As marchas populares da Carregueira movimentam centenas de pessoas. Foto: mediotejo.net

“O momento maior da cultura popular, demonstração de bairrismo e de amor pelas aldeias de Carregueira e Arripiado, está de volta”. Foi desta forma que Joel Marques, ex-presidente da Junta de Freguesia, apresentou as Marchas Populares da Freguesia da Carregueira, de novo na rua, após dois anos de interregno.

Mais uma vez, o recinto Polivalente da aldeia esgotou a sua capacidade para ver desfilar cinco Marchas de outras tantas associações desta freguesia do concelho da Chamusca. A primeira “noite mágica de cor, música e alegria”, como lhe chamou a autarquia local, aconteceu no dia 18 e era ansiada por todos, participantes e espetadores, após uma pausa forçada pela pandemia.

Durante a apresentação, a organização fez um agradecimento às “crianças, jovens, menos jovens e seniores que, por paixão à sua terra, transformaram-se nos últimos meses em artesãos, costureiros bailarinos, ensaiadores, coreógrafos ou apresentadores”.

As marchas populares da Carregueira movimentam centenas de pessoas. Foto: mediotejo.net

Pela quinta vez, cinco associações mostraram o resultado de alguns meses de trabalho envolvendo centenas de pessoas da freguesia numa prova de união e entrega dos moradores, de todas as idades.

Apesar da ancestral animosidade entre as duas localidades que constituem a freguesia, Carregueira e Arripiado, hoje em dia dissipada, a população une-se no projeto comum que são as Marchas Populares.

O espetáculo começou com o desfile de apresentação das cinco marchas ao som da Marcha da Freguesia, intitulada “Cá vamos Nós”, com arranjo musical de Pedro Gentil e letra de António Valador e Patrícia Costa.

Seguiram os agradecimentos, a entrega de lembranças e alguns discursos. O presidente da Junta de Freguesia, Rui Gonçalves, agradeceu o apoio da Câmara e o empenho da Filarmónica e das associações envolvidas nesta “demonstração da grandeza e de união da Freguesia”.

O presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Paulo Queimado, deu, por sua vez, os parabéns à Junta por mais esta “grande organização da Freguesia”, às marchas e aos marchantes por esta “grande festa”, terminando com a frase repetida em uníssono: “A Carregueira é linda”.

Ao som da Marcha da Freguesia interpretada pela Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense Vitória, entrou no recinto a primeira marcha constituída por representes das cinco associações participantes numa demonstração da união e do bairrismo da Freguesia.

Seguiu-se a Marcha da Universidade Sénior da Junta de Freguesia da Carregueira, que dedicou o seu espetáculo à banda filarmónica local, a única do concelho. “É com orgulho que marchamos e nos apresentamos, homenageando a nossa banda filarmónica”. Com oito pares, a Marcha incluía 14 crianças (“mascotes”), “reforçando assim a intergeracionalidade tão presente no projeto da Universidade Sénior”.

Patrícia Costa, porta-voz do grupo, disse ao mediotejo.net ter sido “muito emocionante este regresso”. “Estávamos ansiosos por mostrar esta vaidade e este brilho da nossa Freguesia”. Realçou a surpresa este ano de se juntar as várias marchas de maneira a fazer uma só numa demonstração de que “não há rivalidade, não há prémios”.

“É só pelo gosto de estarmos uns com os outros, de estarmos em festa”, sublinhou. Quanto à Marcha da Universidade Sénior, de cuja letra é autora juntamente com António Valador, destacou as alunas que “foram incansáveis na construção da ideia”.

“A música na nossa Aldeia” foi o tema da marcha do Grupo Desportivo União Carregueirense constituída por 15 pares, quatro mascotes, um porta-estandarte e uma cantora.

“É uma alegria, é uma emoção muito grande juntarmos outra vez os amigos, quase que somos uma família”, explicou Andreia Santos, porta-voz do grupo. “Esta noite é vivida com emoção, é o resultado de meses de trabalho, são muitas noites mal dormidas, são muitos nervos e por vezes até zangas entre os elementos do grupo, mas ao mesmo tempo uma amizade e um carinho muito grandes”, realçou no final da atuação.

O Arco-Íris como símbolo da esperança após dois anos de pandemia foi o mote da Marcha do Rancho Folclórico Etnográfico e Infantil da Carregueira.

“Estávamos ansiosas, já precisávamos disto”, concordaram Isabel Rodrigues e Olinda Clemente em representação deste grupo. Começaram a trabalhar em fevereiro, tiveram muito trabalho com os trajes e os ensaios, mas no final da atuação fizeram um balanço positivo: “Correu tudo bem e é isso que interessa, quem corre por gosto não cansa”.

A penúltima marcha a entrar no recinto foi a da União Cultural e Desportiva Arripiadense que apostou no tema “Encantos d’Aldeia” movimentando 39 elementos entre marchantes, mascotes, cantores, padrinhos e porta-estandarte.

Júlio Santos, chefe de gabinete na Câmara da Chamusca, que estava ali como dirigente associativo e marchante, explicou ao mediotejo.net que a sua marcha procurava “traduzir as vivências, os encantos e recantos da aldeia ribeirinha do Arripiado”, em que “a própria letra fala nas escadinhas e nos carreiros que levavam ao rio”.

De modo simbólico, a marcha apresentava na cenografia candeeiros e janelas das pitorescas ruas e o fontanário do Alto do Pina.

O porta-voz reconhece que “é preciso muita vontade e boa disposição para pôr de pé tudo isto”, mas no final o balanço foi positivo: “foi uma noite vivida com intensidade, graças ao envolvimento de todos correu bem, foi mesmo muito bom”.

A última a atuar foi a Marcha da Associação de Danças e Cantares os Camponeses da Carregueira com o tema “Carregueira da Roupa Branca” inspirado na música do emblemático filme dos anos 30 “Aldeia da Roupa Branca”. Era composta por 30 marchantes, três cantores, dois padrinhos, uma porta-estandarte e três mascotes.

A porta-voz do grupo, Catarina Protásio, explica que a marcha foi inspirada “no quotidiano dos antepassados na Carregueira em que as mulheres costumavam ir à Mãe de Água lavar a roupa”, tarefa que era feita “com muitas cantigas e muita animação”. Catarina destaca o resultado de meses de trabalho e a preciosa ajuda das pessoas que participaram nas anteriores edições.

No final do espetáculo na Carregueira, Rui Gonçalves, presidente da Junta, fez um “balanço positivo, tendo em conta os dois anos de paragem”. O autarca reconhece que “as pessoas estavam bastante ansiosas”, destacando o espírito de união entre todos e o empenho “espetacular” das associações que facilita o sucesso desta iniciativa onde impera o convívio e a amizade.

As Marchas regressam à rua no dia 25 de junho na zona ribeirinha do Arripiado.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.