unanimidade na Câmara e Assembleia Municipal, mas continua a laborar mesmo desrespeitando embargos, ou a Componatura situada junto à Meia Via, cujos efeitos da poluição ainda são em grande parte desconhecidos ou outras, impedidas de descarregar na ETAR pública, que descarregam os camiões no Rio pela calada da noite, as responsáveis pela situação que se vive. Toda a gente sabe, as queixas na GNR e PSP são inúmeras, a Agência Portuguesa do Ambiente tem conhecimento, o Governo tem conhecimento, a Autarquia tem conhecimento. De que é que estamos à espera?

Há cerca de um ano que os protestos assumiram mais visibilidade, com denúncias públicas através de vídeos realizados por cidadãos que se organizaram para a defender o Rio Almonda, uma concentração junto à Ribeira da Boa Água, notícias na imprensa nacional. O assunto foi várias vezes debatido na Câmara e Assembleia Municipal, com o BE a fazer aprovar um conjunto de medidas imediatas, que nunca foram concretizadas, infelizmente. A coisa “acalmou”, mas foi temporário, pois o problema de fundo não foi resolvido, encarado de frente e com a coragem necessária para dizer que as indústrias poluentes não podem continuar a laborar sacrificando os interesses comuns e os recursos naturais.

A impunidade é o alimento dos poluidores. Será agora que lhe vamos colocar um fim? Depende em grande parte de todos e de todas nós.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

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