Recriação de um tapete de flores naturais, como os que adornam o chão das igrejas e capelas de Sardoal durante a Páscoa

As celebrações que ocorrem por altura da Páscoa em Constância, Sardoal e Abrantes estiveram em destaque esta quarta-feira, dia 14 de março, no Largo do Intendente, em Lisboa. O objetivo foi mostrar as particularidades das Festas da Boa Viagem de Constância, as singularidades da Semana Santa de Sardoal, a doçaria associada e identitária da região e o artesanato e produtos tradicionais associados a esta época festiva.

As celebrações pascais do Médio Tejo estiveram em destaque, esta quarta-feira, na loja Produtos e Territórios, no Largo do Intendente, em Lisboa, numa iniciativa da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, em parceria com os municípios, os artesãos e os produtores.

Os lisboetas e visitantes da capital puderam assim assistir à recriação de um tapete de flores naturais, como os que adornam o chão das igrejas e capelas de Sardoal durante a Páscoa, com a diferença que os originais são por norma desenhados em areia. E à elaboração de um corredor de arcos com flores de papel, à semelhança dos que decoram as ruas da Vila de Constância, durante a celebração em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, que tem o seu ponto alto na procissão de barcos engalanados pelo rio Tejo.

Sérgio Oliveira, presidente da CM de Constância, Miguel Borges, presidente da CM de Sardoal, José Sá Fernandes vereador da CM de Lisboa e Conceição Pereira coordenadora da Tagus

O presidente da Câmara Municipal de Sardoal esteve em Lisboa a promover a Semana Santa no seu concelho num espaço, alfacinha, que também considera “nosso”. A associação Tagus e os municípios parceiros “entenderam por bem ter esta loja para divulgar as nossas ações e ao mesmo tempo colaborar com o trabalho fantástico que foi a recuperação desta zona” de Lisboa.

Miguel Borges considera um parceria importante “para a promoção dos nossos produtos, para que as pessoas que nos visitam não fiquem só em Lisboa e possam ir ao interior” relembrando que “interioridade não é sinónimo de inferioridade”, num País que melhorou as acessibilidades, com Sardoal a pouco mais de uma hora da capital. O presidente destacou “um património material e imaterial que é importante dar a conhecer e preservar”.

Tapete de flores de Sardoal na loja Produtos e Territórios em Lisboa

Da parte do concelho de Constância, o presidente Sérgio Oliveira deu conta da iniciativa de embelezar uma rua com flores de papel dentro da loja. “É uma das principais atrações que temos nas Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, um trabalho que resulta da comunidade”.

Serão milhares de flores que o Município deixou à liberdade da população escolher elaborar em papel ou plástico. A Câmara Municipal de Constância é responsável pela organização das festas “mas temos consciência que se não fosse o envolvimento da população da vila e das outras duas freguesias do concelho seria muito mais difícil realizarmos as festas”, disse.

Elaboração de um corredor de arcos com flores de papel, na loja Produtos e Territórios no Largo do Intendente em Lisboa

Sérgio Oliveira avançou com uma novidade: “este ano todas as coletividades do concelho estão envolvidas nas festas seja com uma tasquinha seja no embelezamento de uma rua”. Acrescentou que em 2018 “será uma festa com base na tradição mas com os olhos no futuro, com um toque de modernidade mas que mantém as tradições do povo”. O presidente aproveitou a ocasião para defender Constância como um bom concelho para viver, trabalhar e investir.

Presente no espaço também o vereador da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes que disse ser “vizinho de Constância e de Sardoal, com uma grande aproximação ao rio Tejo”. Para o autarca “Lisboa tem obrigação de ajudar a que se promovam estes municípios”. José Sá Fernandes entende que ao promover os concelhos do Médio Tejo também promove Lisboa. “Não há lisboeta que não tenha origem num outro lado qualquer” e convidou os alfacinhas a conhecerem o Ribatejo Interior.

Neste dia estiveram presentes os saberes e sabores associados à época, através de artesãos de velas de cera natural, de relicários, e produtores de amêndoas, vindos de Abrantes. Na ementa do almoço no restaurante “E Tem Dente” foram incluídos os paladares da tigelada, de Sardoal, e os conventuais queijinhos do céu, emblemáticos de Constância.

Degustação de especialidades gastronómicas do Médio Tejo no restaurante ‘E Tem Dente’

Guilherme Migueiz rentabiliza a Loja Produtos e Território desde julho de 2017 e diz que a dinamização do espaço “está a correr muito bem”. Diariamente “sentimos que temos um modelo atrativo e diferenciador. Representamos num único espaço seis territórios distintos de Portugal com produtos de elevada qualidade, grande parte deles artesanais que não estão à venda nas grandes superfícies comerciais”.

O espaço agrega duas funções: “as pessoas podem provar os produtos no restaurante ‘E Tem Dente’ e depois podem levar esses produtos para casa” disse, exemplificando com o maranho da Sertã ou a alheira de Vinhais. Guilherme dá conta de “uma dinamização cada vez maior” com grande fluxo turístico e interesse pelo que é regional. E a oferta de produtos é variada, dos queijos aos enchidos, do mel aos chás biológicos.

Loja Produtos e Territórios no Largo do Intendente em Lisboa

Elsa Cristovão proprietária da marca Janela dos Sabores, de Abrantes aceitou o convite da Tagus e foi a Lisboa promover as amêndoas, compotas, temperos e os doces que criou.

“É uma oportunidade de promover os meus produtos” apesar de contar com uma distribuidora de produtos artesanais. “É sempre bom vir!” afirmou.

Por seu lado, Anabela Matias levou até à loja Produtos e Territórios uma exposição de tradições. “Convidaram-me a participar com as velas tradicionais de cera de abelha, é uma arte que ponho em prática”. Explica que “a vela feita com cera de abelha não é tão tóxica, a sua queima não tem produtos químicos, com um aroma muito suave a mel e faz todo o efeito que pretendemos de uma vela” sem prejudicar a saúde, destacando o “aspeto artístico e estético”. A marca Sens está representada nas lojas da Tagus e no Posto de Turismo de Abrantes.

Maria João Santos também mostrou à capital tradições da Páscoa com o propósito da divulgação porque “o centro precisa de vir a Lisboa”. Assim, a loja Oficina das Hortas em Alferrarede apresentou esta tarde na capital “os santos, os relicários, tudo feito em tecido, galões e os respetivos santos com tecidos antigos que se usavam antigamente, chitas, gorgurões e todo o tecido que tem mais de 50 anos”.

Corredor de arcos com flores de papel, na loja Produtos e Territórios no Largo do Intendente em Lisboa

Inserido no programa esteve também a dinamização da “Produtos e Territórios – Loja do Intendente”, com a missão de criar uma montra dos territórios do interior do país em Lisboa e que resulta da parceria de seis associações de Desenvolvimento Local (CoraNE – Terra Fria Transmontana, TERRAS DE SICÓ, PINHAL MAIOR – Pinhal Interior Sul, ADER-AL – Norte Alentejo, MONTE-ACE – Alentejo Central e TAGUS – Ribatejo Interior), que representam 38 municípios, de Bragança a Reguengos de Monsaraz.

“O propósito deste dia foi promover um dos projetos que enquadra este projeto. Somos seis parceiros com representatividade territorial” referiu a coordenadora da Tagus, Conceição Pereira. O objetivo central passou pela criação de “um canal de comercialização dos produtos locais dos pequenos produtores e artesãos. Um espaço em Lisboa onde as pessoas da capital possam conhecer e adquirir estes produtos”.

Conceição Pereira explicou que a escolha daquele espaço resultou de “uma parceria entre as associações de desenvolvimento local e o Município de Lisboa no sentido de dar vida e alterar a visão do Intendente”. A responsável considera um objetivo “conseguido”.

Aliada à divulgação, em exposição fotografias dessas duas celebrações da autoria de Paulo Jorge Sousa e projeção de um vídeo identitário da fé e religiosidade da região.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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