CDU reafirma em Constância valores da democracia e querer “recuperar o concelho”. Foto: mediotejo.net

Na Quinta D. Maria, num espaço histórico de Montalvo, a CDU celebrou Abril reunindo militantes e simpatizantes em mesas corridas decoradas com cravos vermelhos, músicas de intervenção, e as intervenções de reflexão política pela voz de Valter Ferreira, candidato da CDU pelo distrito de Santarém nas legislativas de 18 de maio, e também por João Pedro Céu, candidato à presidência da Câmara de Constância.

As dificuldades no acesso á habitação, a precariedade do Serviço Nacional de Saúde, a degradação do sistema de ensino, as dificuldades de acessibilidades no concelho e no distrito, a falta de apoios na infância e na terceira idade E os baixos salários, foram alguns dos temas locais e regionais abordados, a par de uma panorama nacional que obriga a defender os ideais de Abril.

CDU reafirma em Constância valores da democracia e querer “recuperar o concelho”. Foto: CDU

Questionado sobre o que pretendeu a CDU com este almoço de convívio em Montalvo, João Pedro Céu começou por referir que o objectivo, “em primeiro lugar, é comemorar Abril e as conquistas de Abril, sobretudo numa época em que o ataque às conquistas de Abril é algo que é premente e é urgente. Fazer compreender às pessoas que Abril é para ser comemorado, é para ser evocado e os seus direitos devem ser defendidos por todos”. Para João Céu, a CDU é essencial à democracia, no país e em Constância.

“A CDU é necessária à democracia e, no caso de Constância, queremos recuperar aquilo que o concelho já teve de melhor: a voz e a capacidade de fazer obra”, disse ao mediotejo.net o cabeça de lista da coligação à Câmara Municipal de Constância nas autárquicas deste ano.

Tendo criticado a actual gestão socialista do município pela “submissão aos interesses da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo” e por uma “atitude reactiva e não proactiva”, o candidato comunista reafirmou que a CDU concorre para “ganhar” e que “o grande objectivo é voltar a colocar o concelho na rota do desenvolvimento”.

ÁUDIO | JOÃO PEDRO CÉU, CANDIDATO CDU À CM CONSTÂNCIA:

O professor João Pedro Céu, 60 anos, é o cabeça-de-lista da Coligação Democrática Unitária (CDU) à Câmara de Constância nas eleições autárquicas deste ano, uma aposta que visa retomar o “rumo do desenvolvimento”, anunciou a coligação.

O PS detém a maioria no executivo municipal de Constância, com quatro eleitos, tendo a CDU eleito um vereador nas autárquicas de 2021. Além de João Pedro Céu, pela CDU, também o PS já anunciou a recandidatura do actual presidente, Sérgio Oliveira.

As eleições autárquicas deverão decorrer entre setembro e outubro próximos.

CDU reafirma em Constância valores da democracia e querer “recuperar o concelho”. Foto: CDU

Deixamos o discurso do candidato da CDU à Câmara Municipal de Constância:

“Minhas senhoras e meus senhores.

Como sabem, serei o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Constância nas próximas eleições autárquicas.

Aceitei este desafio porque considero reunir as competências para o exercício de um cargo exigente, fruto da minha experiência ao longo do meu percurso de vida, reconhecida por um coletivo que acredita ser possível fazer mais e melhor.

Em conjunto, seremos capazes de desenvolver um trabalho proativo, criativo, dinâmico e com a determinação necessária para reivindicarmos, junto do poder central, aquilo que faz falta ao progresso do concelho.

Desenvolveremos uma atitude de proximidade com os munícipes, através de um diálogo permanente, com honestidade e trabalho.

Seremos capazes de projetar o futuro, preparando o caminho para aproveitar os fundos comunitários no sentido de dar respostas concretas na construção de habitação pública, requalificação de escolas, ampliação da oferta da rede de creches e pré-escolar, infraestruturação do sistema de abastecimento de água e recolha e tratamento de esgotos, de acordo com as novas exigências.

A nossa intervenção não se esgotará aqui, seremos voz ativa na necessidade emergente de construção da nova travessia do Tejo, ligando a margem norte à margem sul, acabando com um estrangulamento estrutural que impede o crescimento do nosso concelho.

Promoveremos, de forma definitiva, a ampliação da zona industrial, criando condições efetivas para a fixação de empresas potenciadoras de emprego.

Definiremos uma intervenção no domínio da educação, alicerçada na identificação das necessidades da comunidade educativa, garantindo a autonomia da gestão escolar.

Definiremos uma política cultural e desportiva que dê visibilidade ao concelho, através da descentralização da oferta pelas freguesias, dirigida a diferentes públicos e estratos etários. Neste sentido, promoveremos a renovação e requalificação das infraestruturas culturais e desportivas existentes em todo o território.

Atuaremos como interlocutores na definição de uma política de apoio ao turismo, de forma a garantir aos diferentes agentes o acolhimento necessário, convidando-os a investir no concelho, criando riqueza e gerando emprego.

Focaremos a nossa atuação na valorização das associações e coletividades e instituições de solidariedade social, promovendo um diálogo constante e procurando soluções para os problemas que colocam em causa o seu funcionamento.

Seremos parceiros das IPSS, encontrando soluções relativamente à oferta dirigida à população idosa, criando condições para a ampliação da oferta de lares e centros de dia no concelho.

Ao longo dos dois últimos meses, percorri o concelho, promovendo um contato porta a porta, apresentando-me e identificando os principais constrangimentos ao seu desenvolvimento. Encontrei junto de todos uma recetividade que me dá força para enfrentar este desafio.

Com a vossa ajuda tudo será possível.

Encontramo-nos aqui para comemorar os 51 anos de abril.

Numa época em que algumas forças ditas democráticas procuram apagar a memória de abril, é fundamental que cada um de nós avive a sua importância; o pior que pode acontecer ao ideal de abril é o esquecimento.

Assinala-se hoje o quinquagésimo primeiro aniversário de um movimento que reintroduziu a liberdade e a democracia na sociedade portuguesa.

Portugal é hoje um país moderno, pluricultural e plurirracial, sem barreiras políticas, religiosas, raciais ou de género. De país de emigrantes em massa nos anos sessenta e setenta do século XX, Portugal tornou-se destino para milhares de imigrantes que asseguram o funcionamento de serviços básicos na sociedade portuguesa, bem como em setores altamente qualificados, contribuindo todos para o desenvolvimento da nossa economia e da nossa sociedade.

Contudo, apesar dos enormes avanços, podemos sentir insegurança quanto ao futuro dos nossos jovens porque, 51 anos após o 25 de abril de 1974, tanto permanece por concretizar.

Pese embora vivamos com a liberdade que o 25 de abril concretizou e que a todos por igual dá voz, ouve-se agora, sem a vergonha de antes, alguns assumirem-se pública e despudoradamente fascistas, assunção essa fundada na ignorância que tal afirmação acarreta do ponto de vista dos direitos humanos, políticos e sociais que o fascismo demonstrou aniquilar.

Mas a ignorância histórica é como a ignorância da lei, não aproveita a ninguém, antes confunde os menos esclarecidos.

Urge que o nosso país reforce o esforço para manter e fortalecer a democracia, reconhecendo a sua importância e a sua vulnerabilidade, não deixando que alguns tentem apoderar-se dela com gestos e retórica retrógrados e revanchistas que ofendem a dignidade democrática.

Outro dos desafios de abril prende-se com o poder local.

O Poder Local constitui-se como um pilar fundamental na construção da democracia, na medida em que contribui para uma sociedade mais justa, participativa e democrática.

O poder local permitiu uma maior proximidade entre os eleitores e os seus representantes. Por isso mesmo os eleitores locais votam, na maioria das vezes, em função do conhecimento que têm dos seus representantes.

Esta proximidade cria as condições para uma democracia mais participativa, onde os cidadãos podem influenciar diretamente decisões que afetam o seu quotidiano.

A participação nas eleições autárquicas e o envolvimento cívico dos munícipes ajudam a desenvolver uma cultura democrática, em que os cidadãos compreendem melhor os seus direitos e deveres e se sentem parte ativa do processo político.

Com maior proximidade entre eleitos e eleitores, há mais exigência de transparência e prestação de contas. Os autarcas estão mais expostos ao escrutínio direto da população, o que fortalece os mecanismos de responsabilização democrática.

A descentralização do poder central nas autarquias, focando a decisão na realidade concreta de cada região, contribuiu para o aumento da sua coesão territorial e social.

Por isso, devemos gritar bem alto:

“25 DE ABRIL SEMPRE”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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