A CDU de Abrantes apresentou no Parque Urbano de S. Lourenço os seus candidatos às eleições autárquicas e o programa para o concelho, com João Chaleira Damas a assumir oficialmente a candidatura à Câmara Municipal, defendendo uma gestão “rígida, democrática e solidária” com foco no saneamento básico, habitação acessível, mobilidade e requalificação do centro histórico. A CDU, que concorre a 10 das 13 freguesias do concelho, apresenta Ana Paula Cruz como primeira candidata à Assembleia Municipal.
“Concorremos à Assembleia Municipal, à Câmara Municipal e a 10 freguesias, apresentando listas constituídas por cerca de 190 pessoas, mulheres e homens, respeitando a paridade de género, militantes e independentes, de diversas profissões e idades. É com orgulho que integro esta equipa, onde todos contribuem para valorizar e engrandecer o nosso projeto autárquico”, afirmou o candidato a presidente.
Chaleira Damas destacou que a CDU tem um projeto baseado em “trabalho, competência e honestidade”, defendendo “uma gestão adequada e rigorosa do município, mais democrática e solidária, para o bem da população e das empresas”.

Durante a sua intervenção, João Damas sublinhou que “as desigualdades crescem, o Serviço Nacional de Saúde é alvo de ataques, as creches são insuficientes, os salários não chegam e as reformas são curtas”, defendendo que “não vivemos num fatalismo sem solução, é necessário resistir, lutar e concentrar forças”.




Para Chaleira Damas, a gestão municipal não pode ser feita “ao sabor dos fundos comunitários disponíveis”, mas sim com um “planeamento estratégico robusto”, tendo-se comprometido a “avaliar cada projeto realizado para melhorar o seguinte” e a evitar “novos elefantes brancos” no concelho.
Entre as áreas a rever, apontou o mercado diário, o açude, a Ribeira de Rio de Moinhos, o multiusos e os museus municipais. Propôs ainda a criação de uma “rede de museus municipais e de polos de freguesia” para garantir que “os equipamentos culturais estejam abertos, sejam visíveis e visitáveis”.

O candidato comunista destacou a necessidade de “requalificação do castelo, das igrejas, do centro histórico, do comércio e da restauração”, afirmando que Abrantes deve integrar estes espaços num “projeto de desenvolvimento turístico e cultural que devolva vida à cidade”.
Denunciou ainda que “7 freguesias e 40 localidades e casais do concelho ainda não têm saneamento básico em 2025”, considerando “inadmissível” a situação. “Compete à Câmara promover as dinâmicas necessárias junto da população e do Governo para resolver esta falta de gestão ambiental, proteger a saúde pública e salvaguardar os recursos hídricos”, reforçou.
Defendeu também a requalificação das estradas nacionais, a resolução de problemas nas pontes, em particular a ponte das Mouriscas, e a construção de passagens de nível seguras.
Sobre habitação, Chaleira Damas defendeu que “é um direito constitucional”, propondo que a Câmara prepare solo urbano, estimule cooperativas de habitação económica, apoie a recuperação de casas degradadas e lute contra as restrições que impedem os proprietários das zonas ribeirinhas de reabilitar os seus imóveis.
Na cultura, criticou o atraso das obras do Cineteatro São Pedro, defendendo que “a cultura não se resume ao cineteatro” e que “as associações locais devem ser envolvidas no movimento cultural de Abrantes”.




Para o desporto, o candidato da CDU propôs “um planeamento sério das atividades desportivas, formação de monitores, construção de pavilhões gimnodesportivos e dinamização do desporto náutico no Rio Tejo”, bem como “a criação de pequenas ilhas desportivas nos bairros para promover a atividade física”.
Chaleira Damas quer reforçar a mobilidade no concelho, propondo um “novo circuito de transporte urbano”, com horários regulares, que ligue a estação ferroviária do Rossio, as unidades de saúde, escolas e serviços públicos, complementando o atual “Abusa”.
Defendeu ainda a articulação com futuros projetos de navegabilidade do Tejo, considerando que “o rio que separa é o mesmo rio que une” e que pode ser um motor de desenvolvimento económico e turístico.
O candidato sublinhou ainda a necessidade de descentralizar competências para as juntas de freguesia, garantindo-lhes “meios humanos, materiais e financeiros para resolver os problemas do quotidiano”. Reafirmou também o compromisso da CDU em “devolver autonomia às freguesias agregadas contra a vontade das populações”.
A candidata da CDU à Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Abrantes, São Vicente e São João e Alferrarede, Graça Alves, afirmou que “não basta querer mais, é preciso querer melhor”, sublinhando que “mais do mesmo não serve”.
Durante a sua intervenção, Graça Alves apresentou as principais propostas da CDU, começando pela saúde. “Queremos garantir que todos têm médico de família, um direito básico que hoje não está assegurado. A CDU estará ao lado da população para exigir este direito junto do Governo e não criar ilusões e falsas soluções, como o PS tem feito.”

Outro dos pontos centrais é a segurança junto às escolas. “Quem passa pelos centros escolares e escolas secundárias nos horários de entrada e saída, conhece o caos que ali se vive. A segurança das nossas crianças e famílias tem de ser uma prioridade e há formas de criar estacionamentos rápidos, e há bons exemplos pelo país”, afirmou.
Graça Alves destacou ainda a situação dos parques infantis, muitos deles “degradados, com equipamentos estragados e pisos inseguros”. Para a candidata, “um parque infantil não é um luxo, é um espaço essencial para o bem-estar das crianças e das famílias”, defendendo “manutenção regular, equipamentos seguros, zonas de sombra e a criação de novos parques onde eles faltam”.
A candidata alertou também para o abandono do centro histórico de Abrantes, defendendo que “a Câmara Municipal tem vários edifícios fechados no centro histórico, transformemo-los em habitação social, cumprindo o imperativo constitucional. Vamos dar a oportunidade à população, particularmente aos jovens, de ter uma casa a preços acessíveis. Há que apoiar de forma efetiva os pequenos e médios empresários para que mais lojas e comércios abram portas e devolvam vida às ruas”.
Outra proposta passa pelo alargamento dos transportes públicos. “Há aldeias e lugares completamente isolados, onde os horários são raros ou inexistentes. A CDU defende uma rede de transportes públicos que sirva toda a população e que permita a mobilidade de quem trabalha, estuda, cuida da família ou simplesmente precisa de acesso aos serviços básicos. Nenhum lugar pode ficar para trás.”
Graça Alves sublinhou ainda a luta pela desagregação de freguesias, nomeadamente a freguesia de Alferrarede, agregada às freguesias de Abrantes, São João e São Vicente. “Foi-lhe retirada a autonomia e a sua capacidade financeira com a agregação forçada. A CDU vai continuar a dar voz e lutar para devolver a Alferrarede a sua freguesia e a sua dignidade.”
Ana Paula Cruz, candidata da CDU à Assembleia Municipal de Abrantes, apresentou-se como cabeça de lista com o objetivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido no atual mandato.
“Este trabalho tem sido feito em coletivo, com espírito de entreajuda, compromisso e ligação direta às populações. Uma equipa que não se fecha em gabinetes, que ouve os abrantinos, que partilha os seus problemas e acredita que este concelho pode e deve oferecer melhores condições de vida a todos”, afirmou.

A candidata destacou alguns dos temas que marcaram a ação da CDU ao longo do mandato. Entre eles, a segurança na Nacional 118, em Alvega, onde a CDU “questionou o executivo camarário sobre o perigo que se vive diariamente”, bem como a “falta de manutenção da ponte entre Mouriscas e Alvega, essencial para a mobilidade e segurança”.
Ana Paula Cruz relembrou também que a CDU “exigiu respostas claras sobre as obras do Teatro de S. Pedro, espaço cultural que faz falta a Abrantes”, e alertou para “a situação do mercado diário, questionando vendedores, clientes e os custos de uma infraestrutura que não cumpre o seu propósito”.
No plano ambiental, a candidata denunciou “o desrespeito ambiental na Ribeira de Rio de Moinhos e o corte de água aos canais de rega, que afeta agricultores e populações”. Também contestou “os enormes custos do projeto de residência de estudantes junto à Escola Dr. Manuel Fernandes”, defendendo uma “gestão mais equilibrada dos recursos”.
A candidata apontou igualmente a necessidade de “uma casa mortuária digna” e exigiu “a requalificação da rua e da zona de estacionamento da estação ferroviária do Rossio ao Sul do Tejo, porta de entrada e saída do concelho”. Criticou também “a forma como a Câmara mantém as juntas de freguesia dependentes dos contratos interadministrativos, limitando a sua autonomia e capacidade de resposta”.
“Durante quatro anos, estivemos onde era preciso: nas ruas, nas freguesias, junto das populações. Não aceitamos desculpas vazias nem promessas adiadas. Não aceitamos que Abrantes continue a perder serviços, investimento e qualidade de vida, enquanto alguns preferem gerir aparências. A CDU é e continuará a ser a voz firme e incansável dos abrantinos”, reforçou.

A apresentação dos candidatos da CDU contou ainda com a presença de Valter Cabral, membro do Comité Central do PCP, que deixou um apelo ao voto e sublinhou a importância destas eleições autárquicas para o futuro do concelho.
“Enquanto alguns limitavam-se a pensar e a prometer, nós agimos. Não por conveniência ou eleições, mas porque era justo juntar homens e mulheres para participar e lutar pela sua terra”, afirmou. “Somos pessoas sérias, dedicadas, que servem as populações sem esperar nada em troca, a não ser a satisfação do dever cumprido.”
O dirigente comunista recordou que a CDU foi a força política que mais se bateu pela instalação de saneamento básico nas localidades que ainda não o têm, pela resolução da falta de médicos de família no Tramagal, no Pego e noutras freguesias, e pela melhoria da segurança na Estrada Nacional 118. “Percorremos as ruas, organizámos abaixo-assinados, demos voz às pessoas”, sublinhou.
O membro do Comité Central acusou PS e PSD de serem “responsáveis por décadas de políticas que afastaram as populações das freguesias e da Câmara Municipal” e de manterem as juntas de freguesia “como meras extensões da Câmara, sem autonomia”.
“Enquanto isso, milhões ficam parados nos cofres da autarquia ou são entregues antecipadamente a fornecedores, enquanto falta investimento nas freguesias”, afirmou.
Valter Cabral criticou as forças políticas que “usam o descontentamento apenas para dividir” e sublinhou que a CDU apresenta “um projeto sério, coerente e comprometido com as populações”. “Com a cara bem levantada, vamos dar mais força à CDU no dia 12 de outubro. Viva a CDU e viva o concelho de Abrantes!”, concluiu.

Candidatos da CDU a Abrantes:
João Chaleira Damas – Câmara Municipal, Ana Paula Cruz – Assembleia Municipal, Graça Alves – União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, Carlos Bento – JF Mouriscas, João Damas – JF Tramagal, Fernando Morais – JF Bemposta, Patrícia Amaro – JF Pego, Johosão Pedro Bioucas – JF Rio de Moinhos, Paulo Jacinto – JF Alvega, Leonel Francisco – UF São Facundo e Vale das Mós, José Pratas – UF São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Elsa Lopes – UF Aldeia do Mato e Souto. O mandatário da candidatura da CDU a Abrantes é João Paulo Milheiriço.
O PS detém a maioria no executivo municipal de Abrantes, com cinco eleitos, tendo PSD e o Movimento ALTERNATIVAcom um vereador cada.
Além de João Chaleira Damas, pela CDU, os candidatos à Câmara de Abrantes são Manuel Jorge Valamatos, atual presidente, que concorre pelo PS, Vasco Damas, atual vereador, pelo ALTERNATIVAcom, João Morgado, pela AD – Coligação PSD/CDS-PP, e Nuno Serras, pelo Chega.
As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.
