A decisão, a primeira tomada pela nova direção presidida por António Louro, que tomou posse naquele mês, foi considerada difícil, uma vez que o salão acolhia regularmente aniversários, concertos e almoços para seniores, sendo um ponto de encontro importante para a população local e visitante, mas os graves problemas de infiltrações no telhado colocavam em risco a segurança de quem ali participava em atividades recreativas e culturais.
Fundada em setembro de 1970, e com mais de cinco décadas de existência, a Casa do Povo de Montalvo tem o estatuto de entidade de utilidade pública e é uma das principais associações da freguesia de Montalvo, concelho de Constância, abraçando um papel social, desportivo, cultural e recreativo há mais de 50 anos.
Segundo o presidente António Louro, de 43 anos, a degradação progressiva do edifício, fruto da falta de manutenção ao longo dos anos, tornou inevitável a suspensão temporária do salão, pois a chuva entrava no interior como se fosse na rua, causando danos visíveis nas paredes, na tinta e no pavimento de madeira.
A escassez de telhas compatíveis com as existentes e a dificuldade de acesso às partes altas do telhado – coberto por musgo e de difícil inspeção – agravam a complexidade das obras necessárias.




A direção já contactou várias empresas para orçamentos, mas, devido à elevada procura, encontraram disponibilidade apenas para 2027, pelo que aguardam também inspeção técnica por parte da Câmara Municipal para avaliação oficial das necessidades de intervenção.
O primeiro levantamento aponta para cerca de 100 mil euros de investimento para a requalificação da sede, sendo que a recuperação do salão poderá representar entre 40 e 50 mil euros desse valor.
“Todo o lucro das atividades está neste momento direcionado para recuperar as instalações. Se não investirmos agora, lamento dizê-lo, mas se calhar daqui a três anos já não existe Casa do Povo”, afirmou António Louro, sublinhando que a recuperação do edifício é a prioridade do atual mandato.

O dirigente explica que a decisão de encerrar o salão e parte do restaurante foi tomada logo após a tomada de posse, por questões de segurança e dignidade das instalações.
Entretanto, a direção tem realizado trabalhos de manutenção e melhoria, incluindo pintura, limpeza e pequenas intervenções no espaço de restauração, enquanto procura apoios e financiamento para obras de maior dimensão.

ÁUDIO | ANTÓNIO LOURO, PRESIDENTE CASA DO POVO DE MONTALVO:
Apesar das limitações provocadas pelo encerramento do salão, a Casa do Povo mantém várias atividades em funcionamento. Entre elas estão a secção de futebol de formação, com escolinhas, sub-10 e sub-11 a treinar no campo municipal de Montalvo, o grupo de cantares, uma equipa de snooker, o projeto “Movie Sénior”, dedicado a trabalhos manuais e convívio entre idosos, e o espaço de café, que continua aberto à população.
A coletividade tem também procurado manter a dinâmica cultural e associativa com iniciativas como bailes, comemorações do Dia da Mulher e participação nas festas de Constância, cujas receitas ajudam a equilibrar as contas da associação. Estão ainda previstas atividades como noites de fado, festas jovens e a celebração do aniversário da instituição.

Louro sublinha que a direção está a envidar todos os esforços “com tempo e com calma” para que, no futuro, a Casa volte a estar totalmente ao serviço da comunidade, com condições dignas para receber população, sócios e visitantes.
A direção apela também à compreensão, apoio e motivação da comunidade, Junta de Freguesia e Câmara Municipal, lembrando que a Casa do Povo é um espaço que serve não só Montalvo, mas todo o concelho, e que merece ser preservado enquanto núcleo de convívio e dinamizador cultural e social.
“Isto é uma casa enorme e há muito trabalho para fazer, mas não vamos desistir. Vamos andando devagar, com a ajuda dos sócios e da comunidade, porque esta casa também é um bem de todos”, afirmou.




A Casa do Povo de Montalvo tem na sua história uma forte tradição no associativismo local, organizando regularmente eventos culturais, desportivos e sociais que reforçam a coesão comunitária.
A atual direção, que tomou posse em setembro para um mandato de três anos, afirma que continuará a trabalhar para recuperar o salão e devolver à população um espaço que marcou várias gerações da freguesia, do concelho e da região.
