O encenador, João Coutinho, também entra na peça. Foto: DR

No ano do centenário do nascimento de José Saramago, a Companhia de Teatro do Ribatejo leva ao cineteatro da Chamusca, dias 25 e 26 de novembro, uma adaptação do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, do escritor goleganense.

A peça de teatro sobe ao palco na sexta-feira e no sábado, às 21h30, através de 10 atores, que durante uma hora e 20 minutos vão contar a história de uma epidemia de cegueira branca, que se espalha por uma cidade e que causa um grande colapso na vida das pessoas e nas estruturas sociais.

A cegueira começa com um homem, parado no trânsito e sentado ao volante do seu carro, que fica cego inexplicavelmente. A cegueira alastra-se rapidamente como “um rastilho de pólvora” e transforma-se numa cegueira coletiva, onde apenas uma mulher, misteriosa, conseguirá manter secretamente a sua visão. Por conseguir ver é confrontada com todos os horrores causados por seres humanos que não olham a meios para atingir os fins, baseados no poder, obediência, ganância, carinho, desejo, vergonha, em indivíduos dominadores, dominados, subjugadores e subjugados.

A peça acaba quando subitamente, exatamente, pela ordem de contágio, o mundo cego dá lugar ao mundo imundo e bárbaro. No entanto, as memórias e rastos não se desvanecem.

Nas palavras de José Saramago, “este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”

Com esta peça encenada por João Coutinho, a Companhia de Teatro do Ribatejo, com o apoio do Município da Chamusca, pretende homenagear o Nobel da Literatura, que comemoraria este ano o seu centésimo aniversário.

Os bilhetes custam 5 cinco euros e podem ser adquiridos diretamente na bilheteira, nos dias dos espetáculos, ou através da reserva pelo número 910 508 005.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *