Gabriel Feitor, investigador da história local e vereador da Cultura na Câmara de Alcanena. Foto arquivo: mediotejo.net

“Este é o culminar de um trabalho que já tem vindo a ser feito desde 2021”, afirmou o vereador da Cultura da Câmara de Alcanena, Gabriel Feitor, sublinhando que o município iniciou nesse ano intervenções arqueológicas em locais já conhecidos e noutros onde existiam indícios de testemunhos patrimoniais.

A apresentação dos resultados finais está marcada para sábado, às 15h00, na Junta de Freguesia dos Bugalhos, numa sessão que será conduzida pelo arqueólogo Marco Liberato, responsável pelos trabalhos de investigação.

“Levamos a cabo, já há quase dois anos, este trabalho de iniciar a Carta Arqueológica do Concelho de Alcanena, que teve uma apresentação dos resultados preliminares há um ano e que agora irá apresentar os resultados finais, já com algumas novidades relativamente a este campo”, afirmou Feitor.

O vereador destacou que a investigação vem confirmar a antiguidade do povoamento não apenas da vila, mas de todo o território concelhio, desde períodos pré-históricos, trazendo também novos dados sobre épocas até agora menos estudadas.

“Vem-nos confirmar o povoado já antigo do território, não só de Alcanena, mas de todo o território, desde a Pré-História, com a confirmação de novos lugares e a relocalização de outros já conhecidos”, disse.

Entre os locais referidos contam-se a Gruta da Marmota, a Lapa do Picareiro e a Lapa da Galinha, a par de novidades consideradas relevantes no período romano, na Antiguidade Tardia e na Idade Média.

De acordo com as conclusões finais do trabalho, a carta arqueológica permitiu um crescimento “exponencial” do conhecimento sobre os períodos históricos, passando de um único sítio romano anteriormente registado no inventário nacional Endovélico para pelo menos mais 14 novas identificações, além de indícios de outras ocupações.

“Neste momento temos a certeza já de um sítio do período romano, puro e duro, e esta é uma das novidades”, salientou Gabriel Feitor.

Entre os achados com maior relevância, o estudo aponta ainda a identificação de uma possível ‘villa’ romana ou pelo menos de um assentamento agrícola de grandes dimensões, disperso por uma área de cerca de seis hectares, um dado considerado particularmente relevante para o conhecimento da ocupação antiga do território.

Alcanena identifica 37 novos sítios arqueológicos no concelho. Foto: CMA

ÁUDIO | GABRIEL FEITOR, VEREADOR CULTURA CM ALCANENA:

“Estamos a falar, por exemplo, de antigos lagares de azeite, de poços, de estruturas hidráulicas. Todo este património está aqui identificado e é também um apêndice importante”, referiu.

Nas conclusões, a Lapa do Picareiro surge como o principal sítio do concelho para o estudo da Pré-História Antiga.

O estudo indica ainda que a estabilização do núcleo urbano de Alcanena poderá remontar ao século XV, destacando a antiga Igreja medieval de S. Pedro, templo que servia as populações de Alcanena e Monsanto antes de ambas terem autonomia para construir os seus próprios espaços de culto.

Para o vereador, a apresentação pública da carta não representa um ponto final, mas antes o início de uma nova fase de estudo, proteção e valorização patrimonial.

“Eu acho que é um ponto de partida”, afirmou, defendendo que o documento deverá orientar as próximas prioridades do município ao nível dos trabalhos científicos, da classificação de património e da produção de conhecimento.

“Será objetivo a publicação deste trabalho, não só a divulgação, mas a publicação da carta”, disse, acrescentando que o conhecimento produzido poderá sustentar futuras intervenções arqueológicas em áreas identificadas como prioritárias.

c/LUSA

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