Gosto de feiras e feirinhas, de mercados e vendas de rua. Gosto. Gosto do ar efémero, meio despenteado, apressado das feiras. Ao contrário do aspeto eterno, quase maçador das prateleiras de sempre onde vamos, aborrecidamente, fazer as compras de sempre. Nada contra, dão muito jeito, mas as feiras e mercadinhos têm outro charme e é disso que falo hoje.

Um dos meus tios tinha uma frase anterior a mim, daquelas que ficam, das matinés de domingo à tarde na associação aqui do bairro em que a malta nova se juntava para dançar e se arranjaram muitos casamentos. O meu tio Luís, ouvi toda a vida, dizia repetidamente “aproveita hoje que amanhã não há” e realmente, tal como os bailes, as feiras dão este sentimento quase infantil de ter que aproveitar.

Se por um lado são limitadas no tempo, também o são no stock, há mesmo que arrematar o que nos apraz a vista e o gosto antes que esgote.

Gosto particularmente de mercados de Natal. São, sem dúvida, dos meus sítios de eleição para as prendas de Natal. Gosto da oferta de artesanato, de produtos locais, de decoração, bijutaria e costura artesanais, pautadas de carinho e bom gosto.

Gosto das bancas cheias de tudo um pouco, gosto dos espaços mais ou menos arrumados, ao gosto do expositor que nos quer mostrar, naquele pouco mais de metro quadrado, se tanto, a sua arte para que a levemos e envolvamos num laço, fazendo as delícias de alguém.

Há muito tempo que somos apologistas, cá em casa, de comprar local no Natal. São vários os motivos, começando pelo aborrecimento de filas e gente aos montes a mirar a última manta polar em saldo, a medir os passos para ver quem a arrebata primeiro. Deve ser da idade, mas cansa-me.

Depois, pelo facto de ser uma época de algum investimento e em que não faz sentir ir investir fora. Não acham? Além de que, ajudando a primeira razão, em Mação, como noutras terras, já há uma oferta para todas as idades e gostos. É só procurar e, acreditem, ter boas surpresas. A velha questão do “não há cá nada” não só é pouco esclarecida, como redutora e, francamente, se não gostarmos de nós, ou do que é nosso, quem gostará?

Isto para dizer que, além da enorme oferta do comércio local, em Mação dá-se espaço, em dezembro, a uma Expo-Venda de Natal que me maravilha e onde faço uma parte generosa das compras de Natal. Além do bom gosto e diversidade que já referi, os preços são muito apelativos.

A Galeria há vários anos que não recebe exposições em dezembro pois é o mês da Expo-venda de Natal que dá espaço a mais de duas dezenas de artesãos, de mãos jeitosas e de muito bom gosto. Já referi que há de tudo um pouco, para várias idades? É que há!

Este ano já estão debaixo de olho uns produtos naturais de higiene que, sob pena de me atrever a ir, literalmente, lamber sabão, dá-me essa vontade pois parecem sobremesas…

Mais uns colares para as mães, umas bolsas para as tias, uns brinquedos de madeira para a miudagem, máscaras de tecido, coisas fofas para bebés, peças de arte e decoração, tábuas de madeira e, até para aqueles familiares a quem não sabemos muito bem o que dar, há mel e Chave Dourada. Quer dizer, o que mais se pode pedir!?

Nota a jeito de conclusão e também de conselho: aproveitem, e rápido. É que os mercadinhos de Natal pecam por, creio que a maioria, necessitar de dinheiro em mão e uma pessoa habitua-se ao cartão e raramente tem dinheiro de jeito na carteira. Isto para dizer que quando abriu a Expo-Venda de Natal me caí de amores por uma mala de palhinha com correias em pele, a minha cara. E a um preço maravilhoso. Pois que deixei passar uma semana e quando fui para a ir buscar já tinha voado. Vão.

E pensem bem em comprar local. Artesanato ou não. Puxando o rabo à minha sardinha, comprem em Mação.

Vera Dias António

Nasceu em Mação em 1978. Estudou em Abrantes, Lisboa, Bruxelas e voltou a Mação, para trabalhar. Licenciada em Sociologia trabalhou sempre na área da Comunicação, primeiro a social, depois a autárquica.
Resgatar memórias e dar-lhes uma quase eternidade é o seu exercício preferido. Considera que a recolha de memórias passadas das gentes de Mação e o apoio na construção das memórias futuras dos quatro filhos é a melhor definição de equilíbrio, o presente da vida.
Acredita, acima de tudo, que nada sabemos de ninguém até ter uma boa, mas mesmo boa, conversa. Porque o que parece, às vezes, não é. Falta-lhe conteúdo. Apresentará neste espaço quem são as gentes de Mação, sem filtros nem preconceitos, só histórias e essência, o verbo Ser das pessoas.

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