Um censo excecional da presença de águia-pesqueira invernante no rio Tejo, registou no sábado, num único dia, 26 águias pesqueiras no troço entre Alhandra e Almourol. Embora este número seja inferior ao registado em anos anteriores, a área continua a ser uma das mais importantes zonas de invernada da espécie em Portugal, segundo os coordenadores distritais dos registos.
O censo nacional da população invernante da águia-pesqueira realiza-se de dois em dois anos, estando o próximo previsto para 2026, sendo o mesmo efetuado no lado espanhol. Esta iniciativa, que tem como objetivo conhecer o número de águias-pesqueiras invernantes em Portugal e Espanha, é realizada por voluntários distribuídos pelos principais locais de invernada desta ave de rapina nos dois países. Santarém, sobretudo no troço entre Abrantes e Chamusca, tem sido o distrito em território nacional onde é possível contar mais indivíduos desta espécie.
A coordenação distrital está a cargo de Paulo Alves (Abrantes) e José Freitas (Santarém), tendo ambos decidido realizar este censo a título excecional, relataram ambos nas suas páginas sociais. “Ontem foi dia de navegar pelo Tejo para contar águias pesqueiras. 158 km num dia (é obra…). 57 espécies diferentes e 26 águias pesqueiras (valor mínimo), o que mostra a estabilidade da espécie na invernada no Tejo e a sua importância como habitat para esta e muitas outras espécies”, referiu José Freitas, que organizou a expedição e é também fotógrafo.

Paulo Alves, por sua vez, referiu terem sido “percorridas aproximadamente 48,5 milhas náuticas entre Almourol e Alhandra, tendo sido contabilizadas 26 águias-pesqueiras. Embora este número seja inferior ao registado em anos anteriores, a área continua a ser uma das mais importantes zonas de invernada da espécie em Portugal”, declarou, tendo deixado AQUI o trip report para consulta.




A expedição foi organizada pelo incansável José Freitas e contou, para além de Paulo Alves, com a participação do Carlos Pacheco. O Fernando Vieira assumiu o controlo do leme.
Durante o percurso, indica Paulo Alves, “foi assinalada a presença de duas águias-pesqueiras anilhadas, nascidas em 2011 na Alemanha: a 8TA, com origem num ninho localizado em Neu Dobbin, onde foi anilhada a 28 de junho desse ano. Desde 2013, tem sido observada anualmente nesta mesma área do Tejo. E a 6SE nascida no distrito de Potsdam-Mittelmark. O primeiro registo no Tejo foi no ano de 2022. Dois registos interessantes que confirmam a fidelidade desta espécie aos seus locais de invernada”.
No final do dia, referem os coordenadores, “houve ainda tempo para saborear a melhor sopa de peixe do país, na pitoresca aldeia avieira de Caneiras”, tendo deixado um “agradecimento especial aos Bombeiros Sapadores de Santarém, em particular a Fernando Vieira e Paulo Ferreira, pela sua presença e apoio” durante a jornada.
O censo nacional da população invernante da águia-pesqueira realiza-se de dois em dois anos, estando o próximo previsto para 2026. Consulte AQUI os resultados dos censos anteriores.

A águia-pesqueira Pandion haliaetus é uma espécie invernante e migradora de passagem regular no nosso país. Até 2015 não havia dados acerca dos efetivos reais da população invernante em território nacional, ano em que se realizou o primeiro censo dirigido a esta espécie em Portugal, iniciativa promovida e coordenada pela plataforma “Aves de Portugal”.
No ano seguinte, o censo voltou a repetir-se em Portugal, mas desta vez o esforço extravasou fronteiras e o grupo “Amigos del Águila-pescadora”, coordenados pela Fundación Migres, iniciaram um censo nos mesmos moldes na Comunidade Autónoma da Andaluzia. A partir de 2017 o censo foi alargado a toda a Península Ibérica.
O principal objetivo deste censo é reunir dados que a médio longo prazo darão uma perspetiva acerca da evolução das populações desta espécie a nível ibérico, e em particular em território nacional. Indiretamente permite a recolha de informação sobre a situação da espécie nos países de onde são oriundas as aves invernantes em território ibérico.
Censo em Santarém
O distrito de Santarém, em particular a bacia do Rio Tejo entre Abrantes e Salvaterra de Magos, tem registado o maior efetivo invernante a nível nacional desta espécie e é por isso considerada de prioridade máxima no esforço dirigido à deteção das águias, e onde é imperativo assegurar uma boa cobertura do território. A coordenação distrital está a cargo de Paulo Alves (Abrantes) e José Freitas (Santarém).
Têm sido realizados dois transectos de barco com início no “cais” da Ribeira de Santarém, repartidos pelos dias do censo. Um para montante, até Vila Nova da Barquinha, e outro para jusante, até Vila Franca de Xira.
Além destes transectos fluviais, vários voluntários são habitaulmente distribuídos por áreas não cobertas de barco, tais como o Paul do Boquilobo, o troço de rio entre Almourol e Abrantes e diversos outros pontos onde nos últimos anos foi detetada a presença de águias-pesqueiras no inverno.


