Paulo Queimado, Presidente da Câmara da Chamusca, com o Secretário-Geral da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Jorge Líbano Monteiro. Foto: mediotejo.net

No Anuário Estatístico dos Municípios Portugueses de 2005, Chamusca surgia entre as 25 autarquias mais endividadas, chegando a ter uma dívida superior a 20 milhões de euros. Em 2013, quando Paulo Queimado (PS) foi eleito presidente da Câmara, a dívida a fornecedores era de 13 milhões e meio de euros e o prazo médio de pagamento era de 367 dias, ou seja, mais de um ano. Atualmente é de um dia, apenas.

Por isso, não é de admirar o orgulho que Paulo Queimado sente depois de receber o selo “Compromisso Pagamento Pontual”, que certifica a autarquia como uma entidade que paga aos seus fornecedores “a tempo e horas”.

A cerimónia de entrega do Diploma decorreu no dia 22, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho, com a presença do secretário-geral da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Jorge Líbano Monteiro, entidade que instituiu aquele selo. Para a sessão, a Câmara fez questão de convidar dezenas de fornecedores do município da Chamusca e vários empresários do concelho.

Paulo Queimado garante que a pontualidade nos pagamentos reduz os custos e dá exemplos de empresas que antigamente apresentavam orçamentos inflacionados porque tinham de contar com o atraso de longos meses no pagamento, criando-se um ciclo vicioso a que designou de “pescadinha de rabo na boca”.

Com o atual prazo médio de pagamento a um dia, as empresas já sabem com o que podem contar e desta forma apresentam orçamentos mais competitivos.

Outro facto realçado pelo autarca da Chamusca é que este é um dos concelhos do país com a mais baixa taxa de desemprego.

O secretário-geral da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Jorge Líbano Monteiro, aproveitou a oportunidade de estar em frente a cerca de duas dezenas de empresários para falar da iniciativa “Compromisso Pagamento Pontual” promovida pela ACEGE, em parceria com o IAPMEI, a CIP (Confederação Empresarial de Portugal), a Apifarma e a InformaDb.

A esta plataforma já aderiram 1154 empresas e organizações, um número ainda reduzido uma vez que, segundo aquele responsável, 86,4 por cento das empresas não cumprem os prazos de pagamento.

Revelou que, “embora a situação económica do país esteja mais tranquila, os prazos de pagamento continuam a piorar”. Aliás, segundo dados que apresentou, esses prazos eram melhores no tempo da Troika (2011-2014) do que hoje em dia, o que, na sua opinião, “não faz sentido”.

Sessão de apresentação do selo “Compromisso Pagamento Pontual”, na Chamusca. Foto: mediotejo.net

“Pagar a horas é uma questão cultural”

Apesar de tudo, disse vislumbrar-se uma tendência de melhoria. Em 2017, cerca de dois terços das empresas (67%) em Portugal pagavam com um prazo até 30 dias. Essa percentagem aumentou para 82,3 por cento em abril de 2018. São as empresas de alojamento e restauração e transportes as mais incumpridoras, segundo os dados da ACEGE.

As empresas de menor dimensão são as mais cumpridoras enquanto só 4 por cento das grandes empresas é que pagam na data acordada, ou seja, o cumprimento dos prazos de pagamento é maior quanto menor for a empresa, revelou Jorge Líbano Monteiro, apresentando estatísticas que comprovam esta conclusão.

Na sua opinião, o cumprimento dos prazos de pagamento é uma questão cultural e quando não são cumpridos revelam falta de respeito.

Outro dado interessante é que na Alemanha 66 por cento das empresas cumprem os prazos, enquanto em Portugal apenas 16,1 por cento o fazem.

Este problema “tem a ver com a competitividade da nossa economia e afeta 84 por cento das empresas”, afirmou aquele responsável.

Além de ser um problema ético para cada gestor, os atrasos provocam ineficiência da gestão, menor investimento e concorrência desleal. Não é de admirar, por isso, que estas empresas incumpridoras enfrentam mais problemas de litigância e maiores riscos de “failure”. E neste ponto, Jorge Líbano Monteiro apresentou um dado da Comissão Europeia, segundo o qual, 25 por centos das falências de empresas na Europa se devem aos atrasos dos pagamentos.

Revelou ainda a conclusão de um estudo realizado pelo economista Augusto Mateus, que liga os atrasos de pagamentos ao sofrimento social: um atraso de 12 dias provoca 14.468 desempregados.

Quanto a esta questão, o secretário-geral da ACEGE elogiou a Câmara da Chamusca e as autarquias de uma maneira geral porque têm sido exemplares no encurtamento dos prazos de pagamento. Em 2012 a média era de 119 dias, em 2014, 65 dias e em 2015, 50 dias.

“É urgente mudar o ciclo vicioso dos pagamentos em atraso e criar um ciclo virtuoso”, concluiu Jorge Líbano Monteiro.

No final foram distribuídos diplomas a todos os empresários presentes como forma de incentivo para que cumpram também eles os prazos de pagamento e adiram ao “Compromisso Pagamento Pontual”.

Os empresários presentes tiveram direito a um diploma. Foto: mediotejo.net

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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