Câmara da Chamusca em reunião. Foto: mediotejo.net

Após a agitação dos primeiros dias de acolhimento dos 48 refugiados na Chamusca, a situação está agora “bastante mais tranquila”, garantiu o presidente da Câmara na reunião do dia 22. Paulo Queimado frisou que a autarquia disponibilizou-se a acolher aqueles refugiados de forma temporária, o tempo suficiente para que pudessem “suprir as necessidades mais básicas e organizar a sua vida”.

No balanço efetuado perante o executivo, a vice-presidente Cláudia Moreira referiu que, do grupo de 48 refugiados acolhidos, 14 já saíram para vários destinos do país.

O grupo era constituído por agregados de várias tipologias, não só de cidadãos ucranianos, mas também de outras nacionalidades que estavam a viver na Ucrânia, nomeadamente angolanos casados com ucranianas.

ÁUDIO | CLÁUDIA MOREIRA, VIVE PRESIDENTE CM CHAMUSCA:

Os refugiados foram todos recebidos no dia 15 de março e distribuídos pelos quartos no edifício de S. Francisco, propriedade da Santa Casa da Misericórdia, que dispõe de quartos de tipologia 4, 6 e 8 camas.

Dos 14 refugiados que já saíram, segundo a vice-presidente da Câmara, uma cidadã foi colocada em família de acolhimento, um casal de idosos foi alojado em Algés através da Associação Amigos da Estrela e um agregado composto por mulheres e crianças foi alojada na zona de Sintra, um processo articulado com um familiar que já residia em Portugal há 20 anos.

Houve ainda um agregado de cinco pessoas (um adolescente e quatro mulheres, duas das quais já acima dos 70 anos e duas na casa dos 50) que foram, por meios próprios, para Albufeira no Algarve, uma vez que tinham capacidade financeira.

Para o “reboliço” dos primeiros dias contribuiu também a presença de cães e gatos das famílias que foi também necessário distribui-los. Para a autarca foi “uma tarde bastante desafiante”, mas a operação foi “concluída com sucesso” e depois “tudo ficou bastante tranquilo”.

Nos primeiros dias foi necessário fazer o levantamento da situação de cada um dos refugiados.

Conforme explicou Cláudia Moreira, em articulação com o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional e os serviços da Segurança Social foi feito o atendimento social de todos os elementos com a identificação das habilitações, experiência profissional e expectativas que têm face à integração. O objetivo deste levantamento é identificar oportunidades de trabalho e soluções de alojamento.

Também no que respeita a situação clínica de cada um, foram aplicados questionários sobre questões de saúde, nomeadamente quanto à vacinação.

Neste ponto, foram identificados três casos prioritários: uma grávida de dois, quase três meses, um bebé de dois meses e uma criança que apresenta problemas respiratórios, situações que foram reportadas ao Delegado de Saúde, do qual se aguarda indicações.

Já esta semana, autarca e duas técnicas do IEFP estiveram na unidade de acolhimento temporário onde fizeram o levantamento e as inscrições para aulas de português, havendo a previsão de começarem dentro de dias.

Do grupo de refugiados, fazem parte três crianças em idade pré-escolar, filhos de angolanos e ucranianas que estão familiarizadas com a língua portuguesa. O problema é que no centro escolar as turmas estão lotadas e decorre já a processo de pedido de abertura de uma nova turma. As crianças vão ser acolhidas para a semana que vem pelos técnicos que normalmente garantem as atividades de animação e apoio à família para depois serem integradas nesta nova turma.

Há ainda duas crianças em idade de 1º ciclo e um adolescente de 15 anos, que às terças e quintas vão receber duas horas de introdução à língua português, sendo que algumas crianças continuam a ter aulas online.

Quanto à legalização dos refugiados, a autarca garante que todos têm processo entrado no SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e metade dele já tem número de segurança social atribuído. Falta tratar da legalização das crianças, processo que só pode ser tratado presencialmente e nesta altura o SEF não tem capacidade de resposta devido às muitas solicitações.

No edifício de S. Francisco, onde funciona o centro de acolhimento, depois de, nos primeiros dias, o fornecimento de refeições ser garantido pela empresa Gertal, nesta altura é uma funcionária da autarquia que confeciona. Os refugiados têm preparado eles próprios os pequeno almoços e os lanches. O objetivo é que comecem a ajudar na confeção nas refeições de forma a tornarem-se mais autónomos, explica a Vice-Presidente da autarquia.

No final, Cláudia Moreira fez questão de agradecer aos voluntários e funcionários envolvidos nesta operação, pela “extrema dedicação, competência e sentido de solidariedade”.

A ofensiva russa causou já a fuga de mais de dez milhões de pessoas, mais de 3,5 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo a ONU, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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