Chuva mantém pressão nas barragens e nos caudais do Tejo e afluentes. Foto; JFT

“Os caudais, efetivamente, subiram ao longo do dia, registando oscilação entre os seis e os sete mil m3/s. Desde a manhã subiram mais um pouco, estiveram muito próximos e chegaram a ultrapassar, em alguns momentos, os sete mil m3/s na estação de medição em Almourol. Neste momento, baixaram e o Almourol está com seis mil m3/s”, afirmou ao nosso jornal, cerca das 20:00, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.

Às 07:00, a estação hidrométrica registava 6.100 m3/s, acima dos 4.800 m3/s medidos à mesma hora de quarta-feira. Durante a manhã, as descargas nas barragens a montante totalizavam 6.407 m3/s — 1.125 m3/s em Castelo de Bode, 496 m3/s em Pracana e 4.786 m3/s em Fratel — valores que justificaram a subida verificada ao longo da noite e registada ao final da manhã em Almourol.

Hoje, às 19:00, os dados do Sistema de Vigilância e Alerta de Recursos Hídricos (SVARH) indicavam 6.018 m3/s em Almourol. As descargas nas três barragens somavam 4.958 m3/s — 1.025 m3/s em Castelo de Bode, 178 m3/s em Pracana e 3.755 m3/s em Fratel — refletindo uma redução face ao período da manhã e parte da tarde.

Segundo David Lobato, a descida ao final da tarde resulta também da diminuição das descargas nas barragens espanholas, embora o cenário permaneça condicionado pela precipitação prevista para a noite de hoje e manhã de sexta-feira e pela evolução das descargas a montante.

“A tendência, devido às barragens espanholas também terem baixado aquilo que são os seus caudais, é baixar agora um pouco e perspetiva-se a manutenção destes caudais sem grande aumento nas próximas horas. Vamos ver o que é que vai dar à noite e ao dia de amanhã [sexta-feira] em termos de pluviosidade, podendo voltar a subir. Possivelmente teremos aqui um novo aumento, mas julgo que não vamos ter o pico que tivemos anteriormente”, referiu.

O responsável recordou que o valor máximo desta cheia foi registado em 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s no ponto de medição em Almourol, admitindo que “o pico de cheia, em princípio, poderá já ter passado”.

Ainda assim, sublinhou, “a situação está estabilizada em alta”, com “muitas zonas ribeirinhas do Médio Tejo que continuam submersas”.

Chuva mantém pressão nas barragens e nos caudais do Tejo e afluentes. Foto: João Tavares

Num retrato mais global, David Lobato afirmou que “a pressão continua muito forte com os efeitos conjugados da tempestade Kristin, da chuva e das cheias no Tejo e afluentes”, mantendo-se o registo de estradas inundadas, derrocadas e aluimentos de terras em toda a região.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, numa altura em que os solos permanecem saturados e se prevê precipitação persistente e por vezes forte durante a noite e manhã de sexta-feira.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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