Se calhar, quando eu morrer podem simplesmente escrever: Foi uma Mulher!
Ou adjetivem, se vos apetecer, que voltarei para ler, se der.
Mas como Mulher, e como gosto de o ser, será suficiente o nome, comum e tão especial:
Mulher!
Nem mais, nem menos.
Uma metade da terra, uma metade do mar,
uma metade do todo, numa luta para o afirmar.
Não é o ser mais, mas nunca será ser menos.
Mas corremos…
Tantas vezes atrás, sempre tão carregadas.
Hoje com muito mais do que nadas.
Porque percebeu o Mundo, ou começa a perceber
Quem somos, quem nascemos para ser.
Mais ou menos puras,
Mais ou menos traumatizadas,
Presas às nossas desventuras.
As loucas e as desvairadas
Ou as santas e as consagradas.
As que parem inundadas de dor,
E não sentem nada mais do de amor.
As mulheres lixo, desaforo,
As mulheres tesouro, decoro.
As que vão ao sabor do vento,
As que fazem tempestade,
As que abraçam o casamento,
As que não lhe têm vontade.
As que levam porrada,
As de vidas desgastadas,
As do medo e do destino,
Mais as que morrem assassinadas.
As que lutam porque sim,
As que se afirmam porque não,
As que se perdem por aí,
As que carregam uma missão.
As mulheres furacão,
Mais as mal-encaradas,
As que vivem em contramão,
Com rostos de histórias cravadas.
As que carregam o mundo ao peito,
Porque não sabem ser de outro jeito.
E nisto do ser-se Mulher
Que se lixe o ser ou não ser.
Estamos. Somos. A metade ou o todo.
O tudo que nos apetecer!
