Raúl Alarcón (W52-FC Porto) foi o grande vencedor do Grande Prémio da EN2 em 2018. Foto arquivo: mediotejo.net

Com a confirmação por parte do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) da suspensão de quatro anos aplicada ao espanhol do W52-FC Porto, Raul Alarcón, por doping, considerando que as anomalias no passaporte biológico do ciclista espanhol, vencedor da Volta a Portugal em 2017 e 2018, são coincidentes com transfusões sanguíneas, os efeitos colaterais fizeram-se sentir.

Desde logo a perda da primeira (e única) edição do Grande Prémio de Portugal – Nacional 2 que havia conquistado na estrada, comandando desde a primeira etapa, para o seu compatriota Mário González (Sporting-Tavira), segundo classificado, e que, com esta decisão, passa a vencedor da prova.

Mário Gonzalez acabou por ser o vencedor Do Grande Prémio EN2. Foto mediotejo.net

Esta prova velocipédica foi um acontecimento desportivo de dimensão internacional que percorreu aquela que é a maior estrada da Europa e a terceira maior do mundo.

Disputada no mês de julho de 2018, com início em Chaves (dia 18) e final em Faro (dia 22) percorreu o troço da EN2 em território do Médio Tejo tendo a localidade de Montargil (Ponte de Sor), já no Alto Alentejo, acolhido o final da 3ª etapa ganha ao sprint por Óscar Pelegri da Rádio Popular-Boavista.

Raúl Alarcón ,intocado na estrada, perdeu na secretaria..
Foto:mediotejo.net

O espanhol perdeu ainda o título de vencedor de duas Voltas a Portugal que havia conquistado na estrada em 2017 e 2018. Alarcón venceu a Volta a Portugal de 2017 diante de Amaro Antunes, atual bicampeão em título da prova e seu antigo companheiro na W52-FC Porto, e no ano seguinte bateu o também português Jóni Brandão, então no Sporting-Tavira.

Em 2019, o ciclista espanhol falhou a prova rainha do ciclismo nacional devido a uma queda no Grande Prémio Abimota, em junho, que o impediu de alinhar, e que foi mesmo evocada na sua defesa perante a UCI.

Alarcón é o quinto corredor a perder o triunfo na Volta a Portugal por doping, depois de Marco Chagas (1979), Joaquim Agostinho (1969 e 1973), Fernando Mendes (1978) e Nuno Ribeiro, atual diretor desportivo da W52-FC Porto, em 2009.

Raúl Alarcón no primeiro ano a correr em Portugal.
Foto: Jorge Santiago (arquivo mediotejo.net)

O espanhol, que sempre clamou a sua inocência, recorreu ao TAS, que agora ratificou a decisão do Tribunal Antidopagem da UCI, refutando, nomeadamente, a alegação de que “há vários fatores que afetam o volume do plasma e que influenciam os parâmetros hematológicos, que não estão relacionados com práticas dopantes”.

O painel do TAS refutou também outros argumentos da defesa, que insiste que o passaporte biológico do atleta não mostra “qualquer anomalia”, como “inadequação na preservação das amostras”, “falha na cadeia de custódia” das amostras ou “ausência de qualificação” dos agentes antidoping que recolheram o sangue.

Assim, o painel presidido pela francesa Carine Dupeyron rejeita o recurso do ciclista de 36 anos, confirmando a suspensão de quatro anos imposta pela União Ciclista Internacional (UCI), até 20 de outubro de 2023, e a anulação de todos os resultados desportivos do ex-corredor da W52-FC Porto entre 28 de julho de 2015, data do primeiro resultado ‘adverso’, e 21 de outubro de 2019, pelo que o espanhol ‘perde’ as duas Voltas a Portugal conquistadas.

A W52 de Adriano Quintanilha é p principal patrocinador do Futebol Clube do Porto no ciclismo. Foto mediotejo.net

Em reação à notícia sobre a ratificação pelo Tribunal Arbitral do Desporto da suspensão de quatro anos aplicada pelo Tribunal Antidopagem da UCI ao espanhol, com efeitos diretos nas classificações das voltas a Portugal de 2017 e 2018, bem como de outras competições, Adriano Quintanilha, responsável e patrocinador da equipa do ciclista, a W52-FC Porto, deu conta de que a decisão já foi contestada, tendo sido apresentado recurso num tribunal civil na Suíça.

«Por não concordarmos com a decisão do TAS, apresentámos, no dia 5 deste mês, e através de advogados espanhóis, recurso para o tribunal civil na Suíça, porque acreditamos nas palavras do corredor que afirma estar inocente. A primeira decisão que foi tomada pela UCI não nos surpreendeu, por sabermos como é que as coisas funcionam. É uma situação muito parecida com o que se passa em Portugal, onde não são divulgados os nomes dos ciclistas que se encontram suspensos preventivamente pela ADoP [Autoridade Antidopagem de Portugal]», afirmou à Comunicação Social Adriano Quintanilha.

«O caso de Raul Alarcón tem contornos muito estranhos. Só em outubro de 2019 comunicaram que apresentava valores anormais no passaporte biológico referentes a 2017 e 2018. O ciclista não correu a Volta a Portugal de 2019 devido a queda no Grande Prémio Abimota e tomou medicamentos para as dores, porque fraturou a clavícula, mas tudo foi devidamente declarado. Nesse ano recebeu o vencimento por inteiro, em 2020 foi apoiado monetariamente e já existia um acordo para renovar para 2020 e 2021», precisou o empresário do setor do vestuário.

C/LUSA

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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