“Uma proposta avulsa, isolada e mal formulada” é como o presidente da Câmara da Chamusca classifica a proposta do Bloco de Esquerda que pretendia ver incluída no Orçamento de Estado para 2020 a construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã. Questionado pelo mediotejo.net, Paulo Queimado (PS) afirma dar todo o valor à iniciativa da deputada Fabíola Cardoso e entender a intenção do BE, mas considera que “só a nova ponte, como projeto isolado, não faz sentido para a região. A ponte por si só não resolve o problema”, afirmou.
Na sua opinião “o problema tem de ser visto e analisado de forma mais integrada para a região”, porque o que é “estruturante” é a ligação IC3/A13 entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha, ligando a Lezíria do Tejo ao Médio Tejo.
“A questão não tem a ver só com a Chamusca, com Golegã ou Alpiarça, mas tem a ver com o desenvolvimento de toda uma região”, argumenta o autarca manifestando-se contra o facto de haver concelhos que andam a duas velocidades. Concretiza que “a maior parte dos concelhos da Lezíria e do Médio Tejo têm uma autoestrada a passar à porta dos concelhos e de zona industriais e depois temos Alpiarça, Chamusca, Golegã e Coruche que não têm as mesmas condições para atrair investimento. E isto quando falamos cada vez mais em coesão territorial, em igualdade de oportunidades entre concelhos”, denuncia.
Paulo Queimado aproveita para dar conta do problema do transporte de resíduos perigosos em direção ao Eco-Parque do Relvão, cujas viaturas têm de atravessar localidades e circular por estradas sem as devidas condições.
Por tudo isto o autarca afirma compreender o voto contra da bancada do PS na Assembleia da República em relação à proposta do BE.

O deputado do PS eleito por Santarém, Hugo Costa, disse esta quarta-feira ao mediotejo.net que o chumbo dos socialistas à proposta do BE para a inclusão da construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã, no Orçamento de Estado para 2020, não tinha enquadramento legal, mantendo os socialistas a defesa de uma nova travessia no Tejo no âmbito do IC3 no horizonte temporal 2021-2030.
“O PS defende a conclusão do IC3 e a mesma foi incluída no Plano Nacional de Investimentos 2021-2030 por iniciativa dos deputados do PS na legislatura passada”, começou por referir Hugo Costa, tendo feito notar que os socialistas defendem que tal seja feito “no quadro do PNI 2021-2030, sendo para isso necessário garantir o financiamento adequado à obra”, o que, alegam, não está assegurado.
“O que o BE propôs foi uma ponte que não segue os critérios orçamentais porque obras avulso já não existem desde que acabou o Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), e sem explicar onde ia buscar o dinheiro e sem o respetivo enquadramento orçamental, o que não responde aos critérios legais do Orçamento de Estado”, deu conta Hugo Costa, justificando o voto contra à proposta bloquista.
“Os deputados do PS continuam a defender o IC3 e uma nova travessia no Tejo no âmbito do horizonte temporal 2021-2030”, concluiu.
Com os votos contra do PS, Chega e Iniciativa Liberal, a abstenção do PSD e CDS e os votos a favor do Bloco, PCP e PAN, foi chumbada na Assembleia da República a proposta que o Bloco de Esquerda apresentou para que fosse incluída no Orçamento de Estado para 2020 a construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã, o que motivou fortes críticas ao PS e ao PSD por parte da deputada do BE eleita por Santarém.
Para Fabíola Cardoso, ao recusar a proposta, “PS e PSD mostram a sua falta de coragem política: votam a favor de uma recomendação, mas votam contra quando se trata de a colocar em aplicação transformando-a em Lei”.
Considerando ter-se tratado de “uma oportunidade para o distrito que foi perdida”, o BE afirma que “não abandona as populações do distrito aos joguinhos do bloco central”. Nesse sentido anuncia novas iniciativas a revelar numa conferência de imprensa marcada para sexta feira, dia 7, às 11 horas, junto à ponte da Chamusca.
Segundo os bloquistas, esta obra é considerada “estruturante para o distrito”, e lembram que “foi objeto de uma resolução aprovada por unanimidade na última legislatura”, e por isso “deve ser incluída como prioritária já para este Orçamento de Estado”.
O deputado do PSD eleito por Santarém, João Moura, também já comentou ao mediotejo.net o voto de abstenção para a inclusão da construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã, no Orçamento de Estado para 2020, tendo afirmado que estes investimentos “não podem ser vistos de forma casuística” ao mesmo tempo que criticou o “show-off político” da deputada do BE, Fabíola Cardoso.
Questionado pelo mediotejo.net sobre a abstenção a esta proposta do BE, João Moura, deputado do PSD e presidente da Federação distrital social democrata, começou por lembrar que o PSD votou contra o Orçamento de Estado, enquanto o Bloco de Esquerda optou pela abstenção. “Se há alguém que viabiliza o OE é o BE”, sublinhou, defendendo que os investimentos “não podem ser vistos de forma casuística e isolada e devem ser vistos numa lógica nacional”. Seja como for, notou, o PSD optou pela abstenção em relação à proposta do BE.
O deputado social democrata fez notar que o seu partido é a favor de uma nova ponte sobre o rio Tejo a ligar Chamusca à Golegã, tal como o próprio líder Rui Rio já o fez saber durante uma visita ao local.
Em reação ao comunicado assinado por Fabíola Cardoso, João Moura acusa a deputada bloquista de “fazer demagogia política” e que o objetivo é “fazer show-off político”.
Na nota justificativa da proposta, o BE referia que as duas faixas de rodagem da ponte, ao longo dos 756 metros da estrutura de ferro, “foram um enorme avanço em 1909, quando a ponte foi inaugurada e abandonadas as anacrónicas barcas que asseguravam a travessia do rio Tejo”.
Mas 110 anos depois, “esta ponte constitui um enorme estrangulamento que impede a fluidez do tráfego e asfixia a atividade económica da região. Tem, além disto, evidentes implicações na segurança das populações, pois já ficaram imobilizadas ambulâncias, no meio de trânsito”, argumentava o BE.
