Carlos Matos Gomes. Creditos: DR

“Partiu sereno e com músicas de Abril.” Foi assim que a família anunciou este domingo, dia 13 de abril, a morte de Carlos Matos Gomes, no perfil que o coronel mantinha no Facebook. Não são ainda conhecidos os detalhes das cerimónias fúnebres do ex-capitão de Abril.

Carlos de Matos Gomes nasceu em 24 de julho de 1946 em Vila Nova da Barquinha, concelho que o homenageou a 13 de junho de 2022. Nessa altura, em entrevista ao nosso jornal, explicou que, apesar de ter vivido pouco tempo na vila com os seus pais, manteve sempre laços de afeto com o local onde nasceu: “A minha naturalidade é a Barquinha e a minha identidade é a do Ribatejo.”

A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha emitiu este domingo uma nota de pesar, “enaltecendo a memória de um barquinhense ilustre, cuja vida se pautou pela coragem, pelo talento e pelo inabalável compromisso com os valores da liberdade e da cultura”, recordando que Matos Gomes “foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro (Cultural), em reconhecimento da sua notável carreira e do seu forte vínculo à terra natal, que sempre honrou e onde participou em diversas iniciativas culturais ao longo dos anos”.

Oficial do Exército, cumpriu comissões em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau durante a guerra colonial. Foi, aliás, um dos mais reputados e profícuos historiadores deste período, com vasta obra publicada. Desenvolveu também uma carreira literária na área da ficção, com o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz. Um dos seus romances, “Os Lobos não Usam Coleira”, foi adaptado por António-Pedro de Vasconcelos ao cinema com o título “Os Imortais”.

Republicamos neste dia uma entrevista que nos concedeu em 2022, onde revelava: “Quando morrer não parto com nenhuma deceção.”

Aos familiares e amigos de Carlos Matos Gomes, a equipa do jornal mediotejo.net apresenta sentidas condolências.

*Notícia atualizada às 19h00, acrescentando informação sobre a nota de pesar da Câmara Municipal da Barquinha.


Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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2 Comments

  1. Belíssimo artigo acerca dum grande militar que combateu em Moçambique, Angola e depois Guiné. Um grande senhor.

  2. Os meus sentimentos a toda a família, mas apesar de não conhecer o senhor o meu grande respeito por quem soube reconhecer os valores de Abril durante toda a sua vida.

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