A chegada ao topo da cidade fez-se com ecos abafados da música popular que animava o Jardim da República. Lá em baixo todos continuavam sem saber quem é “o pai da criança” e alguns ostentavam o cachecol com as cores da Seleção Nacional que surgia nos ecrãs televisivos empatada com a Islândia.

O vento optou por ficar no baile e o pouco que se atreveu a subir a encosta foi travado pelas muralhas da fortaleza que confirmaram o seu papel histórico de defesa e resguardaram as centenas de pessoas que decidiram assistir ao espetáculo no seu interior. O cenário não podia ser melhor.
Cerca de meia hora volvida após a hora marcada, 22h00, a 100 Internacional Promenade Symphony Orchestra e o seu maestro, Henrique Piloto, subiram ao palco. Os instrumentos não pararam nas duas horas seguintes em que Luís Represas e Marisa Liz proporcionaram um concerto ímpar acompanhados por Mauro Ramos na bateria, Ricardo Dique no baixo, Miguel Canelo na guitarra e Nelson Canoa ao piano.

A tranquilidade do ex-Trovante contrastou com a energia da vocalista dos Amor Electro, formando uma sinergia contagiante que arrebatou o público já embalado pela música da orquestra e pelos efeitos pirotécnicos. Os dois cantores interpretaram temas marcantes das suas carreiras musicais em separado, como “Feiticeira” e “A Máquina”, e a poesia de Florbela Espanca (“Ser poeta”) esteve presente num dos duetos finais.
Os aplausos multiplicaram-se durante o espetáculo e foram feitos de pé após o final com “Also sprach Zarathustra”, de Richard Strauss, quando o Tempo somava quase uma hora ao primeiro centenário da cidade abrantina. A expetativa confirmou-se, o espetáculo desta terça-feira foi memorável, e está mais elevada do que nunca para as iniciativas anunciadas no programa comemorativo até ao final do ano.

*Republicada no âmbito de alguns trabalhos a que voltamos a dar destaque e que foram publicados no jornal mediotejo.net entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016
