Exercício da Proteção Civil junta 700 operacionais de cinco países em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Os agentes tiveram a primeira realidade do exercício hoje, no Comando Sub-Regional do Médio Tejo, na Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha, onde foi explicada a ocorrência que iria ser simulada, esclarecidas todas as dúvidas e feito o levantamento de meios e necessidades que cada país tinha. Nenhum dos operacionais que está a participar tinha qualquer informação sobre a simulação, apenas sabiam o ponto de entrada, que seria Portugal, porque vieram por estrada. O objetivo é que o exercício seja o real possível.

Estes tipos de exercício são chamados de MODEX, no âmbito do plano de treino e aprontamento e formação do mecanismo europeu de proteção civil, e vai permitir que Portugal planeie e treine uma situação de pedido de ajuda internacional, nomeadamente numa operação de incêndio florestal, situação que já aconteceu na anteriormente no país.

O exercício, financiado pela União Europeia, vai “permitir testar simular um pedido de assistência internacional, neste caso Portugal, que foi quem fez este pedido de assistência, e vamos simular que essa ajuda chegou a Portugal com três módulos espanhóis, um módulo italiano, um módulo francês e um módulo alemão”, que vai juntar aos 400 operacionais nacionais cerca de 300 operacionais estrangeiros.

A força internacional de apoio é ainda composta por cerca de 60 veículos e um avião anfíbio de combate a incêndios florestais, nomeadamente um Canadair  CL415, proveniente de de Espanha, explicou ao mediotejo.net André Fernandes, Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil.

“Esta simulação vai permitir que eles partilhem experiências e acima de tudo ganhem mais interoperabilidade, quer seja com os equipamentos que têm, quer seja com procedimentos, quer seja com alguma barreira linguística que possa existir, para as pessoas irem treinando e habituarem-se a este ambiente internacional de resposta a uma catástrofe”, destacou André Fernandes.

Os agentes da Proteção Civil conheceram hoje, no Comando sub-regional do Médio Tejo, o plano do exercício internacional. Foto: mediotejo.net
ÁUDIO | André Fernandes, Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil

Foi a Proteção Civil Portuguesa que pensou nos cenários e desenhou grande parte operacional da ocorrência do incêndio de grandes dimensões que vai “deflagrar na margem esquerda da Barragem do Castelo Bode”, mas que vai percorrer uma boa parte do Município de Abrantes, e em que algumas zonas poderão interagir mesmo com fogo real controlado, dependendo das condições meteorológicas atuais.

“A lógica é que possam ir todos os pontos do município, porque alguns são módulos com veículos pesados e é importante também entenderem de que forma se podem deslocar de um ponto para o outro”, visto que muitas das zonas rurais são de estradas estreitas e acessos limitados.

Os Agentes de Proteção Civil, nacionais e internacionais vão atuar segundo os protocolos como se de situações reais se tratassem, desencadeando as ações de resposta, designadamente de combate a incêndios rurais, de evacuação de populações, de organização de zonas de concentração e de suporte às populações.

Os agentes da Proteção Civil conheceram o plano da ocorrência do exercício internacional, no Comando sub-regional do Médio Tejo. Foto: Mediotejo.net

A região do Médio Tejo, particularmente o concelho de Abrantes, foi escolhido porque é uma das área dos país que pode ter algum dano por incêndios, sendo uma das zonas da região mais fustigadas pela situação nos anos anteriores, mas também por logística e proximidade dos diferentes atores.

“Vamos envolver as forças de resposta nacionais, como corpos de bombeiros, a GNR, o INEM, os sapadores florestais, a PSP e as Câmara Municipais”, sublinhou o Comandante da ANPEC, ressalvando ainda que “esta é também uma forma de testar a nova realidade de comandos sub-regionais da proteção civil, e porque este tem as condições essenciais para fazer um exercício deste tipo”.

ÁUDIO | André Fernandes, Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil

Já não é a primeira vez que Portugal acolhe exercícios internacionais, sendo mesmo um país muito bem reconhecido na Comissão Europeia, pela sua capacidade de planeamento, organização e acolhimento, contudo André Fernandes afirma que nunca é demais treinar, e que esta é uma mais valias para Portugal no treino e planeamento face a ocorrências.

“Permite-nos fazer o teste de quando um país pede ajuda internacional, de forma é que se organiza para a receber, porque isto não é só pedir. É preciso garantir todo o apoio logístico e acima de tudo garantir que as equipas venham de facto trabalhar e, depois conseguir integrá-los no nosso sistema. Infelizmente já pedimos assistência internacional e temos de ser humildes e realistas o suficiente também para entender que não vivemos sozinhos no mundo e é preciso haver uma parceria entre os países europeus”, notou.

ÁUDIO | André Fernandes, Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil

Todos os países vieram equipados de meios, a maior parte com veículos de combate, pesados e ligeiros, um meio aéreo e também drones, de forma a testar as diferentes tipologias e capacidades técnicas diferentes a aplicar na supressão de um incêndio florestal de grande dimensão. Uma equipa de analistas espanhóis também está a acompanhar o exercício, com a qual Portugal já tem acordos celebrados e troca de experiência em missões de treino e também em situações reais.

As entidades nacionais envolvidas no EUMODEX PT2023 são a ANEPC, entidade que organiza, a Força Especial de Proteção Civil, os Corpos de Bombeiros e Associações Humanitárias de Bombeiros da região de Lisboa e Vale do Tejo, Câmaras Municipais de Abrantes, Sardoal, Tomar, Almeirim e Entroncamento, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Cruz Vermelha Portuguesa, Forças Armadas, Guarda Nacional Republicana, Unidade de Emergência de Proteção e Socorro, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto Nacional de Emergência Médica, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Juntas de Freguesia do município de Abrantes, Polícia de Segurança Pública e Sapadores Florestais.

Natural de Vila Nova da Barquinha, tem 25 anos e licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior.

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