Movimento proTEJO saúda posição da Comissão Europeia por caudais ecológicos. Foto: Ricardo Escada

“Os caudais têm vindo a diminuir, nós estamos com débitos mais baixos das barragens, e, atendendo a que deixou de chover, essa diminuição tem sido razoavelmente constante e a tendência é, a continuar desta forma, que em breve possamos deixar de ter um conjunto de situações, como estradas submersas”, disse à Lusa o presidente da Comissão Distrital de Santarém da Proteção Civil, Pedro Ribeiro, tendo indicado que “o em breve será até ao final da semana”.  

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém acionou na sexta-feira, às 20:00, o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo no seu nível de Alerta Azul, o mais baixo de uma escala de quatro, devido à subida das águas, após reunião de avaliação dos caudais e das descargas das barragens.

A decisão foi tomada depois dos valores previstos atingirem o limite para ativação do Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo (1.500 m3/s), tendo a Proteção Civil dado conta que as três barragens (Castelo do Bode, Fratel e Pracana) “em conjunto, estavam a debitar 2.600 m3/s às 20:00”, tendo causado inundações de algumas zonas ribeirinhas e motivado o resgate de três pastores nas margens do Tejo, na zona de Alvega (Abrantes).

A Proteção Civil apontou a “precipitação que se tem sentido em Portugal”, e as “descargas das barragens e afluentes da bacia hidrográfica do Tejo” como os fatores que geraram um “aumento considerável dos níveis hidrométricos e caudais do rio Tejo e seus afluentes”.

Zona ribeirinha em Constância. Foto: Ricardo Escada

“Nós tivemos um pico no fim de semana, na sexta-feira e depois no fim de semana, pico esse que desde domingo tem vindo a decrescer”, disse hoje Pedro Ribeiro, tendo indicado que o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo “ainda está ativo, na sua fase mais baixa, a azul, e é isso que irá suceder até os caudais baixarem o suficiente para que o possamos desativar”.

O presidente da Comissão Distrital, que também preside ao município de Almeirim, na Lezíria do Tejo, deu conta de uma situação de cheia que, apesar de alguns constrangimentos, sendo em pequena escala, é “benéfica” para a região, nomeadamente para a agricultura e aquíferos.

Pedro Ribeiro, presidente da Comissão Distrital de Santarém da Proteção Civil

“Os benefícios superam claramente os constrangimentos, sendo [a água] muito importante para o campo, para a produtividade da agricultura, e para recarregar os aquíferos. As pessoas estão habituadas, todos sabem o que têm a fazer e, como tal, não nos causa grandes problemas”, indicou.

As descargas das barragens da bacia hidrográfica do Tejo estabilizaram no domingo, com reflexo durante o dia de hoje na diminuição ligeira mas constante dos caudais, mantendo, no entanto, níveis hidrométricos ainda elevados e com algumas vias submersas, situação que leva a Proteção Civil de Santarém a manter o Plano Especial de Emergência ativo.

Diminuição dos caudais no Tejo permitem reabertura de algumas estradas em Santarém. Foto: Ricardo Escada

 De acordo com a informação dos Comandos Sub-Regionais da Lezíria do Tejo e Médio Tejo, que estão a monitorizar a situação, verificam-se hoje constrangimentos em quatro municípios do distrito de Santarém.

Em Abrantes, onde a Estrada de Tramagal para Santa Margarida e a Estrada de Campo – Tramagal estão submersas, e em Coruche, onde se verifica ainda a submersão da Ponte da Escusa, da Estrada Municipal (EM) – Estrada de Meias (de ligação à EN 114 – EN 251), dos Caminhos Municipais (CM) 1427 (de ligação da EN 114-3 à EN119) e do CM H (de ligação da EN 114-3 à EM 515 Biscainho).

No município de Golegã, o Caminho Municipal (CM) dos Lázaros está submerso e em Benavente a Estrada Municipal (EM) 1456 mantém-se interditada à circulação.

Ainda na Lezíria, a estrada ma margem esquerda do Rio Sorraia está submersa e mantém-se o alagamento dos campos de cultivo da lezíria do Sorraia.

c/LUSA

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