“Avieiros” é um espetáculo baseado no romance lírico de Alves Redol escrito em 1942 na aldeia tipicamente piscatória da Palhota, em Valada, Cartaxo, na margem direita do rio Tejo, onde as casas são construídas em palafita sobre estacas.
Nas margens do rio Tejo, nos anos 40/50 do século passado, Olinda, personagem central, é uma mulher que vai crescendo à medida que cresce a sua ânsia de se libertar da vida dura da beira-rio. A peça vai desenrolar-se à volta desta história e conta com a participação de 22 elementos em palco, entre os quais atores do Grupo de Teatro Teatresco, de Vieira de Leiria e da comunidade vieirense.
“Avieiros” retrata a comunidade de pescadores que sazonalmente deixavam a sua terra, Vieira de Leiria, para ir pescar no rio Tejo. Com o passar dos anos, alguns deles acabaram por fixar-se e criar pequenos núcleos urbanos, maioritariamente em palafita. Alguns desses núcleos ainda permanecem até aos dias de hoje, como é o caso da aldeia da Palhota, onde o escritor viveu alguns meses e que lhe serviu de fonte de inspiração para terminar de escrever o livro que dá origem a esta peça, que conta com a encenação e adaptação de texto de Pedro Wilson.

Alves Redol projeta com mestria o importante papel da mulher na comunidade Avieira. Por vezes maltratada era a mulher que assumia quase sempre o comando da família, tal como na batedeira, o barco típico dos Avieiros, onde a figura feminina assumia o comando do barco a remos enquanto o homem lançava as redes de pesca.
Foi na Ilha dos Amores, nome dado por Alves Redol, onde tradicionalmente os noivos consumavam o casamento, na noite de núpcias, com os barcos dos convidados a rodear em silêncio a aldeia à espera da prova do ato consumado, que Olinda se apaixonou pelo seu Toino da Vala. A festa do casamento começava assim que a prova do ato era mostrada.
Com entrada gratuita, “Avieiros” sobe ao palco do Cineteatro da Chamusca no sábado, 11 de fevereiro, pelas 21h00.
