Centro de Apoio Social da Parreira. Foto: DR

“Atravessamos momentos difíceis, mas não prevemos o fecho das nossas portas e o fim do apoio tão necessário aos nossos utentes”. O anúncio foi feito pela Direção do Centro de Apoio Social da Parreira (CASP), no concelho da Chamusca, num momento crítico em termos financeiros para a IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social, criada em 25 de fevereiro de 2001.

Após uma penhora da Segurança Social por causa de dívidas a esta entidade, o Centro Social viu-se numa situação de falta de liquidez não tendo dinheiro para pagar a fornecedores nem a funcionários.

O problema foi confirmado pelo presidente da Câmara da Chamusca, na reunião de executivo do dia 18 de outubro, após ser questionado pela vereadora Gisela Matias (CDU) sobre o tema.

“Corremos o risco de se perderem 19 postos de trabalho, afetando cerca de 50 utentes entre lar, centro de dia e apoio domiciliário. Estão em causa os cuidados básicos a essas pessoas”, alertou a autarca comunista. “Não me parece que, neste momento, corramos esse risco”, garantiu Paulo Queimado.

Situação do CASP em análise na reunião da Câmara da Chamusca

O autarca fez o historial de todo o processo que levou à penhora das contas daquela IPSS e o que está a ser feito para “minimizar o impacto”.

Perante a dívida, a Segurança Social retirou das contas do CASP o montante em falta, o que deixou a instituição sem dinheiro para cumprir os seus compromissos, como seja o pagamento dos salários.

Numa reunião que se realizou entre a direção da IPSS, funcionários e técnicos da Segurança Social, foi assumido o compromisso de apresentar um plano de pagamentos e garantir o funcionamento da instituição até ao fim do mês de outubro.

O Centro de Apoio Social da Parreira dá apoio a cerca de 50 utentes. Foto: DR

Da parte da Câmara, o presidente transmitiu a sua preocupação ao diretor da Segurança Social, Renato Bento, e tentou sensibilizar o responsável para o problema, sugerindo a possibilidade de se aceder ao Fundo de Emergência.

“Estamos a acompanhar diariamente até que o problema seja resolvido, estamos a dar todo o apoio, mas não nos podemos substituir à direção”, afirmou Paulo Queimado.

O mediotejo.net tentou contactou com o presidente da Direção do CASP, mas este recusou a entrevista e remeteu-nos para o comunicado publicado na sua página no Facebook.

Câmara da Chamusca garante estar a acompanhar o problema diariamente. Foto: mediotejo.net

Nesse comunicado, a Direção assume as dificuldades financeiras com que se tem debatido ao longo dos últimos anos, situação que se agravou este ano “com a impossibilidade de liquidação das contribuições obrigatórias à Segurança Social”, culminando “com um processo de execução fiscal e penhora de contas bancárias por dívida à Segurança Social e com a impossibilidade de pagamento ​de alguns vencimentos correspondentes ao mês de Setembro 2022”.

Os valores para pagamento ​dos​​ vencimento​s​ de setembro ​ foram​ debitados das contas bancárias do CASP para amortização do total da dívida à Segurança Social.

Mas, a instituição garante que, no dia 20 de outubro, “este processo de execução fiscal já se encontra suspenso​ através da entrada em vigor de um acordo em prestações”​. ​​​

​“A Direção e a Presidência deste equipamento social, nos últimos meses sempre estabeleceram priorizar as suas obrigações financeiras com os seus recursos humanos, dos quais dependem para o seu normal funcionamento, em detrimento de outras ​responsabilidades perante ​Segurança Social​ ​e fornecedores​,​​ e ​que ​ainda assim conseguiram cumprir pontualmente mediante acordos ou boa vontade destes​ últimos”, justifica a Direção, assegurando que não se prevê o encerramento da IPSS​.

Os 19 funcionários aceitaram trabalhar até ao final deste mês de outubro, com a condição de os ordenados em atraso serem liquidados até essa data.

No mesmo comunicado, os responsáveis anunciam que estão a “formalizar candidaturas, nomeadamente ao Fundo de Socorro Social de forma a conseguir fazer face a todas as atuais despesas e a cumprir o pagamento de todas as dívidas”.

Ao mesmo tempo, foi lançado um apelo à comunidade local no sentido de “apoiar esta causa para dar continuidade a este trabalho de zelo pelo bem-estar e segurança dos nossos utentes e recursos humanos, sempre com transparência e abertura à negociação”.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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