Município da Chamusca estabelece protocolo com USF para fixar profissionais de saúde no concelho. Foto: CMC

O protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal da Chamusca (CMC) e a Unidade de Saúde Familiar (USF) da Chamusca, celebrado ao abrigo do Regulamento Municipal de Atribuição de Incentivos à Fixação de Médicos e Equipas da Unidade de Saúde Familiar do Concelho da Chamusca, estará em vigor durante os próximos 24 meses, com vista a colmatar as dificuldades na fixação de profissionais de saúde no concelho.

Ao abrigo desta medida, 10 profissionais de saúde (dois médicos, cinco enfermeiros e três assistentes técnicos), já integrados na USF da Chamusca, assinaram na sexta-feira, 27 de janeiro, o protocolo no qual se comprometem a manter o vínculo àquela USF durante os próximos 24 meses, não podendo requerer mobilidade para outras unidades ou serviços nos dois anos subsequentes.

Para beneficiar deste apoio e para que a equipa fique completa estão ainda por preencher três vagas na categoria de Médico e uma na categoria de Assistente Técnico. Os interessados deverão contactar a USF da Chamusca (249 769 170) ou a Câmara Municipal através do email gap@cm-chamusca.pt.

“O que o se pretende é que esta medida seja um incentivo à captação e fixação de novos profissionais de saúde no Concelho e uma motivação para que a equipa multiprofissional de saúde familiar consiga cumprir com os objetivos contratualizados anualmente com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria, para que possa evoluir de uma USF Modelo A para uma USF Modelo B, garantindo que os cerca de 8. 749 utentes do concelho possam ter acesso a Médico de Família e que as extensões das várias freguesias do concelho se mantenham todas em funcionamento”, esclarece o Município em comunicado.

Admitindo a “grave carência na prestação de cuidados de saúde à população do concelho”, o Município defende que se impõem “medidas estratégicas de impacto, não só de curto prazo, mas também a médio e longo prazo, que visem não apenas a sua resolução momentânea, mas que constituam um efetivo fator de motivação para a equipa multiprofissional de saúde familiar, numa clara valorização do seu papel na prestação de cuidados de saúde às famílias”, atendendo, simultaneamente, “aos pressupostos da criação das USF, no que respeita à maior proximidade aos cidadãos, ao incentivo à participação ativa dos utentes na orgânica da Unidade e a uma maior dinâmica comunitária, nomeadamente no que diz respeito à saúde preventiva, bem-estar e qualidade de vida para todos.”

A par dos incentivos vigentes, o Município da Chamusca “acredita que a construção da nova Unidade de Saúde Familiar, da responsabilidade da Administração de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, (orçada em mais de um milhão de euros), possa ser também “um fator atrativo e decisor na captação de novos profissionais de saúde, tendo em conta que esta estrutura vital e de extrema importância para toda a população vem proporcionar um espaço de qualidade superior aos seus utentes, oferecendo-lhes melhores condições de atendimento, assim como melhores condições de trabalho e de conforto aos profissionais de saúde,” não só para os que já nele trabalham, mas também para atrair e fixar novos profissionais de saúde.”

USF da Chamusca pretende evoluir para o Modelo B

A USF da Chamusca continua a ser uma USF Modelo A. Para evoluir para uma USF Modelo B terá de cumprir com todos os objetivos contratualizados anualmente com o ACES Lezíria, na qual se integra, nomeadamente, “ter uma equipa de profissionais de saúde sólida, constituída por cinco médicos, cinco enfermeiros e quatro assistentes técnicos, que garanta que os cerca de 8.749 utentes do concelho tenham acesso a Médico de Família.”

“Para além de assumirem objetivos mais desafiantes, os profissionais de saúde integrados numa USF Modelo B auferem rendimentos bastante superiores aos de uma Modelo A e é neste sentido que este apoio, agora, dado pelo Município é fulcral para atrair, captar e fixar novos profissionais de saúde e assim conseguir constituir a equipa que permita evoluir de um Modelo A para um Modelo B”, referiu o Município, lamentando a falta de resposta para as carências do concelho, na área da saúde:

“As várias e recorrentes pressões por parte da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal da Chamusca, assim como das Juntas de Freguesia junto do ACES, da ARS e do Ministério da Saúde têm sido infrutíferas, levando a crer que o Concelho da Chamusca é muitas vezes esquecido no panorama da saúde nacional. As soluções que têm vindo a ser apresentadas não resolvem as carências existentes e revelam-se apenas soluções temporárias que acabam passados poucos meses por resultar nas mesmas situações de carência, uma vez que a saída de médicos não dá imediatamente lugar à sua substituição.”

“As várias e recorrentes pressões por parte da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal da Chamusca, assim como das Juntas de Freguesia junto do ACES, da ARS e do Ministério da Saúde têm sido infrutíferas, levando a crer que o concelho da Chamusca é muitas vezes esquecido no panorama da saúde nacional.”

Município da Chamusca em comunicado

“A captação de médicos, per si, não se afigura como opção plenamente viável face ao problema, tendo em conta que os resultados de uma USF resultam de um trabalho em equipa de saúde familiar, totalmente orientado para a comunidade e para as pessoas. O novo Centro de Saúde, que deverá ficar concluído ainda este ano, trará novos desafios à equipa, que na altura da sua abertura, espera-se que esteja solidamente constituída e motivada para alavancar a qualidade na prestação de cuidados de saúde no concelho, não só na sede, como em todas as extensões de saúde”.

Utentes da Carregueira passam a ter Médico de Família assegurado pela USF da Chamusca. Foto ilustrativa. © Pedro Rocha / Global Imagens

Freguesia da Carregueira passa a integrar USF da Chamusca para garantir Médico de Família aos utentes

Nos últimos anos a USF e a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Chamusca (UCSP) tem-se debatido com grandes constrangimentos devido à carência de recursos humanos, não só de médicos, como também de enfermeiros e assistentes técnicos, “constrangimentos esses que, para além de acarretarem períodos prolongados de falhas ao nível da prestação de cuidados de saúde à população, têm contribuído para uma grande rotatividade de profissionais, o que tem prejudicado gravemente o acompanhamento do estado de saúde dos utentes, sobretudo dos mais isolados e dos mais vulneráveis, como doentes crónicos, doentes oncológicos, crianças, idosos ou grávidas, entre outros.”

Para dar resposta a esta situação, a Carregueira passa a integrar a USF da Chamusca, a fim de garantir médico de família aos mais de 1.700 utentes da freguesia.

“A USF da Chamusca e a UCSP estão integradas no ACES da Lezíria e servem a população do concelho dispersa pelas várias freguesias e localidades. Contudo, a UCSP a funcionar na extensão de saúde da freguesia da Carregueira, (única freguesia do concelho até agora fora da USF da Chamusca), apesar de prestar cuidados de saúde à população daquela localidade, não garante Médico de Família para os seus mais de 1700 utentes. De forma a colmatar esta situação e a dar uma resposta mais abrangente à população, a Carregueira passa agora a fazer parte também da USF da Chamusca, o que faz com que todas as Freguesias e Uniões de Freguesia do concelho da Chamusca passem a estar integradas na USF da Chamusca”, informou o Município.

Natural de Torres Novas, licenciada em jornalismo, apaixonada pelas palavras e pela escrita, encontrou na profissão que abraçou mais do que um ofício, uma forma de estar na vida, um estado de espírito e uma missão. Gosta de ouvir e de contar histórias e cumpre-se sempre que as linhas que escreve contribuem para dar voz a quem não a tem. Por natureza, gosta de fazer perguntas e de questionar certezas absolutas. Quanto ao projeto mais importante da sua vida, não tem dúvidas, são os dois filhos, a quem espera deixar como legado os valores da verdade, da justiça e da liberdade.

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