CGD de Sardoal reduz horário de atendimento ao público. Foto ilustrativa: DR

A única agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Sardoal, vai passar a funcionar das 8h30 às 12h30, reduzindo o horário de atendimento ao público e, logo, os serviços, medida que já mereceu críticas do presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges. O autarca diz que já comunicou a decisão da entidade bancária à Associação Nacional de Municípios bem como à ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, tendo feito notar uma “constante e continuada perda de serviços de proximidade”.

Recorda-se que há pouco mais de um ano houve alteração na tipologia da agência de Sardoal – designadamente o limite de depósito e levantamento ao balcão de 700 euros, o período da tarde apenas para tratamento de outras tarefas, atendimento geral, créditos, cartões, com vista ao aumento de negócio e satisfação dos clientes ou seja sem movimentos de tesouraria no período da tarde (depósitos/levantamentos) – e que, “passado pouco tempo, volta a haver alterações, em nada condizentes com o que procuramos para o nosso concelho e para a valorização do interior”, salienta o presidente da Câmara Municipal de Sardoal falando em “sensação de perda”.

Ou seja, para Miguel Borges existe uma “continuidade de redução do serviço que se presta” recusando uma hipotética intenção de “acabar aos poucos” com os serviços que reduzidos ainda permanecem. “Não quero que aconteça!”, afirmou, sublinhando que “não basta falar na valorização do interior para depois se adotar medidas destas” havendo “responsabilidade” do governo e das instituições.

O autarca considera que “quando o banco público dá este exemplo” pode “abrir um precedente para os privados. É lamentável! É castrar o interior”, afirmou, dando conta de “uma perda de qualidade de resposta da CGD no território”.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da CGD disse que a agência do Sardoal “está adaptada às necessidades dos seus clientes”, tendo feito notar que “a tesouraria está disponível quatro horas por dia”, horário que afirmou ser “suficiente para a prestação de um serviço de qualidade às famílias e empresas desta região”.

A decisão surge depois da CGD ter solicitado uma reunião com o executivo municipal, tendo esta decorrido esta segunda-feira, dia 4 de julho, na qual o presidente da Câmara foi informado da alteração de horário, em todos os dias úteis, daquele balcão, tendo sido explicado que as razões da redução do horário de atendimento estão ligadas “aos sistemas modernos, ao online… mas temos uma população envelhecida que não acompanha essas inovações”, disse Miguel Borges ao mediotejo.net.

“Vamos nos adaptando… mas não chega! As instituições também têm de se adaptar. A CGD tem responsabilidades sociais. Não basta olhar para a folha de cálculo, até porque os resultados são bastante positivos”, observa.

Miguel Borges garante que o processo de reestruturação em curso não acontece apenas na agência de Sardoal mas “em várias por todo o País”, disse. Por isso, já contactou a Associação Nacional de Municípios, instituição que, segundo, o presidente, desconhecia a situação e vai agora tentar perceber a dimensão da decisão da CGD, e contactou igualmente a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

A par de Sardoal, outros balcões no Médio Tejo poderão ser alvo de medidas idênticas, designadamente a agência que se situa no centro histórico da cidade de Abrantes.

c/LUSA

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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2 Comentários

  1. Ao contrário do que é propagandeado pelo atual governo a valorização do interior continua a ser uma miragem. Esta é também uma forma do interior financiar os grandes meios urbanos localizados no lito0ral do país.

  2. É interessante este reduzir o horário de prestações de serviço por parte de humanos.
    Mas acho que a CGD pode realmente seguir o exemplo da CP, sempre que certa área não interessar diz que existem alternativas (quer seja verdade ou não), e pode sempre mandar as pessoas para o online… mesmo que não exista cobertura de Internet onde a pessoa vive.
    No MilleniumBCP (em um outro concelho) uma funcionária já me disse que o serviço de depósitos ao balcão está com os dias contados e que mais dia menos dia só será possível fazer na máquina automática, que por sinal costuma estar imensas vezes indisponível.

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